Sobre como eu aprendi a escrever

Comecei a escrever antes mesmo de aprender escrever.
Fernanda Young

Ouvi essa frase pela primeira vez em um comercial da Nextel. Depois, a reli em algumas entrevistas. Acho que eu nunca havia pensado nisso, mas eu – longe de ser tão escritora quanto a Fernanda Young – também comecei a escrever antes mesmo de ser alfabetizada.

Sou filha única e, embora tivesse um número razoável de amigos e primos da minha idade, passava a maior parte do tempo sem a companhia de outras crianças. Eu não achava isso totalmente ruim. Eu gostava de adultos e os observava com um interesse todo especial, com a mesma curiosidade que me levava a assistir muita televisão e a folhear aqueles livros cheios de palavras e com poucas ilustrações que eu não podia decifrar. Ganhei minha primeira coleção de livros antes de entrar na escola e minha mãe lia-os pra mim todas as noites.

Embora eu adorasse ouvir minha mãe lendo, acabei descobrindo uma atividade muito mais interessante. Eu me sentava em um canto atrás do sofá, com o livro no colo, observava as imagens e inventava novas histórias. Os personagens ganhavam outros nomes, outras personalidades e outro destino. O lobo mau era do bem, as princesas não eram frágeis e os príncipes eram completamente dispensáveis.

Naquela época, até minhas brincadeiras tinham roteiro. Minhas barbies tinham nome, profissão, personalidade e um destino na minha trama. Raramente eram o que a caixa sugeria. Eu misturava roupas e bonecas, minha avó me costurava novos vestidinhos e minhas barbies eram publicitárias, cantoras, escritoras de novela, soldados, pilotos de avião, pilotos de Fórmula 1 e jogadoras de futebol. Viviam na Grécia, na China, na Europa, na África e qualquer lugar que eu descobrisse em um filme ou encontrasse em um mapa. Mesmo meu amigo imaginário Genebaldo tinha uma história fantástica que era segredo meu.

Foi assim que eu comecei a escrever antes de aprender a escrever.


P.S.: Os comentários deste e de outros posts mais antigos do blog foram perdidos, uma vez que eu usava o sistema de comentários do Haloscan, que deixou de existir há alguns anos.
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Um comentário sobre “Sobre como eu aprendi a escrever

  1. Super me identifiquei, Dani! Também sou filha única e cresci muito mais na companhia de adultos do que de outras crianças, e sempre fui fissurada nos livros. Minha avó lia muito pra mim, até mesmo os livros de adulto, ela pegava e me contava a história de uma maneira que eu pudesse entender. Eu tinha uma ânsia tão enorme de aprender a ler pra poder pegar um livro e ler sozinha que, quando finalmente aprendi, eu lia de um tudo, dos meus livros de criança até a lista telefônica, enciclopédias e livros de receita! hahaha
    beijos!

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