Narizes torcidos

Eu realmente ficava puta a cada torcida de nariz para os possíveis cursos que eu elegia e “deselegia” a todo momento. Me diziam que física médica não existia, que eu não arranjaria emprego como jornalista, ou que não ficaria rica como farmacêutica (alguém me perguntou se eu queria enriquecer?), e muitos me davam a entender que eu não daria conta de fazer medicina. Os outros cursos que passaram pela minha cabeça não chegaram à minha boca, portanto, não encararam o julgamento alheio. Não é como se eu não estivesse acostumada. Dentro de uma família em que a grande maioria é imensamente diferente de mim, minhas opiniões sempre foram tratadas com descaso (senão repúdio), bem como meus gostos, objetivos, planos, hábitos, amigos, namorados, etc. Mas não foi algo que tenha acontecido somente dentro da minha família: amigos, professores e até meros conhecidos se sentiam no direito de se meter na minha escolha. Já disse Diogo Mainardi que as pessoas dão opinião demais. Ele é um idiota, mas tem razão.

Depois de ter cogitado fazer tantas coisas da minha vida, finalmente eu me decidi. Agora, por mais que zombem, critiquem ou esperem uma mudança de ideia, eu tenho um curso escolhido. Pode ser que o conhecendo de perto, eu perceba que não é o que quero. Se não for, tranco a matrícula, boto meu rabo entre as pernas, volto para São Joaquim da Barra e arranjo um emprego, sei lá, me viro, lido com as consequências que serão minhas e das únicas pessoas que me apoiam em todas minhas sandices: meus pais.Acredito que escolhi um bom curso, com o qual eu me identifico e com um bom mercado de trabalho. Como eu disse, pode ser que não seja o ideal, mas aprendi a ver essa escolha não como algo definitivo, como grande parte das pessoas veem. Conhecendo a experiência alheia, descobri muita gente que atua satisfatoriamente numa área bastante diferente daquela que consta em seu diploma. Sabe aquele cara que ama exatas, se formou em engenharia civil e hoje ensina inglês? Aquele outro apaixonado por biologia, formado em odonto e que é um grande professor de física? Aquele médico que virou jornalista? Aqueles grandes empresários que nunca estudaram administração? Enfim, é uma escolha importante, sim, mas não é para sempre.

Minha decisão: engenharia ambiental. Em geral, a reação das pessoas ao ouvirem “engenharia ambiental” é boa. Os narizes andam menos torcidos. Elas sorriem, dizem que ouviram algo a respeito, contam de alguém que conhecem que é engenheiro ambiental ou que faz o curso, esse tipo de coisa. Muitos não sabem do que se trata, mas parecem interessados em ouvir minha explicação. Porém, quem me conhece um pouco pode se espantar com a ideia. Tem gente que me vê como uma “escritora”, alguém que goste das palavras e não dos números. Mas saibam que, desde sempre, eu gosto mais de matemática. Prefiro exatas a humanas mesmo que não pareça. Quem me conhece melhor sabe disso.

Se a parte da “engenharia” causa essa dúvida, o “ambiental” causa ainda mais. Eu sou mais uma urbana comedora de McDonalds mal-humorada do que uma vegetariana amante dos bichinhos e plantinhas morando numa casinha de sapê no alto de uma colina. Eu me interesso pelo meio ambiente, sem chegar a ser uma ecochata, sem caber em nenhum estereótipo. Poder trabalhar em prol do desenvolvimento sustentável, esse nome grande e bonito, me parece uma forma bacana de fazer alguma diferença e ganhar algum dinheiro ao mesmo tempo. Nesse meu coraçãozinho entupido de gordura saturada e cheio desses sentimentozinhos desprezíveis, também cabe um pouco de nobreza, aquela vontade talvez boba e ingênua de mudar o mundo e não vejo maneira melhor, se não a questão ambiental, já que não me dou para política, para filantropia, nem pra deus ou Mulher Maravilha. Vejo na engenharia ambiental uma oportunidade de ser uma boa profissional e, quem sabe, um ser humano menos egocêntrico e mesquinho. Provavelmente, eu estou sendo idealista como todo jovem ingênuo, mas gosto de pensar assim. Deixem-me sonhar um pouco.

Só para concluir, devo-lhes uma resposta a esse post: a Poços de Caldas e além? Eu pensei e há alguns motivos que me levam a adiar a entrada na universidade por mais um tempo. A Unifal me parece uma boa universidade, o curso é exatamente o que eu queria, Poços não é assim tão longe, mas eu tenho minhas razões para estudar mais um tanto, me dedicar bastante e tentar os vestibulares de final de ano. Desejem-me sorte nesse segundo semestre.


P.S.: Os comentários deste e de outros posts mais antigos do blog foram perdidos, uma vez que eu usava o sistema de comentários do Haloscan, que deixou de existir há alguns anos.
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