Um breve update: escrevendo de novo e fora das redes sociais

Eu voltei a escrever na internet. A princípio lá na newsletter, que agora se transformou em Newsletrinha.

Na primeira edição, expliquei melhor porque voltei a escrever e o que quero fazer. Se você quiser ler, é só clicar aqui. E, se você quiser assinar e receber as cartinhas no seu e-mail, é só colocar seu endereço aqui. Estou me esforçando para enviar uma edição nova toda quinta-feira. O formato ainda é incerto e a linha editorial é a mesma não-linha-editorial de sempre, mas agora temos uma periodicidade porque acho esta estrutura importante para que eu consiga escrever com consistência. Neste mês, o foco da newsletter são minhas férias das redes sociais, mas também estou compartilhando links para coisas que eu curti na internet e dividindo um pouco do meu dia-a-dia.

Ah, sim, pois é. Não contei para vocês aqui do blog ainda, mas decidi tirar 30 dias de férias das redes sociais, começando à meia noite do dia 1º de janeiro. Na segunda edição da newsletter, que você pode ler aqui, explico melhor a minha motivação e conto como foram os primeiros dias. Minha intenção é fazer um post aqui no blog, ao fim dos 30 dias, falando da experiência no geral, mas vou manter as atualizações semanais só na Newsletrinha mesmo.

Pois bem, eu também quero voltar a escrever aqui no blog. Provavelmente não com uma periodicidade definida, mas com alguma frequência. Estou me decidindo se volto a publicar as linkagens de segunda ou não e me questionando sobre o que quero escrever aqui, então a opinião de vocês é muito bem-vinda. Me contem o que vocês querem ver por aqui? Me contem se vocês querem as linkagens de volta? Se sim, como vocês acham que ela deve ser? Alguém tem ideias de formatos ou até mesmo outra periodicidade ou outro dia na semana?

Vamos ver o que vem por aí

Eu disse que voltei, mas na prática, não aconteceu. E eu peço desculpas se alguém criou expectativas que foram frustradas.

Eu sigo com muitas dúvidas em relação ao blog, sobre o que é que quero escrever e até se quero mesmo escrever. Me questiono sobre a existência do blog no nosso contexto sociopolítico, por exemplo. Não quero que ele esteja alheio a tudo o que está acontecendo e também não acredito que isso seja sequer possível. Mas também sei que não sou a pessoa mais adequada para escrever sobre a maioria dos assuntos sobre os quais acho essencial falarmos e, mesmo que eu fosse, a verdade é que eu não quero. Estou exausta de viver este contexto, de estar neste contexto, de pensar quase que 24-7 neste contexto. Talvez eu queira escrever sobre algo específico, mas eu também quero poder fugir um pouco. Pode ser covardia minha, mas fugir da realidade temporariamente tem me mantido a sanidade e me permitindo ter pequenos respiros em que eu não me sinto angustiada ou com medo.

Eu também fico pensado no blog neste contexto de excesso de informações, de muito conteúdo sendo criado a todo segundo, em particular nas redes sociais. O blog nasceu num mundo totalmente diferente, mais de uma década atrás. Que espaço ocupa o Sem Formol nesta nova internet? Quem lê blogs hoje em dia? Quem consome um conteúdo no qual não pode dar like? Quem clica num link para sair de dentro de uma rede social? Quem lê um texto com mais de 280 caracteres?

É claro que nós existimos. Nós que ainda lemos blogs, nós que somos cria de outras internets mais lentas e pouco povoadas, que chegamos aqui quando tudo ainda era mato. Mas nós também estamos inseridos neste contexto, nós também estamos sobrecarregados com tanto conteúdo, sem saber onde nem mesmo como focar nossa energia. Nós também tivemos nossa atenção sequestrada pelas redes sociais.

Por fim, eu penso no blog dentro do meu contexto pessoal. Eu escrevo na internet desde que eu tinha 12 anos, o Sem Formol nasceu quando eu tinha 16. Eu vivi muitas fases pessoais enquanto blogueira. Fui blogueira pré-adolescente, adolescente, jovem adulta e agora não-tão-jovem-adulta-assim. Fui estudante a vida inteira e o blog me acompanhou durante os ensinos fundamental, médio e superior, enquanto eu estudava para o vestibular, fazia faculdade, prestava concursos públicos e fazia pós-graduação. O blog me viu crescer e realizar sonhos e me formar. Me viu sair de casa e voltar para casa depois. Me acompanhou desde a minha primeira menstruação, por tantas primeiras e últimas vezes.

O blog esteve sempre presente, mesmo que negligenciado e em último plano. Mesmo quando eu não estou postando, eu continuo escrevendo na minha cabeça e existe toda uma versão do Sem Formol que só existe para mim, com todas as coisas sobre as quais eu nunca escrevi na prática e jamais publicaria. O “problema” é que, recentemente e cada vez mais, o Sem Formol “da minha cabeça” é o único que tem sido atualizado. Não seria o momento de manter somente ele? Ou seria possível e até desejável adaptar o Sem Formol “real” para o meu atual contexto pessoal?

Eu tenho tido dificuldade para escrever principalmente porque me tem sido complicado organizar as ideias. Minha ansiedade nunca esteve tão presente e isto por causa do contexto externo, mas também interno. Desde que eu me formei, eu não estive parada, mas eu sinto como se estivesse. Eu estou procurado emprego todos os dias há três anos e meio, participei de inúmeros processos seletivos, prestei concursos públicos, trabalhei como freelancer, dei aulas de inglês, fiz uma pós-graduação inteira e ainda assim, sinto minha vida estagnada por continuar desempregada e morando com os meus pais.

Este post não tem uma conclusão. Eu continuo pensando em todas estas coisas e mais. Realmente não sei como o blog se encaixa nestes contextos todos e não quero fazer promessas. Nós nos vemos por aí, e talvez por aqui também.

Vamos ver o que vem por aí. Não dá pra saber ainda.

Tudo novo de novo

Eu tenho pensado muito na nossa pegada virtual – se é que essa expressão existe.

Começou alguns anos atrás quando eu descobri o Timehop. E ganhou força, mais tarde, quando surgiu o equivalente do Facebook. Basicamente, o que estas ferramentas fazem é nos lembrar, diariamente, daquilo que publicamos em determinados lugares neste mesmo dia um, dois, quantos anos atrás for possível.

No geral, eu acho isso muito interessante. Usando o Timehop há alguns anos já, percebi alguns padrões que nunca tinha notado, coisas que eu costumo fazer, ou que costumam me acontecer sempre na mesma época do ano, quando não no mesmo dia. Já me deparei com coincidências curiosas, me lembrei de coisas das quais talvez eu jamais me recordaria e revisitei memórias que trouxeram um quentinho no coração. Mas também, é claro, fui confrontada com coisas nem tão agradáveis.

Acompanho, pelo meu Timehop, mais de dez anos de publicações no Twitter, Facebook e Instagram. É tempo pra caralho. Essas publicações vão desde quando eu ainda estava na escola, passando pelo vestibular, toda minha graduação, minha formatura, a pós e a vida de desempregada-nem-tão-recém-formada-assim. É claro que, dentre essas publicações, tem muita coisa que eu não postaria hoje por inúmeras razões. Eu mudei – diria até mesmo que melhorei em muitos aspectos – e muitos destes posts não condizem com quem eu sou hoje. E isso vai desde questões bobas como a má qualidade de uma foto ou um erro de digitação até coisas mais sérias. Eventualmente, eu me deparo com posts que me envergonham, não por serem bobos ou mal feitos, mas por serem, em algum grau, machistas, LGBTQfóbicos, racistas, gordofóbicos, capacitistas ou simplesmente escrotos pra caralho. Foi aí que eu comecei a pensar na minha pegada virtual.

Eu sei que eu não sou mais aquela pessoa. Eu sei que a gente tá em constante processo de desconstrução – se a gente assim quiser, é claro – e que eu ainda estou aprendendo e melhorando e sou passível de falar muita merda e me arrepender depois. Não que eu fosse uma pessoa horrível cheia de discurso de ódio, mas, infelizmente, eu já reproduzi falas e expressões destes discursos. Só que, hoje, eu sei que aquele post x é problemático, é ofensivo ou é um desserviço. Então por que mantê-lo na internet?

Eu comecei a deletar minhas publicações antigas por aí, pelas coisas mais problemáticas e fui, aos poucos, estendendo esta espécie de “destralhe virtual” para publicações talvez mais inocentes, mas que tragam expressões que hoje eu sei serem ofensivas, ou sejam agressivas ou negativas de alguma forma. Basicamente tudo aquilo que eu não publicaria hoje e que me traz algum constrangimento, eu tenho deletado – ou editado, se for possível melhorar. Eu sei que muitos destes posts são bem antigos e difíceis de acessar, mas ainda assim, eles estavam ali, engrossando o chorume, ressonando com as vozes odiosas, contribuindo para a imensidão de conteúdo agressivo e negativo que já existe na internet.

Eu tenho feito um esforço real para ser consciente em relação ao que eu publico, ao que eu jogo no mundo por meio da web. Então, acho importante ser consciente em relação ao que eu já postei também.

Não é questão de negar o passado, de não assumir as merdas que eu já disse e fingir que sempre fui uma rainha do feminismo interseccional (spoiler alert: ninguém é). Não é sobre negar a pessoa que fui, mas sobre tornar a minha pegada virtual mais leve e mais do bem. É sobre contribuir com uma internet melhor, a começar do meu próprio feed, do conteúdo sobre o qual eu tenho algum controle.

Este processo já tem alguns anos e coincidiu com uma espécie de Facebookcídio em que eu não deletei minha conta, mas deletei praticamente tudo o que eu já havia postado e compartilhado por lá. Talvez eu fale disso melhor em um outro post, se vocês quiserem.

É claro que neste processo, eu comecei a repensar o blog e o conteúdo que eu publiquei aqui nos últimos anos e fiquei meio perdida. Comecei revisando algumas publicações antigas, mas me senti sobrecarregada. São 11 anos de conteúdo e eu levaria muito tempo para revisar tudo. Além disso, algumas publicações me enchiam de dúvidas, entre mantê-las ou não, editá-las ou não. Para mim, não fazia sentido modificar textos de dez anos atrás a partir da perspectiva de hoje, mas eu também não me sentia confortável em deixá-los aqui da forma como estavam. Acabei optando por trancar o blog enquanto eu não conseguia decidir o que fazer.

Há tempos, quero reabrir o blog, mas só agora me senti preparada para isso. Tomei a decisão de ocultar todos os posts antigos e recomeçar quase do zero. Eu sei que grande parte do conteúdo daqui já foi reproduzido internet afora, seja por agregadores de feed, sejam por sites que reproduzem o que a gente publica sem nossa autorização (e, muitas vezes, sem créditos). Eu sei que eu não tenho total controle sobre o que já joguei no mundo, mas eu vou assumir o controle que tenho da melhor forma possível. Posso não conseguir fazer nada sobre meu conteúdo que foi reproduzido por aí, mas aqui no Sem Formol, aqui neste espaço, só vai permanecer o que eu quero, e da forma como eu quero.

Muito provavelmente, eu irei resgatar publicações antigas das quais eu gosto muito, revisá-las e talvez até mesmo reescrevê-las e postá-las novamente, mas isso vai acontecer da forma mais espontânea possível. Eu senti falta do mundo blogueiro enquanto estive ausente, mas também me senti, de certa forma, livre. Mesmo com um blog pequeno, com poucos seguidores, eu sempre senti uma certa pressão (mais minha do que externa) de estar sempre postando e de cumprir um punhado de regras que nem fazem sentido. Então, nesse “renascimento” do Sem Formol, eu quero voltar às raízes blogueiras e fazer com que esse espaço seja meu e seja bom para mim. Não me pressionarei para criar nenhum tipo de conteúdo, nem para cumprir uma periodicidade específica.

O nome disso é slow blogging e é algo que eu tenho tentado trazer para a minha vida internética toda. A Nátaly Neri explicou superbem o que é isso e porque isso é importante neste vídeo aqui e, se você prefere ler, a Maki fez um post ótimo sobre o assunto no Desancorando.

Neste sentido, acho relevante dizer também que eu deletei a página do blog no Facebook. Sei que algumas pessoas não vão gostar e que tinha gente que acompanhava as novidades do blog por lá, mas eu peço que sejam compreensivos e usem nossos outros canais. Administrar uma fanpage é trabalhoso e traz pouco retorno pois pouquíssimas pessoas recebem o conteúdo das páginas que não pagam por impulsionamento.

Vocês podem acompanhar o blog através de qualquer agregador de feed e do Bloglovin’. Ainda estou mantendo o Twitter do blog, mas ainda não sei o que quero fazer em relação a ele e queria pedir a opinião de vocês. Deletei os tweets antigos todos e estou em dúvida entre excluir a conta ou continuar usando-a para compartilhar os novos posts que virão. O que vocês acham?

Da mesma forma, fiquem à vontade para dar sua opinião nos comentários ou entrar em contato comigo. Meu Twitter pessoal é @guedss e o meu Instagram também.