Linkagem de Segunda #60

Quando escrevi a Linkagem de número 50, nem me atentei pro fato. Quero dizer, nem me toquei que aquela era a 50ª linkagem e, portanto, um marco, um milestone. Logo eu que sou tão ligada nestas bobagens.

Na época, eu tava passando por uma fase especialmente ruim, algo que acredito que vocês tenham notado pela introdução daquele post. Além disso, estava frustrada com meu epic fail na tentativa de fazer uma BEDA para ressuscitar o blog.

Mas, desta vez, eu percebi o número redondinho ali no título do post a tempo e vou fazer um big deal sobre ele, sim. Sessenta linkagens é coisa pra caramba, principalmente nesse momento de crise blogueirística. Então eu só queria comemorar um pouquinho, ficar felizinha e orgulhosa, principalmente porque amo as linkagens e elas são grandes responsáveis pela sobrevida que o Sem Formol anda tendo ultimamente. ♥ (E qualquer desculpa para usar um gif do Rocky é bem-vinda.)


Obrigada pelas vidraças.


Memes, a única instituição funcionando plenamente no Brasil.


Kid Vinil e o amor sequestrado.


‘Women of NASA’: coleção da Lego para homenagear mulheres cientistas.


Acho que está na hora de assumirmos que, nós, millennials somos absolutamente péssimos (em inglês) (sim, claro, isso foi irônico).


Na semana passada, escrevi aqui (e na newsletter) sobre essa coisa toda de escrever-na-internet sobre si mesmo, particularmente em blogs pessoais e newsletters. Naquele post, compartilhei alguns links interessantes sobre o tema (e outros assuntos correlatos), então recomendo o clique.


Esses dias inventei de assistir Uma Linda Mulher depois de anos e tive vontade de entrar dentro da televisão só pra arrastar a cara de Edward no asfalto. Daí li este post e me senti representada demais.

“Parece que os roteiristas tiveram a ideia para Uma linda mulher pensando como seria se alguém tipo o Joesley Batista, da JBS, fosse o herói de uma comédia romântica. Se esse subplot virasse um escândalo de corrupção à la Lava Jato, talvez eu me interessasse mais.”

Isso também me lembrou estes dois posts maravilhosos da Lara Vascouto sobre aqueles heróis românticos que a gente não queria na nossa vida nem pintado de ouro (parte 1 e parte 2). Também nesta vibe de desconstruir nossos filmes favoritos sem dó nem piedade, vale a leitura desse post bem honesto também da Lara sobre Simplesmente Amor.


Essa moça Petra fez uma lista bem legal no BuzzFeed com 13 personagens mulheres não-princesas subestimadas em animações (em inglês) e, como ela mencionou personagens que eu amo profundamente (como praticamente todas as moças de Atlantis e Megara de Hércules e Esmeralda de O Corcunda de Notredame ♥), tô com bastante vontade de assistir aos filmes citados que eu não conheço ainda.

Também aproveito pra perguntar pra vocês quem vocês colocariam na lista? Eu definitivamente botaria Lilo e Nani de Lilo & Stitch, Astrid e Valhallarama de Como treinar o seu dragão, Hardscrabble de Universidade Monstros, Colette de Ratatouille e Tiana de A Princesa e o Sapo (porque, na real, ela só vira princesa no finalzinho do filme).


Miga, se você gosta das Linkagens de Segunda, ficam duas dicas:

  • você pode acessar o arquivo e conferir todos as linkagens já publicadas aqui; e
  • você pode seguir o arroba do blog no Twitter e acompanhar todos os links que compartilho por lá.

Escrever-na-internet, blogs pessoais e um ano de newslettinha

Como boa overthinker que sou, ando pensando demais nessa coisa de escrever-na-internet, principalmente quando sua “linha editorial” é não-ter-linha-editorial e seu principal tema é você mesma.

Parece que ninguém mais escreve sobre si mesmo online. Quero dizer, é claro que nossos perfis nas redes sociais geralmente são egocentrados, mas nos blogs, sites e páginas por aí o assunto é cada vez menos as pessoas e suas banalidades. Pelo menos na minha bolha, o que vejo são blogs pessoais sendo abandonados, deletados, transformados em blogs de nicho. Quem antes mantinha um blog pessoal tem desistido de escrever ou tá indo escrever em outros canais, falar de feminismo, de cultura pop, de minimalismo ou qualquer outro assunto. Muita gente largou mão do texto e foi fazer vídeo. Muita gente abandonou o “diário virtual” e voltou pro diário de papel. E tem a galera que migrou para as newsletters, seja para escrever sobre um tema específico, seja para escrever quase como era na blogosfera de outrora.

Não digo nada disso como uma crítica ou qualquer coisa do tipo. São apenas constatações. É apenas o que eu observo acontecendo e nem sei mesmo qual é a minha opinião. Só sei que tudo isso me deixa meio mal, meio chateada.

Porque eu amo a blogosfera. Eu sempre defendi os blogs e, particularmente, os blogs pessoais. Eu escrevo-na-internet desde 2003, quando eu tinha 12 anos, e isso acabou se tornando uma parte importante de mim. Escrever-na-internet mudou minha vida em muitos sentidos. Não como aconteceu com a Lia Camargo, a Bruna Vieira ou qualquer outra celebridade de internet que fez fortuna e construiu um pequeno (e às vezes não tão pequeno) império do seu quarto em casa. Neste sentido, meu blog é um “fracasso”. As estatísticas são vergonhosas. Os acessos têm caído vertiginosamente. A maioria dos posts não tem um único comentário. E eu não consigo manter uma frequência de atualização decente há alguns anos. Nunca ganhei um centavo com o blog. Não encontrei meu chamado, minha vocação, nem nada do tipo. Nem trabalhar com escrita ou internet eu trabalho. Mas o blog sempre teve uma importância imensa para mim. Uma importância que talvez nem tenha mais. Uma importância que eu provavelmente não saberia explicar direito.

É essa importância, porém, que me levou a sempre defender os blogs pessoais. É o que me leva a ficar chateada a cada vez que um blog querido se transforma num negócio, mesmo quando isso não necessariamente mude muita coisa para mim como leitora. É o que me levou a literalmente chorar quando a Anna encerrou os trabalhos no So Contagious, mesmo sabendo que eu continuaria lendo o que ela escreve por aí (não, ainda não superei) (desculpa, Anna, sou dramática mesmo). É o que me impede de deletar o Sem Formol ainda que eu não me sinta motivada a escrever nele mais. É o que me impede de levar a newsletter a sério porque sempre sinto como se estivesse traindo, de certa forma, a blogosfera. (Eu sei, eu sei, eu sou ridícula.)

Eu me sinto meio estúpida por causa deste meu apego besta à blogosfera. Me sinto meio idiota quando começo a ser corroída por uma culpa infinita porque não ando postando no blog. E daí me sinto mal pelo tempo perdido produzindo posts que terão tão pouca repercussão.

Há um ano, eu criei a Rascunhos Impublicáveis buscando muito daquilo que a blogosfera não me oferecia mais. A princípio, a ideia era manter a newsletter e o blog e ir descobrindo que tipo de coisa eu queria escrever em cada lugar. Eu tinha certeza que queria manter o blog e eu sabia que queria muito me aventurar no mundo das newsletters. Hoje, um ano depois, tenho mais perguntas do que respostas. Me questiono se ainda há espaço na internet para o tipo de coisa que eu escrevo, este conteúdo tão singelo e besta e meio egocêntrico que eu adoro tanto. E vejo que não sou só eu que ando me questionando sobre isso. Num mundo com tanta informação, quem tem tempo e paciência e disposição para se sentar e ler mais um textão sobre a síndrome da impostora da amiga ou aquele causo que não vai acrescentar em nada na sua vida? Mesmo eu, a apegada do textão pessoal, me vejo priorizando o conteúdo que acho mais “relevante”, que “vai mudar minha vida” ou qualquer coisa assim.

Hoje é Dia 24 foi aniversário da newsletter e eu queria estar aqui fazendo um textão feliz sobre como escrever-uma-newsletter mudou minha vida para melhor. Um textão como eram minhas odes à blogosfera outrora. Infelizmente, não vai rolar. O textão de hoje é só um desabafo sem conclusão nenhuma e um convite para você que ainda dedica um pouco do seu precioso tempo a ler esta palerma aqui (aliás, obrigada ♥) me contar o que você acha disso tudo. Me conta o que você pensa, se você também escreve ou já escreveu na internet, sobre o que escreve, o que você gosta de ler online, como faz para escolher o que vai ler nesta imensidão de conteúdo e o que mais você quiser.

– – –

Este texto começou como uma introdução para a linkagem da última segunda-feira, tornou-se um post independente e acabou se tornando o texto da “newsletter de aniversário” que enviei dois dias atrás. Decidi publicar aqui também porque esta era a ideia inicial e acho que faz sentido que este texto fique registrado no blog também.

Tenho recebido um feedback interessante via e-mail (e vou responder todo mundo o quanto antes, prometo) e estendo o convite do último parágrafo para os leitores do blog também.

Além disso, ontem decidi vasculhar meu Pocket e encontrei textos interessantes sobre alguns dos questionamentos deste post e aproveito para compartilhá-los com vocês:

– – –

Créditos da foto do topo: Juliette Leufke/ISO Republic

Linkagem de Segunda #59

Migas, eu tenho um texto meio que rascunhado para postar ainda esta semana. Começou como uma introdução para a linkagem de hoje, mas ficou muito longo e agora tem potencial de post, então devo publicar daqui a alguns dias, ok? (Só pra vocês saberem mesmo.)


Estes dias tão muito loucos, né, minina? É a Conjuntura Política Nacional™ botando a gente maluco e perdido (e puto, né?) e a vida real, que não pára. (Me deixa pelo menos manter meu acento diferencial? Obrigada.

Se você não me segue nas redes sociais por aí, provavelmente não sabe que eu comecei uma pós-graduação a distância, então tenho estudado em casa, além do meu full time job de pessoa desempregada procurando emprego. Daí decidimos começar uma reforma aqui em casa, coisa que estávamos precisando mesmo, e pronto: caos.

Estes dias estão particularmente complicados. Tive uma fase ruim, de resistência enfraquecida e todas as viroses e doenças da vida. Nisso, perdi um pouco o controle, minhas tarefas se acumularam e até aí estaria tudo bem se não viesse a reforma. Como botar a vida em dia, se isso significa estudar e fazer provas e fazer trabalhos numa casa em reforma? Se isso significa estudar o dia todo com o som de marretas e serras elétricas e equipamentos aleatórios e escandalosamente barulhentos? E ainda tem o pó infinito e a alergia e as muitas horas gastas todos os dias limpando a casa toda e a falta de privacidade com três pedreiros e um mestre de obras (e às vezes um eletricista, um serralheiro, o cara da CPFL, o cara da marmoraria, etc.) dentro de casa.

Como dizia Kátia, não está sendo fácil.


Eu diria que estes são os motivos pelos quais eu ando distante do blog, mas não é exatamente isso e vocês sabem. Mas, como já disse no parágrafo inicial, tenho um post planejado e podemos conversar melhor sobre blogs pessoais, escrever na internet e o Sem Formol.

Enquanto isso, eu queria só mesmo dar um “alô” e uma justificativazinha para esta linkagem estar razoavelmente curta para duas semanas de links acumulados.


Nossas queridas Valkírias fizeram uma programação especial de dia das mães repleta de textos incríveis (como sempre, né? #fangirl). Meu favorito é esse da Jumed sobre a (cruel) representação das mães na cultura pop.


Talvez vocês não aguentem mais ler sobre Estrelas Além do Tempo (eu ainda estou obcecada), mas este texto da Jennifer Ferreira pras Blogueiras Negras traz um ponto de vista bem interessante.


Talvez vocês também não aguentem mais ler sobre Gilmore Girls e o revival e especialmente a Rory (SUPEREM A RORY PELAMORDADEUSA), mas este texto das Valkírias Ana Luíza, Fernanda e Yuu vale a pena, eu juro.


Porque o Lupin é o melhor Maroto ♥ (em inglês).


Lívia Reginato escreveu sobre o estupro como recurso narrativo no Nó de Oito. Sobre este assunto, também vale a leitura deste texto sobre a forma como a cultura pop retrata a violência contra a mulher, escrito pela Lara Vascouto no mesmo site.


Esta entrevista com a Rachel Bloom – criadora e estrela de Crazy Ex Girlfriend – e esta outra com a Donna Lynne Champlin – melhor melhor amiga da tv. (Ambas em inglês.)


Think Olga sobre essa nova “moda” de premiar homens em premiações para mulheres, como o Bono Vox ganhando prêmio de Mulher do Ano da revista Glamour.


Este vídeo maravilhoso da minha melhor amiga platônica Jéssica com a Helmother sobre padrões de beleza e estar nesse meio caminho entre ser magra e gorda.


Aamer Rahman sobre racismo reverso no vídeo mais didático e cool (é um stand up) que você vai ver hoje.


Faz tempo que não faço propaganda do canal da minha amora aqui, então vamos lá. Esta semana, Tety nos lembrou que pequenas vitórias importam e está aí um lembrete sempre válido.

(Tety também fez um vídeo amorzinho sobre a Cúpula do Mal (aka nós duas e Lari) que me arrancou muitas lágrimas e acho que você deveria assistir porque sim.)

Outro bom lembrete: “perder tempo” é importante (em inglês).


Thais fez uma reflexão interessante sobre a regra 90/90 para destralhar no Vida Organizada.


Miga, se você gosta das Linkagens de Segunda, ficam duas dicas:

  • você pode acessar o arquivo e conferir todos as linkagens já publicadas aqui; e
  • você pode seguir o arroba do blog no Twitter e acompanhar todos os links que compartilho por lá.

Salvar

Linkagem de Segunda #58

Nesta segunda, não tenho tantos links para compartilhar com vocês como na semana passada, mas ainda assim são muitos os assuntos, então vamos logo a eles, tá bem?


Segundo a Fundação Getúlio Vargas, a Greve Geral do dia 28 de abril foi o evento mais comentado na internet da história do Brasil. O estudo completo pode ser lido aqui.


Thaís Campolina reflete sobre o lugar da mulher no discurso retrógrado de Temer e as consequências disso neste post do Ativismo de Sofá.

“O local da mulher no discurso de Temer e cia segue sendo o de subalterna e suas reformas querem manter as mulheres assim, já que as propostas ignoram fenômenos importantes como a feminilização da pobreza.” Thaís Campolina, “O local da mulher no discurso machista de Temer


3 de maio foi Dia da Liberdade de Imprensa e as moças do Think Olga questionam “liberdade para que imprensa?

“(…) se trabalhar por uma comunicação que seja justa e respeitosa para grupos minorizados socialmente é ser “politicamente correto” não queremos ser incorretas. Principalmente quando a ideia do tal politicamente incorreto vem disfarçada de uma falsa liberdade de imprensa.” Think Olga, “Liberdade para que imprensa?

Ainda neste contexto, vale a pena dar uma lida no Minimanual do Jornalismo Humanizado, criado e citado pelo Think Olga neste artigo, ainda que você, assim como eu, não seja jornalista.


Depois de corajosamente denunciar o assédio de José Mayer, Su Tonani se pronunciou novamente desabafando sobre os desdobramentos de sua denúncia, especialmente sobre a revitimização que tem sofrido. Ainda sobre este assunto, Carla Rodrigues escreveu sobre a difícil decisão de denunciar ou não um caso de assédio justamente por causa desta questão.

“Eu fui vítima de assédio sexual. E agora estou sendo vítima novamente. Das especulações que colocam dúvidas sobre a minha dor. E me fazem revivê-la.” Su Tonani, “Me deixem deixar de ser vítima: me deixem voltar a ser eu

“Levar adiante um processo jurídico é ficar diante de uma lei que até agora ainda não escrita para protegê-la, mas apenas para reiteradamente fazer dela tão somente uma vítima. Não levar adiante o processo jurídico seria enfraquecer a causa feminista, que precisa de mais mulheres denunciando e reivindicando o assédio sexual. A escolha diante desse dilema insuperável é uma tarefa dolorida.” Carla Rodrigues, “Sobre a recusa do lugar de vítima


Na Ovelha Mag, Fernanda Ozilak escreveu um guia super simples e didático para eliminar a gordofobia do nosso discurso cotidiano.


Jéssica levantou uma discussão interessante no Valkírias: se nesta season 3, o relacionamento de Grace e Frankie tornou-se queerbaiting. Ela explica o significado do termo, mas para quem quiser entendê-lo melhor, também tem este texto ótimo a respeito no Delirium Nerd.

Um dos maiores exemplos de queerbaiting para mim é o relacionamento entre Scorpius e Albus em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Sobre eles e principalmente a falta de representação LGBTQ+ no universo mágico da Jo, há um artigo muito bom no Hypable.


Como boa Marvelete que tenho me tornado, fui assistir Guardiões da Galáxia vol. 2 mesmo não tendo gostado do primeiro. Só não digo que as expectativas eram baixas porque amei os trailers e fiquei especialmente empolgada com a notícia de que Sylvester Stallone (o homem responsável pelo meu herói de infância, ele mesmo, Rocky Balboa) estaria no elenco.

O filme foi uma grande e maravilhosa surpresa, acredito ser um dos melhores feitos pela Marvel até aqui e estou obcecada pela trilha sonora.

Não li muito sobre ele ainda, mas gostei especialmente da resenha da Micheli Nunes pras Garotas Geeks e da crítica da Gabriella Franco pras Minas Nerds.


Rafaella Britto fez um post incrível elencando diversas mulheres que de alguma forma confrontaram o ideal feminino em Hollywood. No Valkírias, Ana Luísa traçou um histórico super interessante da representação feminina no cinema nacional.


Nosso site favorito, o Valkírias, fez aniversário e Anna escreveu um editorial maravilhoso sobre escrever sobre cultura pop e mulheres na internet, e também sobre binge culture e economia da atenção e todo mundo que fica maluco tentando acompanhar as novidades da cultura pop e nerd deve se identificar.


Anne Caroline Quiangala escreveu um post ótimo no Preta, Nerd & Burning Hell sobre o que entendemos por humor negro e o que de fato é humor negro.

“Pra nós, assim como o cinema negro e a música negra são gêneros protagonizados por negros e direcionados aos semelhantes, o humor negro é uma forma estética de denúncia e de libertação. O impacto é automático porque o humor negro evidencia fenômenos cotidianos que enfrentamos simplesmente por sermos negras.” Anne Caroline Quiangala, “O que é humor negro?


Uma das minhas maiores dúvidas implementando o GTD sempre foi como organizar tarefas recorrentes e de rotina. Thais falou mais sobre isso num post bastante esclarecedor no Vida Organizada.


No blog do Todoist, Pedro Silveira escreveu sobre o timeboxing, uma técnica bem interessante de gerenciamento de tempo.


Se você curte as Linkagens de Segunda, ficam duas dicas:

  • você pode acessar o arquivo e conferir todos as linkagens já publicadas aqui; e
  • você pode seguir o arroba do blog no Twitter e acompanhar todos os links que compartilho por lá.

Linkagem de Segunda #57

Voltei. De novo. É só isso que eu escrevo no blog ultimamente, né?

Não vou me justificar porque não vejo necessidade e vocês já conhecem o discurso da vida atropelando a gente, prioridades, etc. Também não vou prometer voltar a postar com regularidade – se é que isso aconteceu alguma vez – porque sei que não vai acontecer. Mas, de qualquer forma, este post é uma tentativa de trazer o blog de volta para a minha rotina.


O feminismo que estampa novas coleções, Paula Maria pras Valkírias

MENSTRUAPPS – Como transformar sua menstruação em dinheiro (para os outros)?, Natasha Felizi, Joana Varon e Diana Moreno no Chupadados


Como os estereótipos estão atrapalhando sua carreira e reduzindo seu salário, Caroline Oms na AzMina

5 ações que precisam mudar para acabar com a desigualdade de gênero no trabalho, AzMina

Sim, mulheres precisam de leis trabalhistas específicas, Lívia Magalhães na AzMina

Representatividade da mulher negra no mercado de trabalho, Luana Maria pras Blogueiras Feministas

Filhos não impedem que as mulheres tenham uma carreira. São os maridos, Felipe Betim e Ana Torres Menárguez no El País

Como evitar que domésticas sejam uma incoerência feminista?, Carolina Vicentin na AzMina


Machismo irônico e por que é preciso ter cuidado com ele, Lara Vascouto no Nó de Oito

“Você não é como as outras”: quem são as mulheres extraordinárias, afinal?, Bárbara Marques no Nó de Oito

4 tipos de personagens femininas que marcaram as comédias românticas dos anos 2000, Lara Vascouto no Nó de Oito

5 mitos sobre amor romântico na cultura pop que sustentam o mito da friendzone, Lara Vascouto no Nó de Oito

Heroínas masculinizadas e a síndrome da mulher “mais macho que muito homem”, Bárbara Marques no Nó de Oito

What’s behind pop culture’s love for silent, violent little girls?, Emily Yoshida na Vulture

Diversidade não deveria ser um show de horrores, Anne Caroline Quiangala no Preta, Nerd & Burning Hell

Marvel: a editora perdeu o interesse por diversidade e personagens femininas?, Renata Nolasco no Delirium Nerd

A gordofobia em nós – do comentário aparentemente inofensivo até as telas do cinema, Maiara Beckrich no Nó de Oito

Mulheres na comédia: aqui tem, Ana Vieira pras Valkírias

Os limites do humor, Gabriella Beira na Capitolina

Humor negro: o termo negro e o politicamente incorreto, Stephanie Ribeiro na Capitolina


Miranda Priestly, o diabo em pessoa, Paloma Engelke pras Valkírias

Legalmente Nós Mesmas, Lady Sybylla no Momentum Saga

Que Horas Ela Volta? – O lado que ninguém quer ver, Paloma Engelke pras Valkírias

Agent Carter: o valor de Peggy Carter e o feminismo, Karol Borges no Delirium Nerd

Heroínas que amamos: conheça as Filhas do Dragão, Gabriela Franco pras Minas Nerds


Entre lobos e cordeiros: Taylor Swift e o que significa ser uma mulher sob os holofotes do mundo, Anna Vitória e Clara Browne pras Valkírias

Emily Lima na Seleção: o que muda dentro e fora das quatro linhas?, Duds Saldanha pras Valkírias


Manifesto pelo fim do guilty pleasure, Fernanda Menegotto na Pólen


Escola Sem Pinto, Eliane Brum no El País


Não se trata só de “dicas práticas”, Thais Godinho no Vida Organizada

Como organizar projetos no Todoist, Thais Godinho no Vida Organizada

GTD: projetos e sub-projetos, Thais Godinho no Vida Organizada

GTD: projetos com prazo x projetos sem prazo, Thais Godinho no Vida Organizada

5 maneiras de usar a agenda do Google para o GTD, Thais Godinho no Vida Organizada

10 tips for sucess with GTD, GTD Times

Salvar

Um convite pras migas tudo ✊

Olar, migas! Ainda se lembram de mim?

Eu sei, eu sei. No último post, eu disse que tinha “voltado”. Eu disse que sentia falta do blog (o que é verdade) e das linkagens de segunda (o que também é verdade) e que queria voltar a postar com uma frequência decente (o que é uma verdade ainda que eu tenha falhado miseravelmente). Daí a vida me engoliu e não rolou.

Fevereiro me passou voando (e atropelando). Não sei se são estes dois, três dias a menos, ou se eu estou com esta impressão de não ter visto o tempo passar porque fiquei doente várias vezes e não consegui produzir tanto quanto gostaria. Mas isso não importa. O que importa é que eu estou aqui hoje e tenho uma convite para vocês.

– – –

Como vocês sabem, semana que vem tem o Dia Internacional da Mulher, aquela data na qual os caras entendem tudo errado e ficam fazendo promoção de batom e dando flor pra umas moças enquanto assedia outras na rua (quando não aproveitam a data que seria sobre nós para justamente reforçar os estereótipos contra os quais lutamos tanto 😒). Pois é.

Mas aqui no Sem Formol Não Alisa entendemos direitinho o propósito do Dia da Mulher e eu queria fazer alguma coisa legal para estimular a gente a pensar, falar e ouvir sobre as minas e as nossas pautas e as pautas das nossas irmãs que sofrem opressões diferentes da nossa. Só que como eu não tive muita oportunidade de pensar e planejar nada muito elaborado, decidi fazer isso usando o perfil do blog no Twitter.

Já tem um tempinho que estou usando o arroba do Sem Formol para compartilhar mais do que os posts e novidades do blog, usando aquele canal também para compartilhar o que de mais interessante eu encontro na internet, divulgar o trabalho das migas, indicar links que podem ser interessantes para vocês, enfim, algo muito parecido com que eu costumo fazer nas linkagens de segunda.

Pois bem, nestes dias que antecedem o Dia da Mulher, decidi colocar o holofote na gente, nas minas, nas manas, na mulherada, nas mulheres, como preferir. Desde a quarta-feira, dia 1º, até a próxima quarta-feira, dia 8 de março, estou e estarei compartilhando textos, artigos, posts, vídeos e toda a sorte de links que tratem de mulheres e de feminismo.

Então, este post é um convite. Um convite para que vocês não apenas acompanhem o Twitter do blog e os links que compartilharei, mas que também apareçam para trocar uma ideia, conversar, compartilhar seus próprios links, textos e vídeos.

– – –

Ah, também quero aproveitar o post de hoje para divulgar a campanha que o Lado M tá fazendo também no Twitter. Às vésperas do Dia da Mulher, o portal está nos convidando a denunciar o machismo que vivemos todos os dias usando a hashtag #NãoSouObrigada. Para ver o que as outras minas tão postando, é só clicar aqui e para participar é só colocar a hashtag nos seus tweets.

– – –

P.S.: Quem ilustra o post do hoje lá no topo é nossa rainha Beyoncé.

Linkagem de Segunda #56

Voltamos! Voltamos eu e as linkagens de segunda.

Voltei porque andei um pouco afastada do blog, sem muita vontade de escrever, sem muitas ideias novas e sem ânimo para desenvolver ideias “antigas”. Andei escrevendo mais na newsletter, dedicando um tempinho maior à newsletter, repensando o conteúdo, o formato e a periodicidade da newsletter. Ideias para o blog até surgem e são registradas, mas não são algo no qual quero trabalhar agora e não sei bem o porquê. Mas eu não queria que o blog ficasse abandonado, então voltei mesmo que talvez devagarinho, aos poucos, sem muito conteúdo original.

Voltou a linkagem de segunda porque eu sinto falta de escrever este tipo de post. Porque eu precisava dum motivador para voltar. Porque me cobraram e sentiram saudades das linkagens e fiquei feliz em saber que este compilado de links semanal faz diferença e é apreciado. ♥

Então, estamos de volta. As linkagens de segunda e eu. Espero que vocês gostem.


Assisti Hidden Figures (Estrelas Além do Tempo no Brasil) anteontem e QUE FILMÃO DA PORRA. Como não tenho a mínima condição de escrever a respeito, fica aqui minhas resenhas/críticas/análises favoritas que as migas escreveram:

Ainda na vibe do filme, Sybylla escreveu sobre as mulheres computadoras esquecidas no Momentum Saga; a Galileu entrevistou Mae Jemison, a primeira mulher negra a ir para o espaço; e a Nina Grando compilou os melhores discursos do SAG Awards, incluindo, é claro, o lindo e poderoso discurso da Taraji P. Henson.


Ainda falando sobre filmes, Paloma listou 4 momentos incômodos e importantes de uma das minhas comédias românticas favoritas, Um Lugar Chamado Notting Hill.


Thamires Motta escreveu um texto muito importante sobre a pornografia e a naturalização da violência contra as mulheres.

O que a pornografia faz não é necessariamente criar abusadores. Mas sim naturalizar a sexualização precoce das meninas, naturalizar o sexo violento, naturalizar a vontade masculina acima de tudo, transformar a existência lésbica em algo voltado para o prazer masculino, naturalizar a busca de “enteadas”, “pai e filha” e “lésbicas” no Google como conteúdo pornográfico. Isso está destruindo a forma como os homens tratam as mulheres, a forma como se relacionam, a forma como fazem sexo consensual com elas.


É sempre bom lembrar: representatividade importa.

tumblr_o3a7zpx4wj1qivzmmo4_500


Minha amora fez um desabafo sobre gordofobia e padrões de beleza que sei que é bastante doloroso para ela, então assistam e sejam gentis.

Coincidentemente, Tia Má (que conheci graças à Jout Jout essa semana, neste vídeo maravilhoso sobre racismo) também publicou um vídeo sobre gordofobia e padrões de beleza hoje.

Para finalizar esta seção, não posso deixar de mencionar este vídeo incrível da minha melhor amiga platônica Jéssica Tauane sobre como os padrões de beleza além de violentos são pedófilos, baseado neste textão necessário aqui.


Já estamos em fevereiro, mas acho que não é tarde para começar algum das dezenas de desafios propostos nesta imensidão internética em que vivemos. Este ano, decidi tentar cumprir três deles. É provável que eu não consiga cumprir tudo, mas pelo menos eu vou tentar, né? E se isso me ajudar a diversificar minhas leituras e a ter contato com mais arte produzida por mulheres, já tô bem feliz.

Desafio Alpaca Press

O objetivo do desafio da Alpaca é justamente ler mais livros e assistir mais filmes feitos por mulheres.

O tema de janeiro foi autora/diretora brasileira e escolhi Aline Valek e o livro As Águas Vivas Não Sabem de Si, que já estava na minha estante há algum tempo pois, graças a esta coisa maravilhosa chamada internet, pude acompanhar boa parte do processo de criação dele através dos relatos da Aline na newsletter e nas redes sociais. O livro é absolutamente maravilhoso e tem resenha da Thais Campolina no próprio blog da Alpaca e da Nina Spim na Revista Pólen.

Ler Além

Este desafio é uma iniciativa dos maravilhosos Nem Um Pouco Épico, Revista Pólen e Valkírias e a ideia é diversificar suas leituras e sair da zona de conforto com 15 categorias maravilhosas.

Como inventei moda de fazer mais de um desafio este ano, tenho tentado conciliar categorias e temas dos três desafios e isso rolou bem no mês de janeiro, uma vez que As Águas Vivas Não Sabem de Si é uma ficção científica escrita por autora brasileira, primeira categoria do Ler Além.

Desafio Literário do Momentum Saga

Por último, temos o desafio do Momentum Saga. Além de apresentar as categorias, o post dela dá dicas muito legais para se engajar em qualquer desafio literário, então recomendo a leitura.


Quando a vida anda meio bagunçada, uma coisa que geralmente me ajuda a botá-la nos eixos – ou pelo menos me motivar para tal – é ler o blog da Thais, o Vida Organizada. Essa semana, três posts em particular me chamaram a atenção:

  • neste ela propõe um exercício muito interessante que pode ajudar bastante na hora de identificar o que é essencial e/ou prioritário na nossa vida para fazer o declutter nosso de cada dia;
  • neste ela reflete sobre vida pessoal e profissional e como esta divisão já não mais existe na prática e tudo bem;
  • neste ela lista os aplicativos que mais tem gostado de usar para se organizar, ideia que eu achei muito boa e pensei em reproduzir aqui no blog com os meus apps favoritos, o que vocês acham?

Salvar

Olar!

Da última vez que nos encontramos aqui no blog, eu tava num lugar muito ruim. Da última vez que nos encontramos lá na newslettinha também. Eu gostaria muito de vir aqui e dizer que agora tatu do bem, que eu tô feliz e motivada e otimista quebrando tudo neste ano novo de número primo (eu gosto de números primos). Mas não é assim que as coisas funcionam, não é mesmo?

Meu ano novo já começou com sangue, suor e lágrimas (tudo literalmente). Meu útero achou que seria legal menstruar por 10 dias seguidos (começando no meu aniversário pois claro) – o que significa 10 dias de cólica intermitente, diarreia, uma dor absurda nos seios e uma profusão de espinhazinhas doloridas no rosto todo (#MenstruaTwitter atrasada e fora do Twitter porque precisamos falar sobre menstruação, sim, senhor). No terceiro dia do ano, eu já era a imagem da derrota, chegando em casa vermelha, suada e literalmente passando mal de calor e raiva. A ansiedade segue firme e forte e já me proporcionou mais crises do que eu gostaria de admitir. E a casa nunca esteve tão triste e vazia como agora sem a Íris.

Por outro lado, minhas perspectivas são boas. Acredito que 2017 vá ser um bom ano (para mim) ou ao menos melhor do que 2016 foi. Já consegui resolver algumas pendências e encaminhar outras tantas. Estou tentando construir uma rotina mais saudável de verdade – não saudável-fitness de Instagram. (Posso falar mais sobre isso num outro post.) Estou tentando me cobrar menos, respeitar meu ritmo e minhas limitações e valorizar minhas qualidades e pequenas (e grandes) conquistas. Tenho planos para este ano que vão além de ficar o dia inteiro pirando em cima do meu próprio currículo, estudando para concursos que eu não quero prestar e me frustrando com essa busca sem fim por uma colocaçãozinha nesse mercado de trabalho que nunca acha que a gente é bom o suficiente.

Além disso, e mais importante, tenho me sentido menos sozinha. Tenho recebido muito, muito amor de vocês por todos os canais possíveis e cada mensagem, cada tuíte, cada comentário, cada e-mail, cada gif do molequinho abraçando a galinha, me deixa um pouco mais forte e motivada. Então, de novo, meu muito obrigada. ❤


Este post está nos meus rascunhos há alguns dias, mas vinha procrastinando terminá-lo e publicá-lo porque não sabia bem para onde ir a partir deste último parágrafo ou qual a real necessidade/função deste texto. Porém estive pensando em algumas respostas que recebi à última newsletter, alguns comentários que recebi aqui no blog e no que algumas migas vieram falar comigo esses dias e achei que deveria postar, sim.

Primeiro porque tem gente que de fato se importa e quer saber como vão as coisas por aqui, ainda que isso implique em mais um textão sobre a bad sem nenhuma grande epifania no final. (Vocês são lindos, amo vocês.) E segundo porque “tirando este assunto do caminho”, fico mais inclinada a postar sobre outros temas e até mesmo voltar com a linkagem de segunda em breve, então fiquem de olho que logo o blog “volta à programação normal”, whatever this is.


Acredito que eu já tenha desejado um feliz ano novo para vocês no último post, mas acho que nunca é demais desejar coisas boas pras pessoas boas que cercam a gente, né? Então, feliz 2017 pra vocês todos, que ainda é só o 17º dia do ano e temos muito o que viver. (Sim, isso foi pra você que também tá #chateado como eu porque o começo do ano foi meio merda. ❤)


P.S.: O post de hoje é ilustrado pela minha família favorita da televisão – os Heck de The Middle – tanto derrotados quanto vitoriosos no primeiro dia de 2017 porque tão gente como a gente, né?

Uma retrospectiva pessoal e capenga

Eu pretendia ter escrito este post na terça-feira, meu aniversário. Fazer aniversário no finalzinho de dezembro faz com que esta seja uma data especialmente propícia para fazer uma espécie de retrospectiva pessoal – uma análise particular do ano que está chegando ao fim.

Só que, por mais que a vontade de escrever este post exista e seja tão real que é quase uma necessidade, não é algo fácil. Honestamente, para mim, há muito pouco de bom para se recordar de 2016, especialmente posto ao lado das coisas ruins. Além disso, o simples vislumbre do final deste ano me enche duma angústia que até então eu não conhecia tão bem. Nunca senti tamanha ansiedade diante da passagem desenfreada do tempo, da constatação do fato óbvio de que é impossível pará-lo e, principalmente, voltar atrás.

Fiz 26 anos esta semana e, pela primeira vez na minha vida, minha idade me assusta. Lembro de ter sentido medo ao fazer 19, mas também me lembro que era um medo bom, um frio na barriga gostoso de quem esperava grandes coisas. Boas coisas. O medo de fazer 26 anos não tem nada a ver com aquele. Não é a ansiedade boa de quem mal pode esperar pelo que vem em seguida. É a angústia de alguém que se sente velha demais para estar onde se está, mas não vê como as coisas poderiam ser diferentes. É a angústia de se olhar para trás e não estar exatamente satisfeita ou orgulhosa da jornada até aqui, ainda que racionalmente enxergue muitas razões para se sentir bem, sim. É a angústia de perceber-se totalmente inserida num mundo adulto do qual não se sente pertencente, nem sabe se quer realmente o sentir.

Esta crise específica foi muito motivada por um ano ruim, sem grandes realizações. Depois de buscar meu diploma e fazer meu CREA, minha vida profissional-acadêmica se resumiu a uma enfadonha, cansativa e frustrante (muito frustrante) rotina de busca por emprego, que segue sem grandes perspectivas e da qual eu sequer tenho energia para escrever/falar sobre, então sigamos.

Voltar a morar com meus pais é, sem dúvidas, outra questão importante neste sentido. Por mais que esta seja definitivamente a decisão mais acertada do ano e que ela tenha me permitido passar mais tempo com algumas das minhas pessoas (humanas e canina) mais amadas, é muito difícil não sentir-se mal em ser um adulto não apenas que mora com os pais, mas também que depende deles financeiramente.

Junto a esta crise talvez um tanto clichê, há a questão da saúde mental. Considerei procurar um psicólogo/terapeuta/profissional, mas minhas opções são muito limitadas (e caras) aqui em São Joaquim. Tenho tentando controlar a ansiedade de todas as formas possíveis (e viáveis), inclusive aquelas que sempre funcionaram bem no passado, mas tem produzido pouco ou nenhum efeito hoje. Não sei até que ponto a ansiedade tem contribuído para minha crise-dos-26-anos ou a crise tem piorado a ansiedade, mas está claro que as duas coisas estão relacionadas.

Minha ansiedade, inclusive, teve muitos agravantes este ano, e agravou outros tantos problemas. Esta onda conservadora em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil, me assusta muito. Acompanhar as notícias tem me descaralhado a cabeça, mas me sinto obrigada a me informar. Ontem mesmo, não consegui dormir depois de assistir à Retrospectiva na Globo. Também é recorrente eu perder o sono pensando nos problemas e tragédias alheias, principalmente (claro) daquelas pessoas mais próximas de mim.

Meus relacionamentos pessoais também foram muito abalados este ano. Estamos todos muito vulneráveis, machucados e assustados, cada um com suas próprias questões, e tem sido difícil lidar com tudo isso. Briguei muito com as minhas melhores amigas. Me afastei bastante de todo mundo. Cheguei a terminar com meu namorado. Por outro lado, foi justamente nos meus pais, no Lu, na Tety e na Lari que encontrei apoio e força para sobreviver a 2016 e acredito que eles puderam encontrar apoio e força em mim também. Termino o ano com o coração um pouco menos apertado, com a certeza de que estes laços foram abalados, porém fortalecidos em 2016.

Também encontrei aqui, na internet, como sempre, uma rede de apoio muito especial, principalmente agora em dezembro, com a morte da Íris. Toquei no assunto superficialmente nas redes sociais e escrevi mais sobre isso na newsletter, mas ainda tem sido muito difícil falar sobre o assunto, por isso não escrevi nada a respeito no blog. Íris foi uma parte muito importante da minha vida, foi uma grande companheira especialmente neste ano difícil e dói demais lembrar que ela não está mais aqui.


Eu disse na última edição da newsletter que tenho evitado escrever na internet porque tudo o que produzo tem saído com essa vibe pesada – porque, bem, a vida anda pesada. Cheguei a pensar em não enviar a última cartinha e em não publicar este último post do ano, mas eu sinto que precisava muito tirar estas coisas todas de mim e que estes eram os canais para fazer isso. Recebi um retorno muito carinhoso depois do meu último e-mail e isso me ajudou demais, então acredito ter tomado uma boa decisão, pelo menos com relação à newsletter. Quanto ao blog, acredito que ele é uma parte importante de mim e que eventualmente não vai ter jeito, a negatividade em mim vai se refletir nos posts.

Então, peço perdão pela bad vibe deste último post do ano, mas eu não poderia deixar de publicá-lo e de publicá-lo assim. Estou me permitindo não fazer a Pollyanna. Me permitindo chorar o que tenho para chorar, viver meu luto e abraçar minha tristeza como o sentimento válido e necessário que ela é. Estou me dando o direito de lamber minhas feridas e lidar com a minha dor do jeito que me couber.


Aproveitando que este é o último post do ano, gostaria de agradecer a todos os leitores do blog pelas palavras de apoio, pelos comentários carinhosos e pelos gifs de animaizinhos. Sem vocês 2016 teria sido muito mais difícil, então muito obrigada. ❤

Espero que 2017 seja um bom ano para todos nós. Que tenhamos força, sabedoria e malemolência (sempre importante) para lidar com as pedras no caminho. E que elas sejam em menor quantidade, né? Pelamordadeusa.


P.S.: as imagens deste post são do filme Divertida Mente.

Algumas considerações sobre a Linkagem de Segunda

Olá, migas! Hoje não é segunda-feira, mas eu queria falar um pouquinho sobre as Linkagens de Segunda.

Talvez este post fique um pouco bagunçado e confuso e pouco coeso, então já peço perdão desde já. Tem sido difícil botar ordem no caos que habita minha cabeça, inclusive escrevendo, então este post é provavelmente o melhor que eu conseguiria fazer agora.


A Linkagem de Segunda nasceu mais de dois anos atrás (!), depois de muito overthinking (quando a gente pensa excessivamente numa coisa). Já fazia algum tempo que eu queria compartilhar com vocês algumas das coisas legais com as quais eu me deparo na internet, mas nunca sabia exatamente como o fazer. Aí é que entrava o overthinking. Eu queria um nome legal, diferentão, com a cara do blog (que afinal de contas se chama Sem Formol Não Alisa). Eu queria escolher o melhor dia da semana, aquele em que as pessoas estariam mais abertas às recomendações (?). Eu queria definir o melhor formato do mundo. Mas, no final das contas, tudo o que eu precisava era seguir meu instinto, sentar e escrever, como sempre foi com o blog.

Foi em novembro de 2014 que eu finalmente parei de enrolar, botei a bunda na cadeira (coincidentemente a mesma cadeira onde minha bunda se encontra neste momento) e escrevi a primeira Linkagem de Segunda. O dia da semana escolhido foi simplesmente o dia em que eu estava escrevendo. O título foi o mais óbvio e simples possível. E o formato me veio tão orgânico e funcionou tão bem por tanto tempo que só vim a questioná-lo e querer mudá-lo recentemente e não descarto voltar a usá-lo.

A “lição” aqui, se é que é preciso haver uma lição, é que às vezes a gente só precisa mesmo começar, dar o primeiro passo, arriscar, ver no que vai dar. É difícil pra uma pessoa ansiosa e metódica como eu fazer algo sem algum planejamento e estudo prévio, mas às vezes é justamente por isso que a gente tem que “só ir”.


Nestes dois anos, foram 55 linkagens. Atrasei em algumas semanas. Falhei em outras tantas. Me permiti adaptar o formato e fugir da periodicidade. Foram estas pequenas rebeldias e desvios – que normalmente me incomodam mais do que deveriam – que ajudaram a manter a longevidade das linkagens de segunda. Bem, isto e o fato de eu gostar tanto de escrever estes posts e o feedback sempre muito positivo que eu recebo de vocês. ❤️


Pode não parecer, mas as linkagens são posts trabalhosos e demorados de se escrever. Isso porque quase sempre inclui desenvolver uma introdução – coisa na qual eu sou péssima – e, principalmente agora, neste formato novo, escrever um pouquinho sobre os links, tentar trazê-los de uma forma que faça sentido, talvez categorizá-los. Além disso, na maioria das vezes, é muito difícil escolher o que vou colocar nas linkagens porque é sempre MUITA COISA. Assim em caps lock mesmo.

(Já contei um pouquinho deste processo aqui.)


Em junho deste ano, fiz os cálculos e descobri que eu lia uma média de 80 textos na internet por semana, o que já é um volume significativo. (Sim, eu sou essa pessoa.) (Sim, eu sou de exatas.) Daí agora no final do ano, me deparei com o Pocket (sempre ele) lotado de coisas novamente. O FOMO, junto com uma necessidade grande de me afastar da internet nos últimos meses, fez com que eu acumulasse uma quantidade grande de links, especialmente textos, por lá. Eu não queria estar online, mas eu não queria perder nada, então salvava tudo para depois, acumulando mais de 600 links.

Como eu disse no último post, estou trabalhando num “grande destralhamento de final de ano” e, embora eu tenha deixado para lidar com a tralha digital só em janeiro, comecei a me dedicar a “limpar” o Pocket desde o finzinho de outubro. Do dia 28/10 até hoje foram mais de 800 textos lidos e quase 450 deletados (porque, neste meio tempo, muita coisa nova entrou além dos 600-e-poucos originais).

Agora imaginem vocês que eu tenho tido, toda semana, cerca de 120 textos potenciais para a linkagem de segunda. Agora pensem na preguiça e na trabalheira. Pois é.

É por isso que eu não tenho postado ultimamente. Porque selecionar os links anda especialmente trabalhoso. (E porque meu notebook quebrou. E porque tô com bursite. E tendinite.)


Geralmente, quando não publico uma linkagem, acumulo os links daquela semana para a próxima. Eu poderia fazer isso agora, sabe? Postar uma linkagenzona gigantesca que seria supercansativa de se escrever e também de se ler. Mas eu decidi dar um tempinho das linkagens por enquanto.

É temporário porque eu gosto muito destes posts e sei que vocês gostam também. É temporário porque logo as coisas se ajeitam e escrever as linkagens volta a ser relativamente simples. É temporário porque eu sei que logo eu sentirei falta delas.

Por enquanto, decidi que vou passar a compartilhar meus links favoritos no arroba do blog no Twitter, assim como eu já fazia na minha conta pessoal. Então, se vocês quiserem acompanhar as novidades do blog, bem como um punhado de textos, vídeos e coisas bacanudas das internets, sigam o @semformol.