As propriedades terapêuticas da Grande Limpeza de Final de Ano

Todo final de ciclo, eu gosto de fazer um grande limpa/destralhamento/declutter/a-palavra-que-você-preferir. Faço isso porque me ajuda a lidar com os fins e os encerramentos, e também porque me ajuda a me preparar para os inícios dos novos ciclos, abrindo espaço físico, digital e até mesmo metafísico para as coisas novas.

Isso quer dizer, por exemplo, que todo final de semestre da faculdade, eu gostava de reunir todo o meu material, anotações, listas de exercícios, provas e trabalhos, separando o que eu queria ou precisava manter daquilo que eu queria ou podia me desfazer. Toda mudança de estação, eu tiro tudo de dentro do meu guarda-roupa e só devolvo aquilo que eu usei no último ano, doando o resto. Todo final de ano, faço diversos destralhes ao longo de novembro e dezembro. É a minha tradição particular de ano novo.

A cada ano, “A Grande Limpeza de Final de Ano” é um pouquinho diferente, dependendo do momento em que estou na minha vida e tal. Nos últimos anos, elas foram super complicadas porque envolviam final de período na faculdade e não só uma, como duas casas. Paralelamente a provas e trabalhos finais, eu ia fazendo meus destralhes no apartamento onde eu morava sozinha, preparando tudo não só para um novo ano e um novo período da graduação, mas também para os dois meses e meio que o apezinho receberia poucas visitas minhas. Quando eu finalmente saía de férias e voltava “de mala e cuia” para a casa dos meus pais (geralmente depois do dia 15 de dezembro), era a hora de fazer os outros tantos declutters no meu quarto joaquinense (nesta altura do ano completamente abandonado pelas poucas vindas para a casa).

Não precisa fazer a Emily Gilmore depois de ler o livro da Marie Kondo
Não precisa fazer a Emily Gilmore depois de ler o livro da Marie Kondo, mas um declutterzinho é sempre bem vindo.

No ano passado, minha Grande Limpeza etc. não aconteceu bem do jeito que eu queria. 2015 foi uma grande confusão na minha vida e absolutamente nada saiu como planejado ou esperado (para o bem e para o mal). A vida me atropelou e, quando dei por mim, vários ciclos estavam sem encerrando sem que eu tivesse tido a chance de respirar fundo e me organizar. Primeiro foi o TCC, depois o estágio e a graduação como um todo. Colei grau ainda meio sem processar a informação de que eu estava mesmo me formando porque eu havia me preparado para me formar só no ano seguinte. Pela primeira vez em muitos anos, ignorei a minha própria tradição, tomei só as providências cabíveis e urgentes, como fazer minhas malas para vir pra casa, e me dei duas semanas de folga. Em janeiro, voltei para São Carlos para tratar do que ficou pendente, o que incluía o meu último grande declutter por lá, aquele que a gente faz quando tá organizando nossa mudança.

Para mim, organizar a bagunça física – e especialmente se livrar da tralha – sempre teve um grande impacto psicológico. Por isso mesmo, estas limpezas de final de ciclo são tão importantes para mim. Além disso, elas sempre fazem parte de algo maior, de todo um conjunto de atividades que me ajudam a lidar com a vida, o universo e tudo o mais, mas principalmente com a ansiedade. Não ter conseguido fazer nada disso no ano passado, com tanta coisa acontecendo, foi especialmente estressante e acredito ter afetado boa parte do meu 2016.

Quando este ano começou, eu estava completamente perdida. Tudo havia acabado, mas nada tinha tido um encerramento apropriado na minha cabeça. Eu ainda tinha pendências em São Carlos e toda uma mudança de cidade para organizar, o que me ajudou um pouco. Pude me despedir adequadamente de algumas pessoas, mas não de todas. Buscar meu diploma foi a coisa mais simultaneamente dolorosa e deliciosa que já fiz, mas lidar com a papelada, os arquivos digitais e todas as outras coisas que eu trouxe de São Carlos e da graduação foi catártico.

Acho que eu nunca havia percebido de fato como alguns costumes e rituais aparentemente bobos podem ser importantes para mim. Foi por isso que este ano eu decidi levar minha Grande Limpeza de Final de Ano a sério.

O final de 2016 não representa nenhum fim de ciclo importante na minha vida. Esse ano não tem entrega de TCC, último dia de aula, último dia do estágio ou colação de grau. Nada de grandioso aconteceu na minha vida, com exceção dos resquícios dos encerramentos do ano passado (e talvez de grandes problemas). 2016 foi, honestamente, um ano horrível, um dos piores da minha vida e é justamente por isso que quero aproveitar a oportunidade da mudança de calendário para deixar este ano e todas as suas bad vibes para trás. Ao contrário do ano passado, desta vez tenho tido tempo para me planejar e, com isso, consigo vislumbrar um ano novo com mais significado e perspectivas melhores. (Eu sei que o futuro pode ser bastante imprevisível e que a gente não tem o controle de nada mas, para o bem da minha saúde mental, eu preciso de alguma estrutura, alguma organização, algum planejamento.) E também tenho tido tempo de fazer destralhes que eu considero importantes para mim e que vão abrir espaço para coisas novas, inclusive um 2017 muito melhor do que foi 2016. (Olha quem tá sendo otimista!)

Linkagem de Segunda #55

Faz quase um mês desde o último post e eu poderia ficar aqui me justificando, mas acho que realmente não interessa a ninguém porque não andei escrevendo nestas semanas e, como faz tanto tempo desde a última linkagem, tenho muitos links acumulados para compartilhar com vocês e acho que devemos ir logo a eles, certo?

Então vamos!

(Hoje não vai ter trechinho dos textos, nem aquele modelinho que venho usando nas últimas linkagens senão esse post vai ficar quilométrico e eu vou demorar anos para escrever (e vocês para ler), ok?)


Consciência Negra e representatividade: As Lendas de Dandara, Vanessa Bittencourt no Valkírias

Luke Cage ou sobre como acertaram com a Misty Knight (ufa!), Anne Caroline Quiangala no Preta, Nerd & Burning Hell

Qual o lugar do negro no mundo dos shippers?, Camila Cerdeira no Preta, Nerd & Burning Hell

Racismo no Brasil: todos têm obrigação nesta luta, Raysa França no Cacheia!

Por que é importante que pessoas brancas falem sobre racismo?, Carol Patrocinio no Ondda

Feminismo, racismo e a relutância em reconhecer-se como opressora, Joanna Burigo na Carta Capital

Gabrielle Aplin, privilégios e meritocracia, Paloma no Valkírias

[vídeo] Karol Conka e MC Carol sobre padrão de beleza e racismo, PapelPop

Mc Carol e Karol Conka: elas vieram para incomodar e nós as amamos por isso, Tati Perry no Valkírias

Mulheres dentro do padrão de beleza podem sofrer preconceito?, Lívia Reginato no Nó de Oito

A mulher como objeto de cena, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

Objetificação masculina NÃO é a mesma coisa que objetificação feminina, Lara Vascouto no Nó de Oito

Cheias de Charme: vida de empreguete e 500 anos de história do Brasil, Anna Vitória no Valkírias

[vídeo] Periods in Media, TheeKatsMeoww

Amizades femininas em Gilmore Girls, Thay e Yuu no Valkírias

“A série não é sobre os namorados de Rory”, desabafa criadora, Guto Júnior no Gilmore Girls Brasil

Harry Potter and the Cursed Child: a missed chance at breakthrough LGBTQ representation, Tariq Kyle no Hypable

Mulher Maravilha é bissexual, Themyscera é queer. E isso é cânone, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

[vídeo] Gays têm + HIV???, Canal das Bee

[vídeo] Homossexuais e doação de sangue, Drauzio Varella

A segunda temporada de Jessica Jones só vai ser dirigida por mulheres, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

Comparar a Marvel e a DC no cinema é inevitável, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

Mulher Maravilha, ONU, críticas e maiôs, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

[vídeo] Empoderamento vende!, Nataly Neri no Afros e Afins

[vídeo] Pelos, nós temos, Ana de Cesaro

A Vogue decretou: tá na hora de trocar os seus peitos por um modelo menor, Jojo no Uasz

Escola de Princesas e o reforço da nossa submissão, Pâmela Vieira no Sigamos Juntas

“Anticoncepcional” masculino é adiado por ter reações semelhantes ao feminino, Bruno Vaiano na Galileu

Garotos que brincam com bonecas se tornam crianças mais carinhosas e empáticas, Carol Castro na Galileu

Bob Dylan’s Nobel prize isn’t radical. He’s just another white male writer, Natalie Kon-yu no The Guardian

[vídeo] Somos latinas, Canal das Bee

[vídeo] O mínimo, Jout Jout

Tanto Brasil quanto Argentina têm leis contra o feminicídio, mas isso não basta, Lívia Magalhães na AzMina

Os estupros são coletivos, mas a sociedade não se sente responsável, Bia Cardoso no Blogueiras Feministas

[vídeo] HPV, Câncer de Colo do Útero e Mulheres Negras, Nataly Neri no Afros e Afins

[vídeo] Outra aula: HPV, Jout Jout

[vídeo] Inside Out: Emotional Theory Comes Alive, Nerdwriter1

[vídeo] Self Compassion, School of Life

A vida não é um miojo, Estela Rosa na Ovelha Mag

Entre o amor e a originalidade, Taís Bravo no Mulheres que Escrevem no Medium

Tá tudo bem gostar de coisa “ruim”, sabia?, Duds Saldanha no Indiretas do Bem

A escrita como um caminho, Isabela Peccini no Mulheres que Escrevem no Medium

5 dicas para não desperdiçar produtos capilares, Maressa de Sousa no Cacheia!

Co-wash: fiquei um mês sem shampoo e olha no que deu, Marina Fabri no Coisas de Diva

linkseg54

Linkagem de Segunda #54

O blog completou 9 anos de existência na quinta-feira retrasada, dia 13, e como eu já previa no último post, não rolou nem um postezinho sequer para comemorar.

Eu comentei na última linkagem de segunda que andava bastante ocupada, como é típico dos meus outubros. O que eu não sabia ainda é que logo eu ficaria muito ocupada para depois ficar pouquíssimo ocupada e de boas, se é que isso faz algum sentido. Acontece que decidimos meio de supetão fazer uma viagenzinha pra praia, pra botar o pé na areia, comer uns camarões, estas coisas. Todo mundo aqui em casa precisava dum descanso, duma mudança de ares, dum cheirinho de mar. Às vezes, faz bem, né?

Como a gente decidiu bem às vésperas, tivemos poucos dias pra fazer aqueles preparativos clássicos de viagem: comprar uma ou outra coisa, fazer mala, arranjar alguém pra cuidar de Íris, a cã, estas (outras) coisas. Além disso, eu tive que mudar meus planos para os dias seguintes, para a semana que estaríamos fora principalmente. Pode não parecer, mas este negócio de estar desempregada/procurando emprego dá trabalho pra caralho e eu tive que adiantar um monte de tarefas e adiar outras tantas. No final das contas, foi uma semana muito corrida, em que a gente mal conseguiu comemorar o aniversário do meu pai (dia 12) ou da Íris (dia 13) ou mesmo do blog. Só que, né, valeu a pena. O foda agora é voltar pra vida real, sem café da manhã de hotel e praia todo dia.

Basicamente, é por isso que andei sumida do blog nestas últimas duas semanas e nem apareci para fazer um post de aniversário. Mas estou de volta a terras joaquinenses e à minha rotina-não-rotina e hoje é segunda, dia de compartilhar links legais com vocês!

Já adianto que tem pouca coisa aqui porque andei lendo/assistindo/passando pouco tempo online nos últimos dias. Talvez a linkagem esteja mais recheada na semana que vem, quando eu já tiver começado a colocar a vida em dia pra valer. Acompanhemos.


Antes da viagem, eu tive que comprar um biquíni e migas, que merda. A gente luta tanto pela nossa autoestima, pra se amar e se sentir bem no nosso próprio corpo, mas basta ter que comprar uma roupa (ou abrir uma revista, ou ligar a tv, ou ouvir um comentário infeliz, etc.) pra gente voltar a se sentir um lixo, né?

Comentei sobre o assunto com a Tety, que entende desta merda toda muito melhor que eu porque além da pressão estética por ser uma mulher, ainda sofre com gordofobia. Daí ela foi lá e fez um vídeo maravilhoso falando sobre padrões estéticos, indústria da moda, gordofobia e representatividade. Não é fácil se abrir para falar sobre estas coisas todas, mas é muito importante que a gente fale sobre elas, então prestigiem e mandem amor pra minha amora, tá bem?

Eu ainda quero falar mais sobre pressão estética e autoestima e o causo do biquíni, mas ainda não decidi se o faço aqui no blog em texto ou vídeo, ou ainda lá no Medium ou na abandonada newsletter. Me contem o que vocês preferem.


Eu sempre fiquei meio confusa com essa coisa de latinos, hispânicos, raças, cores, etnias, lá nos States, principalmente. Daí encontrei este vídeo maravilhoso e bastante didático da Franchesca Ramsey, em que ela convida Kat Lazo para ajudar a gente entender as diferenças entre estes termos todos (e porque eles importam). Infelizmente, o vídeo é em inglês e não tem legenda em português, mas daí me lembrei desse texto da Luana Reis pro GWS, que eu já compartilhei aqui em outra linkagem, mas achei que seria interessante linkar novamente. Aliás, se você conhecer algum texto/vídeo bom sobre o assunto e quiser indicar nos comentários, por favor, o faça!


Rebeca Puig escreveu um texto ótimo sobre a hipersexualização das personagens femininas no cinema, na tv  e nos quadrinhos no Collant Sem Decote, que me lembrou de outro texto ótimo, que eu já compartilhei aqui também (mas que vou indicar de novo), da Anna Vitória no Valkírias, sobre o olhar masculino (male gaze) na ficção.

“A posição dos atores em relação à câmera, a lente escolhida para capturar a cena e a iluminação que incide nos personagens têm tanto ou mais significado do que o diálogo.”
– Rebeca Puig em A Hipersexualização Feminina no Enquadramento e no Movimento de Câmera

“O cinema (quando digo cinema, falo de narrativas visuais de modo geral) é um sistema de representações, e o male gaze é modo-de-fazer que coloca na tela a representação do olhar do homem sobre seu objeto de desejo, que é a mulher.”
– Anna Vitória Rocha em Marina Ruy Barbosa e o olhar masculino


A Anne Caroline do Preta, Nerd & Burning Hell escreveu sobre o racismo e o machismo por trás da “preferência” pelo seriado do Demolidor em detrimento de Luke CageJessica Jones.

“Quando um homem vocifera que ‘Jéssica Jones é mediano’ ou uma pessoa branca diz que ‘Luke Cage é uma série fraca’ dificilmente apresentam argumentos técnicos e análises coerentes (…) Talvez o problema aí seja que os brancos não são protagonistas, que a série não gira em torno de seus privilégios e muto menos de seu prazer retórico de afirmar que ‘negros são mais racistas que brancos’ ou ‘negros são os únicos que matam o próprio povo’. (…) quanto tempo Jéssica Jones e Luke Cage tem juntos, em minutos, de 1) mulheres com nomes, 2) conversando sobre qualquer coisa que não seja homem? Ou apoiando uma à outra? (…) Todas essas mudanças geram profundo medo nos rapazes conservadores. Medo de que seus valores sociais se percam, junto com seu poder.”
– Anne Caroline Quiangala em O problema por trás de “prefiro Demolidor à Jessica Jones ou Luke Cage”


Não costumo compartilhar edições de newsletters aqui nas linkagens porque por serem estes textos voltados prum público mais restrito (= os assinantes da newsletter em questão), nunca sei se o autor daquele texto queria que ele fosse compartilhado pra fora dos limites daquele público ou não, sabe? Mas daí quando o autor publica aquele texto num outro canal, como o Medium por exemplo, eu me sinto mais confortável para indicar e compartilhar aquele link. Pode ser uma bobagem minha, mas às vezes acho melhor pecar pelo excesso de cautela.

Dito isso, a Aline Valek, autora duma das minhas newsletters favoritas, a Bobagens Imperdíveis, publicou uma das edições mais legais que li nos últimos tempos no Medium e agora fico à vontade para compartilhar com vocês todos.

“Somos esses personagens de histórias absurdas, em que o mundo está acabando mas a gente não percebe, ou não liga, ou vai se deixando levar porque o autor precisa fazer o absurdo acontecer.”
– Aline Valek em A realidade implodiu a ficção sorrateiramente


Um fotógrafo francês viajou o mundo fotografando millennials e onde eles vivem e é claro que eu achei muito genial e já quero ganhar comprar o livro do moço. Dá pra ver algumas fotos no BuzzFeed gringo e no site do projeto.


Contei na outra linkagem que Tety, Lari e eu criamos uma tag sobre seriados e que ela é ótima e vocês deveriam responder também, inclusive em texto, se essa for mais sua praia. (As perguntas estão na descrição dos vídeos das meninas.)

Esses dias, foi a vez da Lari de responder e tô chocada com o quanto ela tá séria e concisa no vídeo. (Sempre esqueço que ela é a cota autocontrolada da Cúpula.) Prestigiem minha outra amora também:

Para quem não viu a versão da Tety, clica aqui. Logo eu farei minha versão também. Juro juradinho.


Vocês devem ter notado que desde a Linkagem #43, eu escolho uma mulher pra ilustrar cada topo. De primeira, a ideia era escolher uma imagem que tivesse a ver com qualquer um dos links, mas aos poucos, acabou rolando um padrão: eu sempre escolhia uma mina maneira, personagem ou real, famosona da grande mídia ou gente das internês. Já teve Jéssica Ellen, Elke Maravilha, Rafaela Silva, Ana Lídia Lopes, Garotas GilmoreHermione Granger… É uma forma bem singela de demonstrar um pouco da minha admiração pelas mulheres maravilhosas que tão por aí esbanjando representatividade e fazendo a gente acreditar que a gente pode ser foda também.

Essa semana, escolhi Jane Gloriana Villanueva, interpretada pela incrível Gina Rodriguez, porque a série voltou semana passada e o primeiro episódio me deixou destruída, só que ainda mais apaixonada pela Jane.

linkseg53

Linkagem de Segunda #53

Essa semana – mais especificamente quinta-feira, dia 13 – é aniversário do blog. O Sem Formol completa nove anos de existência, sendo há alguns anos já o blog mais longevo e querido da minha vidinha blogueira de 13 anos. (Sim, cheguei num ponto em já tenho mais anos vividos tendo-um-blog do que não-tendo-um-blog.)

Todo ano, penso em fazer alguma coisa legal no aniversário do blog. Nunca dá certo. Outubro é sempre um mês cheio de acontecimentos. Foi início da temporada de vestibulares em 2009. Foi o mês de preparar minha apresentação do TCC no ano passado. É aniversário e férias do meu pai. A primeira quinzena sempre era cheia de provas e entregas de trabalhos na faculdade. Por um acaso do destino, eu nunca tive a famosa Semana do Saco Cheio em outubro porque 1) estudei a vida inteira numa escola que tinha toda uma política de “quanto mais dias de aula melhor” e 2) a USP (bem como a Unesp e acho que a Unicamp também) faz sua “semana do saco cheio” em setembro, na Semana da Pátria.

Esse ano, como já manda a tradição (oi?), estive muito ocupada e só me dei conta de que não preparei nada de especial pro aniversário do blog de novo agora, já às vésperas. Eu tinha a intenção de dar um tapa na identidade visual do Sem Formol, revisar posts antigos, divulgar meus textos favoritos nas redes sociais, mas só de pensar na trabalheira e na quantidade de coisas que tenho para fazer essa semana, me dá uma preguiça, sabe?

(Quanto à parte da identidade visual, eu até que tô mexendo numa coisinha aqui e ali e, aos poucos, o blog vai tomando uma nova cara. Assim eu consigo fazer tudo sem me sobrecarregar e vocês podem ir opinando e me ajudando a decidir como o blog vai ficar. Que tal?)

Essa introdução é, no final das contas, uma justificativa adiantada para mais um aniversário do blog que vai passar praticamente em branco e uma justificativa atrasada pela falta de posts este mês e por, mais uma vez, não ter postado a linkagem de segunda nas duas semanas passadas. Tenho lido pouco e até que passado pouco tempo online (exceto pelas longas horas procurando oportunidades de emprego, fazendo provas online e maratonando séries na Netflix), então não tenho tido muito o que compartilhar com vocês. Hoje, reúno aqui um pouquinho do que andei lendo e assistindo na interwebs nas últimas três semanas.


Dia 28 de setembro foi Dia da Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e no Caribe e discutimos o assunto o dia todo na internet usando a hashtag #PrecisamosFalarSobreAborto. Alguns dos meus textos favoritos produzidos ou relembrados neste dia estão aqui:

Precisamos Falar Sobre Aborto – Um Infográfico, Lara Vascouto no Nó de Oito

‘Mamãe, por que alguém seria a favor do aborto?’, Carol Patrocínio no Huffpost Brasil

Sou evangélica e a favor da legalização do aborto, Talita Ribeiro no Huffpost Brasil

A vida – e o estigma – de quem trabalha com aborto legal no Brasil, Carolina Vicentin na AzMina

Elas abortam, Debora Diniz na AzMina

A mulher que aborta, Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas

O que você pode fazer pela descriminalização do aborto?, Gabriela Loureiro no Think Olga


Uma semana antes, foi divulgada uma pesquisa que, entre outras coisas, revela que 37% dos brasileiros concorda que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Juliana Golçalves e Helena Borges chamaram a atenção para como este dado evidencia a existência da cultura do estupro no Brasil e Helena Bertho e Carolina Vincentin convidaram o movimento feminista a refletir o que temos feito a respeito disso.

“Nunca antes se falou tanto sobre violência contra a mulher, nunca antes tanta gente tinha ouvido falar sobre cultura do estupro. Mas ainda falta chegar aos ouvidos de muita gente – pessoas que, certamente, eu e você conhecemos, mas que talvez nunca pararam para pensar na gravidade disso tudo.”
– Helena Bertho e Carolina Vincentin em Onde estamos errando se um terço da população ainda culpa a mulher pelo estupro?


Já indiquei, na Linkagem #47, uma análise bem boa da PL da “Escola Sem Partido” feita pela Mayra, mas também li esses dias o texto que a Isabela Peccini fez sobre o assunto pra Capitolina e queria compartilhar com vocês.

“O nome do projeto causa uma falsa dicotomia: com ou sem partido. Mas, na realidade, o debate precisa ser outro. (…) Quer dizer, a gente tende, muitas vezes, a confundir um pouco as coisas e achar que falar de política é falar de partidos, mas não necessariamente. Falar de política é falar da construção da nossa cidade, da nossa educação, saúde, enfim, da sociedade.”
– Isabela Peccini em Precisamos falar sobre: Escola Sem Partido


Também já recomendei, em outras linkagens, alguns vídeos da Beca do canal Beca com Cê, mas a verdade é que eu acho que vocês deveriam assistir a todos os vídeos e assinar o canal para não perder mais nenhum, tá? Beca fala de feminismo e movimento negro e LGBT e mais um punhado de assunto relevante e necessário com didática e bom humor.

O último vídeo que vi foi sobre cotas raciais, mas, novamente, eu poderia indicar todos os vídeos aqui.


Finalmente assisti ao TED Talk da Roxane GayConfissões de uma feminista ruim – e é absolutamente maravilhoso. Dá todo um quentinho no coração. Então, miga feminista que não viu ainda, assiste, porfa.


Ainda na pauta feminismo (porque sim), a Larissa Lemos escreveu este texto ótimo sobre empoderamento e consumo no Medium.

“As empresas já descobriram que investir em propaganda que exalta esse empoderamento através da autoestima é bem lucrativo.
“Não caiam nessa, empoderamento não pode ser considerado estritamente individual, uma forma de se sentir mais confiante a partir da sua aparência ou do que você consome – levando aí em conta também produtos culturais. Empoderamento é mais do que isso.”
– Larissa Lemos em empodere-se (desde que você tenha dinheiro para consumir)

A Larissa também escreveu sobre a imagem da primeira-dama Marcela Temer e o que isso tem a ver com a gente. Este texto já tem um tempinho, mas segue relevante, então quis incluí-lo na linkagem de hoje também.

Mas e se eu disser que Marcela é peça fundamental nesse novo governo? Se eu disser que ela é um meio de comunicação? Ela é uma forma sutil e eficaz de passar uma mensagem para o público.
– Larissa Lemos em A imagem de Marcela (e o que você tem a ver com isso)


Quarta-feira passada, dia 5, Gilmore Girls completou 16 anos, a mesma idade que Lorelai tinha quando ficou grávida da Rory e a mesma idade de Rory no início da série, então digamos que foi um aniversário especial, né? A Netflix que não é boba nem nada aproveitou a data para nos deixar ainda mais ansiosos pelo revival, lançando este featurette maravilhoso (não confirmo nem nego que eu chorei e ri umas dez vezes assistindo) e abrindo Luke’s Diners pelos Estados Unidos todo, deixando nós, fãs brasileiros, morrendo de inveja.

(Eu ia fazer alguma piadinha infame com Luke Danes e Luke Cage para linkar o próximo parágrafo, mas acho melhor, não, né?)

Luke Cage estreou no dia 30 de setembro (na Netflix, claro) e foi tudo o que eu esperava e mais. Se você ainda não assistiu, por favor, assista. Se você é Marvelete como eu, vai pirar com as referências todas. E, como nem sempre dá pra pegar todos os easter eggs e entender todas as referências (haja repertório, né?), Tety me indicou este vídeo aqui (em inglês).

Agora, se você ainda não viu, lê este texto da Duds (não tem spoilers!), vê esse featurette ou o trailer e vai maratonar agora, mulher.

Ainda falando em seriados, a Cúpula do Mal criamos uma tag! Tety respondeu primeiro porque a ideia partiu dela, mas logo eu e Lari (viu, Larissa?) vamos responder também. E, se você quiser responder, sinta-se convidado, mas não se esquece de dar os créditos e linkar o vídeo da Tety, tá?


Estou alterando um pouquinho o formato das linkagens e o retorno de vocês é muito importante. Comentem o que vocês acharam do post de hoje, me contem como vocês gostariam que as linkagens fossem, fiquem à vontade pra dar pitaco.


Para finalizar a linkagem de hoje, só queria comentar mais uma coisinha. Vocês devem ter notado que desde a Linkagem #43, eu escolho uma mulher pra ilustrar cada topo. De primeira, a ideia era escolher uma imagem que tivesse a ver com qualquer um dos links, mas aos poucos, acabou rolando um padrão: eu sempre escolhia uma mina maneira, personagem ou real, famosona da grande mídia ou gente das internês. Já teve Jéssica Ellen, Elke Maravilha, Rafaela Silva, Ana Lídia Lopes, Garotas GilmoreHermione Granger… É uma forma bem singela de demonstrar um pouco da minha admiração pelas mulheres maravilhosas que tão por aí esbanjando representatividade e fazendo a gente acreditar que a gente pode ser foda também.

A mina foda de hoje é a Roxane Gay, cujo Ted Talk eu compartilhei neste post e o livro “Bad Feminist” estou aceitando de presente. (Meu aniversário tá chegando, hein?)

PROJECT10PAN

Project 10 Pan: o 2º update

Antes de começar o post de hoje, só queria dizer rapidinho que vocês são umas maravilhosas e agradecer o carinho todo que veio depois do último vídeo, em que falo sobre o porquê de eu ter ficado mais de um ano sem gravar vídeos para o blog e porque eu tinha tão pouca vontade de voltar. Como eu disse lá (eu acho), as vozes negativas geralmente são mais altas que as positivas, então cada comentário, tweet e mensagem positiva conta muito. Por isso fica aqui um lembrete, para vocês e também para mim, para que a gente comente mais nos blogs/vídeos das migas, para que a gente deixe mais joinhas por aí, mas também espalhe mais mensagens de suporte e carinho para aquelas que a gente admira.


Bom, agora, sim, podemos partir para o post de hoje, que não é nenhum big deal, mas é algo que eu queria fazer, mais para fins de registro mesmo. Já faz mais de dois meses que eu comecei o Project 10 Pan e esses dias fez exatos dois meses do primeiro update que publiquei aqui, então senti que já tinha passado da hora de fazer mais uma atualização, registrando como está o andamento da coisa toda. Para quem não sabe do que se trata, este projeto é coisa antiga das interwebs, criado por uma “guru de beleza” lá nos primórdios do YouTube. A ideia é escolher 10 produtos de maquiagem que você quer muito acabar por qualquer razão (está próximo da validade, por exemplo) e focar no consumo deles, se “proibindo” de comprar qualquer produto semelhante ou da mesma categoria enquanto aquele não acabar. Eu explico melhor no post inicial sobre o projeto, que vocês podem ler aqui.

No meu Project 10 Pan particular, decidi ser bem flexível, exceto pela coisa de não comprar novos produtos. Expandi um pouco a coisa da maquiagem e escolhi outros tipos de cosméticos também. Optei por usar 10 categorias, que podem ou não ter mais de um produto. E também me permiti fazer as alterações que eu achasse necessárias ou interessantes, como por exemplo, substituir a categoria “hidratantes power” quando terminei o Nivea Creme de latinha rápido demais lá no começo do projeto por uma nova categoria, na qual eu não havia pensado quando escolhi os produtos inicialmente.

Nos últimos dois meses, o projeto deu uma estacionada simplesmente porque eu tenho usado muito pouca maquiagem. Fiz duas viagenzinhas e a (micro) necessaire de maquiagem voltou intocada nas duas vezes. Tenho saído de casa praticamente só de cara lavada, tocando o “foda-se” pras manchas, cicatrizes, olheiras, espinhas e o que mais dizem que é feio e errado ter na pele, e é maravilhoso não dar a mínima pro que os outros vão achar. Tenho me importado cada vez menos com a minha aparência e é libertador demais. Talvez, se vocês quiserem, posso escrever um pouco mais sobre isso aqui no blog. Ou, quem sabe, na newsletter. (Preciso mesmo de ideias para posts aqui e coisas para escrever na news, então me contem sobre o que vocês querem ler, tá?)

Ao invés de seguir escrevendo sobre os produtos, ontem, decidi gravar um vídeo para tentar um formato diferente para as atualizações sobre o Project 10 Pan. Me contem nos comentários o que vocês acharam, porque daí eu consigo ir adaptando os posts do projeto para aquilo que vocês preferem ver, ok?

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

linkseg52

Linkagem de Segunda #52

Não publiquei linkagem nas duas últimas segundas-feiras. Eu sei, eu sou um ser humano horrível, mas não desistam de mim.


Ainda não entendi o que aconteceu. Agosto acabou, daí pisquei e já estamos quase no dia 20 de setembro.

Eu sei que vivi estes 19 dias. Eu sei que aconteceram coisas. Eu fiz meus exames todos que as médicas pediram. Chorei junto com a moça da sala de espera da ultrassonografia que tinha perdido o bebê. Chorei porque a Amber morreu (spoiler alert?) no House. Chorei no S02E12 de Grace and Frankie. Chorei porque Íris, a cã, passou mal e eu achei (de novo) que ela ia morrer. Chorei quando fui eliminada de mais um processo seletivo de trainee e bateu aquele pânico do “será que eu me preparei tanto pra nunca arranjar um emprego?”. (Aparentemente, agora eu sou uma pessoa que chora. O tempo todo.) Enviei dezenas de currículos. Me inscrevi em dezenas de processos seletivos. Fiz dezenas de provas online. Parei de usar o cartão de crédito. Aprendi a fazer frappuccino. Enviei duas novas edições da newsletter. Gravei um vídeo para o blog. Postei sobre porque parei de fazer vídeos. Tety começou um canal no YouTube. Mudei alguns detalhes na aparência do blog e tô morrendo de amores por este background de tijolinhos (bom substituto enquanto não tenho minha parede de tijolinhos real) deste site maravilhoso aqui. Migas da internet fizeram aniversário. Uma prima casou, outra teve bebê.

E, ainda assim, dia 31 parece foi ontem, como assim?!


Para ler

Arte como Missão, Camila Eiroa entrevista Jéssica Ellen para TPM

Karol Conka fala sobre feminismo e racismo: ‘Preconceito machuca’, Kelly Krishna Rios entrevista Karol Conka para O Globo

Como lidar com a falta de esperança após a derrubada de Dilma, a primeira mulher na presidência do Brasil?, Carol Patrocínio na Comum

Bel Pesce, empreendedorismo e celebridade, Lizandra Magon de Almeida no Minas Nerds

Olhos abertos: o apagamento das pessoas asiáticas na mídia, Tayná Miessa para as Blogueiras Feministas

Marina Ruy Barbosa e o olhar masculino, Anna Vitoria no Valkírias

Não nos esqueçamos da Mulan, por favor, Tati Perry no Valkírias

J.K. Rowling e meu muito obrigada, Thay no Valkírias

Eu não sou obrigada a nada (mas todas somos susceptíveis a achar que somos), Bárbara Marques no Nó de Oito

Suicídio, economia e masculinidade, Mari Messias no Lugar de Mulher

Para assistir

Casa TPM – Thais AraújoCanal das Bee entrevistando a Thais Araújo

youPix, milennials e tendênciasMarília Gabriela entrevistando a Bia Granja

Living at home at your 20sAriel Bisset

Onde estamos?Beca com Cê

Como dar a volta por cimaAna Lídia LopesRaíza Nicácio

O que tem na bolsa de uma cacheadaRaíza Nicácio

Caganeira menstrualGorda de Boa

Quando uma coisinha estraga tudoLiliane Prata

Como começar a se organizarThais Godinho

O que é e como usar o GTDThais Godinho

GTD: Áreas de Foco na práticaThais Godinho

Porque parei de fazer vídeos para o blog

Tem algum tempo que eu tenho querido fazer duas coisas: voltar a gravar vídeos para o blog e postar uma atualização da tag “o que tem na sua bolsa”. Até aí nada muito complicado, dava até para “matar dois coelhos com uma cajadada só”. Só que nada é tão simples quanto parece.

Eu comecei a gravar vídeos para o blog tem quase três anos. Até então, eu nunca tinha tido vontade de fazer um post neste formato porque morro de vergonha e meu negócio sempre foi escrever mesmo. Só que a Giu me indicou para uma tag em vídeo e eu decidi arriscar responder no mesmo formato. O retorno de vocês foi ótimo e eu fiquei querendo fazer mais vídeos, pelo menos de vez em quando, para variar um pouquinho.

Quase um ano depois, tive “coragem” de gravar um segundo vídeo, a tag “o que tem na sua bolsa”, uma das minhas favoritas desde muito antes do YouTube e até mesmo das câmeras digitais, quando a gente contava só em texto mesmo o que a gente carregava consigo nos fóruns/Orkut/blogs da vida. Daí fui gravando outros vídeos e ficando um pouco mais confortável em frente à webcam. Percebi que eles estavam me ajudando, ao menos um pouco, com a coisa toda da timidez e de falar em público e achei que seria uma boa ideia continuar fazendo posts neste formato de vez em quando.

Daí, no ano passado, minha vida virou de cabeça para baixo umas 987454187445 vezes e era tanta, tanta coisa acontecendo de uma só vez que não dava para simplesmente sentar na frente do computador para gravar um vídeo. Foi só no começo deste ano, quando a poeira abaixou, que eu tive este tempo. Mas, nesta altura, a vontade de voltar a gravar vídeos para o blog já tinha minguado.

O canal do Sem Formol no YouTube sempre foi só uma extensão, um apêndice do blog. Eu nunca tive a intenção de me tornar youtuber ou vlogueira ou qualquer coisa do tipo. Os vídeos sempre foram só uma forma de diversificar, de publicar posts num formato diferente, de conversar com vocês de um outro jeito. Os vídeos sempre foram destinados a vocês, leitores, amigos, que acompanham o blog, que gostam do que eu escrevo, que por alguma razão se interessam por mim e pela minha vidinha sem graça.

Mas, lá no YouTube, os vídeos ganham mais visibilidade do que os posts do blog costumam ter. Muito mais gente cai de paraquedas num vídeo teu do que num post do blog. Por um lado, isso é ótimo porque permitiu que mais gente conhecesse a mim e ao Sem Formol. O YouTube me trouxe novos leitores, seguidores, amigos e isso é ótimo. Só que o YouTube também trouxe um punhado de haters ou simplesmente aquele tipo de público que acha que o blogueiro/youtuber está ali para servi-lo, para publicar o que ele quer ver do jeito que ele quer ver.

Tem um vídeo meu, um “o que tem na sua bolsa da faculdade“, que não sei bem como ganhou mais visibilidade que o normal (para um vídeo aqui do blog). São quase 5 mil visualizações. Quase todos os dias recebo comentários naquele vídeo, a maioria deles me enchendo o saco, quando não me xingando mesmo. Não me importo muito com comentário me fazendo pergunta óbvia que o Google responderia em menos de um minuto, nem mesmo com aquele spam “que legal seu vídeo, se inscreve no meu canal?”, tão parecido com o já raro “lindo seu blog, comenta no meu?”. O que me incomoda mesmo, a ponto de eu perder totalmente o tesão pelo YouTube, é gente me cobrando, criticando, achando que pode dar pitaco no meu jeito de fazer as coisas na internet e até mesmo na minha vida. É gente reclamando que o vídeo é longo e que eu falo demais, é gente reclamando que o assunto é irrelevante (tá no título do vídeo, migo, foi tu que deu play), é gente reclamando da qualidade do vídeo, falando que eu tenho que comprar uma câmera boa se quiser estar no YouTube. É gente reclamando até mesmo da minha aparência, que aparentemente não é boa o suficiente para o YouTube. Isso sem contar os haters de verdade, as pessoas que xingam e ofendem, os caras que dizem obscenidades (pruma menina que tá mostrando material escolar, cara), aquela coisa toda que a gente já tá acostumada na internet, mas que eu conseguia evitar bastante limitando meus “círculos internéticos”.

Eu estava me incomodando tanto com gente me dizendo o que fazer e como fazer que acabei os deixando afetar justamente a forma como eu faço as coisas. Eu não cheguei a satisfazer aos caprichos desta gente, até porque a maioria era impo$$ível, mas eu cedi no sentido de me retirar daquele espaço, de parar de fazer vídeos, de me sentir mal com os comentários e cogitar deletar o canal, retirar os meus vídeos do ar.

Só que eu ainda via o lado bom, a possibilidade de divulgar o blog para mais pessoas, os leitores queridos que ganhei graças, muitas vezes, justamente àquele vídeo. Eu ainda queria postar vídeos no blog e já estou acostumada a fazer deste jeito, a usar o YouTube como plataforma. Eu não queria me retirar. Poxa, justo eu que sempre bato o pé e insisto em ficar onde eu quero ainda que não seja bem vinda ali?

Daí eu fiquei incomodada foi comigo mesma, de estar me impedindo de fazer algo que eu queria fazer porque gente que eu nem conheço iria me encher o saco. Então, dia desses, eu simplesmente me sentei em frente ao computador, liguei a webcam e gravei este vídeo aqui, em que eu (acho que) falo basicamente as mesmas coisas que disse nesse post em texto, mas tudo bem, assistam se quiser (até porque também tem um “o que tem na sua bolsa” depois):


Acho que prometi lá no meu Instagram e até no próprio vídeo que faria um “o que tem na sua bolsa” em dois formatos: vídeo e texto + foto. Bem, o vídeo eu fiz, mas a versão com fotos eu vou ficar devendo, pelo menos por enquanto, ok?


Escrevendo este post, me lembrei daquele projeto do YouTube, o Mulheres Criadoras, que tinha a intenção justamente de incentivar as minas a criarem, a usar aquele espaço para falar/fazer o que quiser e achei que eu não só deveria reassistir à playlist inteira, como indicar para vocês:


Ainda neste universo, minha amora Tety começou um canal e já arrasou num vídeo inicial citando Frankie (de Grace & Frankie), então por favor, prestigiem:

coffee-laptop

Blog Day 2016

Acontecem coisas. Muitas coisas. E eu pensei em deixar este post para lá. A bad é real e a vontade de celebrar o Blog Day é praticamente inexistente. Só que, por outro lado, o tempo não para, a vida continua e se a gente tem que encarar o mundo lá fora, que pelo menos a gente tenha nossos refúgios. E um dos meus é a blogosfera.


Bem, alguém decidiu que hoje é Dia do Blog porque 3108 se parece com a palavra blog. Outra pessoa (ou será que foi a mesma?) achou que seria legal celebrar tal dia indicando cinco blogs que você conheceu no último ano ou qualquer coisa assim. Há dois anos, o grupo de blogueiros Rotaroots (ainda existe?) decidiu agitar as coisas e propôs que, no Dia do Blog, indicássemos cinco blogs que conhecemos no grupo, cinco blogs que não saem do nosso feed e cinco blogs para sair da rotina, isto é, que sejam de nichos/temáticas diferentes do nosso. Esse ano, como não faço mais parte do grupo (e nem sei se ele ainda anda ativo), decidi alterar um pouquinho as categorias, mas ainda assim manter a tradição aqui no blog.


Blogs que conheci no último ano

Cadê meu café?

A Pri (#íntima) é ilustradora e tem um traço lindo e isso já seria motivo o suficiente pra indicar o blog dela. Só que ela também escreve super bem e tem uma linha editorial que é puro amor: bichinhos, feminismo e decoração.

Ancoragem

Conheci a Mayra pela sua newsletter, Amy’s House, que não sei bem quem foi que me indicou, mas que foi uma indicação certeira. Gosto muito da forma como ela escreve e poucas cartinhas depois eu já sentia que a conhecia há anos. Recentemente, descobri que ela tem um blog também e com ele também foi amor à primeira vista.

Vizinha da Capitu

Paloma (ou Passarinha ♥) é presença garantida nos feeds da minha vida há algum tempo já, mas só recentemente fui descobrir seu blog pessoal (não cheguei a ler o Eucentrismo, blog que veio antes do Vizinha da Capitu). Ela é uma moça como muitas de nós e escreve sobre muitos dos temas que nos são caros, como cultura, feminismo e, bem, esta coisa maluca que é viver.

Ela também escreve no Valkírias (site que reúne moças maravilhosas escrevendo sobre cultura pop duma perspectiva feminina e feminista), na Revista Pólen (a revista literária mais linda desta interwebs), no blog da Alpaca Press (coletivo que tem o objetivo de divulgar o trabalho de mulheres artistas) e na newsletter Pássara em Crise.

Blogs que não saem do meu feed

E agora, Isadora?

Acompanho a Isa pela internet há tantos anos que nem me lembro mais. Isa é quem eu quero ser quando crescer (ainda que eu já tenha crescido e a gente tenha quase a mesma idade), é o perfil do Instagram que eu mais pino no meu Pinterest e é um dos blogs que eu mais gosto de ler.

Laila Zin

Eu e Laila descobrimos os blogs mais ou menos na mesma época e pouco tempo depois, descobrimos uma a outra. Ela não sai do meu feed desde o Ensorcelée e, ao contrário deste movimento de abandono da blogosfera que tem acontecido com as “blogueiras do nosso tempo”, ela tem postado cada vez mais, com direito inclusive a BEDA este mês. Laila é uma dessas moças lindas, extremamente criativas e talentosas e é sempre um prazer acompanhá-la por aí.

Ricota Não Derrete

O blog da minha xará Dani tem uma linha editorial muito bacana e que sempre muda um pouquinho conforme ela mesma vai mudando, o que é sempre gostoso de acompanhar. Agora que ela saiu da casa dos pais e está montando sua primeira casinha com o marido, os posts sobre decoração e DIY têm sido bastante frequentes. Mas além disso, Dani escreve sobre moda e beleza, compartilha receitinhas fáceis e rápidas (e possíveis até para quem não sabe cozinhar que nem eu), fala das coisas que tem lido e assistido e o que mais tiver vontade de postar.

Blogs para sair da rotina

Despindo Estórias

Ainda que eu goste bastante de ler, não tenho o hábito, nem gosto muito de acompanhar blogs literários, booktubers, etc. O Despindo Estórias é uma exceção porque amo Tay de paixão e acho que ela e as colaboradoras fazem um trabalho excelente no blog e no canal no YouTube. Em julho, Tay fez um mês todo especial dedicado às mulheres no canal e foi incrível, recomendo que vocês assistam.

Todoist Blog

Nunca dei muita atenção para estes blogs de aplicativos/empresas porque geralmente é só autopropaganda mesmo, mas alguns posts do blog do Todoist apareceram nas minhas recomendações do Pocket e eu acabei gostando bastante. Como eu uso o aplicativo para centralizar quase todo o meu sistema GTD, decidi assinar o feed e não me arrependi. Como o Todoist é uma ferramenta de criação de listas, particularmente to do lists (listas de tarefas), a maioria dos posts é focada em produtividade e administração do tempo, assuntos que eu gosto bastante. Infelizmente, o blog é todo em inglês e não acredito que haja uma versão em português. Correção: há, sim, uma versão em português e vocês podem a conferir clicando aqui.

I Spy DIY

Como já aparece no nome, o foco do I Spy DIY (também em inglês) são projetos de do it yourself (faça você mesmo). Ainda que eu tenha duas mãos esquerdas e não consiga fazer a maior parte dos projetos, acho o blog tão lindo e inspirador que vale a pena acompanhar, nem que seja para ver coisas bonitas (e, quem sabe, se arriscar nos projetinhos mais fáceis).


Espero que vocês tenham gostado das indicações deste ano. Se vocês tiverem outras sugestões e indicações, me contem nos comentários, ok? Até a próxima e feliz Dia do Blog!


Crédito da foto do topo: Tom Eversley
linkseg51

Linkagem de Segunda #51

Não larguei mão oficialmente do BEDA, mas imagino que vocês tenham percebido, na última semana, que, sim, eu larguei mão. Ainda quero escrever a respeito, não para me justificar ou nada do gênero, mas para falar um pouquinho sobre essa coisa de blogar todos os dias e porque eu acho que não funciona para mim e para o Sem Formol. Vai ser bom ter um lembrete aqui no blog para eu não inventar essas modas de novo (#vdds). E pode ser que este post renda umas reflexões boas sobre blogar no geral. Quem sabe, né?


Ao contrário da semana passada, estive mais offline estes dias. Não por escolha, mas porque as circunstâncias não têm colaborado. Sigo muito cansada o tempo todo e passando mal com frequência, o que, honestamente, tem me desanimado de tudo, inclusive de ler. (Hoje vou à primeira consulta com a endocrinologista e vamos ver no que vai dar.)

Além disso, estamos tendo muitos problemas com a nossa internet porque a Algar decidiu que seria legal mudar nosso plano sem nosso consentimento para uma velocidade que sabemos que não está disponível na nossa cidade, o que faz com que a nossa conexão fique extremamente instável (de cair 5, 6 vezes por hora num dia bom). Agora querem nos cobrar uma multa contratual (!) para voltar ao plano antigo, o que faz com que fiquemos reféns deste plano que não funciona e que não queríamos enquanto eles não verificam que não autorizamos mudança de velocidade nenhuma. Depois de me ferrar em dois processos seletivos de trainee porque a conexão caiu no meio das provas online, estou particularmente sem vontade de ficar brigando com a internet e tenho simplesmente ficado mais offline. Tem horas que cansa ficar brigando com tudo o tempo todo (isso tem a ver com aquele desânimo da última linkagem também).

Isso explica porque a linkagem de hoje está relativamente pequena e porque ando meio sumida das redes sociais e daqui do blog e da newsletter.


O mito da “friendzone” e a cultura do estupro, Bruna Nck no Medium

Estupro não tem classe social nem é problema de falta de educação, Mayra Cotta para as Blogueiras Feministas

A violência contra a mulher é um problema dos homens, Nádia Lapa

Carta aberta ao “cidadão de bem”, Cileide Alves no Trendr no Medium

Vídeo: Mitos, Beca Com Cê

Vídeo: É aquele ditado, né?, Beca com Cê

Mulher latina: representatividade e estereótipos, Luana Reis no GWS

Não seja superior: seja você mesma, Luíse Bello no Think Olga

Pastor, deixa ela falar, Thamyra Thâmara no Think Olga

A imagem fora de contexto que revoltou internautas e prejudicou uma mãe, Geledés

As Paralimpíadas ainda não começaram mas o capacitismo já ganhou ouro, Bia Cardoso e Patricia Guedes para as Blogueiras Feministas

Video: Why does height matter in sports?, Dianna Cowern no Phisics Girl

Desfazendo mitos sobre a água micelar: para o que realmente ela serve?, Modices

Vídeo: Listas são complicadas?, Thais Godinho no Vida Organizada

Video: Cut the clutter! 5 easy ways to declutter your home, Melissa Maker no Clean My Space

Controlando a ansiedade com pequenos rituais, Laila Zin

“Não caia nas dietas detox”, Eduardo Szklarz na Superinteressante

La Cocinera – entrevista com a Paola Carossella, Natasha Cortêz na TPM

Vídeo: Protagonismo e internet – entrevista com a Jout Jout, Marília Gabriela

A carreira de Pablo Escobar em quadrinhos, Superinteressante

linkseg50

Linkagem de Segunda #50

Olá e sejam bem-vindos ao BEDA mais capenga da história da blogosfera.

Fiquei cinco dias sem postar, mas, assim como fiz na última linkagem, não vou me dar ao trabalho de me justificar porque o que aconteceu simplesmente foi que eu não quis postar nos últimos dias mesmo. Acontecem coisas, o blog não foi minha prioridade e é isso aí. (Desculpem, ando com preguiça de tudo, inclusive de me importar. Acontece quando a gente se importa demais com tudo o tempo todo. Um belo dia, a gente cansa.) (Obviamente, isto não diz respeito somente ao blog e talvez eu fale a respeito na próxima edição da newsletter.) (Aos leitores da newsletter: tô sumida, mas amanhã deve ter cartinha nova.)


Diferentemente da última linkagem, li mais online estes dias. Comecei a colocar em dia minhas newsletters acumuladas e li uma quantidade grande de posts, artigos online, resenhas, etc. Alguns destes textos estão aqui:

Das Olimpíadas

Mais que o futebol, Olimpíada é fonte de sentimentos opostos, Antônio Prata na Folha

Lugar de mulher é nas Olimpíadas, Vicky Régia na Capitolina

O legado dos jogos, os garotos imaturos e as vagabundas, Manoela Miklos no #AgoraÉQueSãoElas

As Olimpíadas e o complexo de vira-lata, Marjorie Rodrigues

Do debate sobre a (regulamentação da) prostituição

Colocamos prostitutas e ativistas para debater prostituição, AzMina

“Não queira saber mais sobre prostituição do que as próprias prostitutas”, Monique Prado da Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais (CUTS) na AzMina

A prostituição faz da mulher objeto e não cidadã, Nalu Silva da Marcha Mundial das Mulheres na AzMina

Da cultura pop (e da representatividade)

Adeus Elke Maravilha maravilhosa, Mari Messias no Lugar de Mulher

Mulher Maravilha: os 75 anos do ícone, Thay no Valkírias

Amy diz: “O revival é sobre três mulheres e seus dilemas”, Evandro Marra no Gilmore Girls Brasil

Grace & Frankie – série de 2015, Mayra Sousa Resende no Ancoragem

Grace & Frankie contra o preconceito de idade, Mari Messias no Lugar de Mulher

Review: Orange Is The New Black (S04), Ana Vieira e Thay no Valkírias

Orange Is The New Black is trauma porn written for white people, Ashleigh Schackelford no Wear Your Voice

Fui assistir Orange Is The New Black, era Oz, Anne Caroline Quiangala no Preta, Nerd & Burning Hell

Presas até a gaiola ficar cheia: Orange Is The New Black, Vick Amorim na Pólen

Serão os filmes da Disney os esquerdo-machos do cinema?, Lara Vascouto no Nó de Oito

Alguns pensamentos soltos sobre Harry Potter e the Cursed Child, daqui mesmo

Harry Potter and the Cursed Child: um drama de erros e acertos, Renatawashu no Collant Sem Decote

“Persépolis”, Marjani Satrapi, Maynnara Jorge na Pólen

Da gente e das coisas que a gente vive

Slow down, you’re doing fine, Lidyanne Aquino na Pólen

Peitinhos, Cinthya Rachel

[vídeo] Mudemos, Jout Jout Prazer

Exaustos-e-correndo-e-dopados, Eliane Brum no El País