Volta às Aulas: Pobre Matemática!

Em um almoço de família, meu primo de 13 anos, entrando na 7ª série (ou 8º ano) agora em 2012, manifestou sua vontade de viajar de avião para São Paulo. (Devo registrar aqui que minha família não é das mais ricas e viajar de avião está longe de ser algo comum para nós.) Meu pai aproveitou a situação para praticar um pouco do que chamo de a psicologia do seu Vilmar. Ele disse ao meu primo que se ele estudasse bastante, conseguiria um bom emprego e teria dinheiro o suficiente para viajar de avião no futuro. A frase foi ligeiramente ignorada e o assunto prosseguiu. Meu primo perguntou quanto duraria a viagem, já que, de ônibus, leva cerca de 5 horas. Imaginava que durasse por volta de 2 horas. Meu pai discordou, disse que era bem mais rápido e sugeriu: “Vamos testar a matemática!”. Careta. “Se um avião faz 800 km em uma hora, e daqui a São Paulo são 400 km, quanto demora?” Mais careta, negação com a cabeça. Ele não sabia, ao que eu respondi. O assunto mudou de rumo e curtimos o resto do almoço.

Não vim discutir os porquês de o meu primo ter dificuldades com as coisas da escola. Vim falar de algo que sempre notei, mesmo entre aqueles que tiveram bem mais oportunidades do que ele: a careta. Aquela do primeiro parágrafo quando se propôs testar a matemática.

Eu entendo e não entendo, ao mesmo tempo, o problema das pessoas com a matemática. Primeiro, encaremos, você precisa de matemática. Você não precisa saber calcular limite (ao menos que tenha cálculo no seu currículo), mas tem a vida muito facilitada se saber fazer operações simples. Aliás, matemática não se trata somente de números. É lógica, é raciocínio. Sabê-la não só te ajuda a verificar o troco no mercado, como te ajuda a resolver problemas no seu dia-a-dia. A matemática é fundamental. Não é à toa que a aprendemos desde pequeniníssimos na escola e é a principal disciplina, junto com língua portuguesa (♥).

Eu entendo que matemática não é fácil. Quer dizer, ela tem níveis e níveis de dificuldade. É por isso que começamos aos poucos. Ela vai complicando, mas nosso nível de conhecimento tem que acompanhar esse desenvolvimento. Também entendo que há pessoas com mais facilidade para a coisa. E entendo que há pessoas com transtornos de aprendizagem. Mas, já que tocamos nesse assunto, só quero fazer um comentário sobre um outro primo meu, da minha idade. Ele teve (ou tem, não sei ao certo como funciona) déficit de atenção. Hoje ele é um ótimo aluno e faz engenharia na USP, tal como eu. Pelo que sei, muitos distúrbios de aprendizagem podem ser driblados por bons professores, psicopedagogos, psicólogos e os próprios pais.

Há algum tempo atrás, li sobre um distúrbio chamado discalculia na revista Época. Achei pertinente comentar sobre isso aqui. A discalculia impede que a pessoa compreenda os processos matemáticos. Não se trata apenas da dificuldade em entender e solucionar problemas e fazer cálculos. O discalcúlicos têm problemas, por exemplo, para olhar as horas no relógio. Mas mesmo a discalculia, pelo que entendi, pode ser remediada. (mais informações aqui)

Se até mesmo pessoas com transtornos de aprendizagem sérios como a discalculia podem aprender matemática, porque alguém “normal” não poderia? A matemática é fadada ao preconceito. É tida como chata e difícil. Chatos e difíceis são aqueles que não se dão uma chance de crescer, na minha opinião. A matemática pode não ser sua matéria favorita, mas é importante no seu dia-a-dia. Pode até ser importante na sua profissão. Já viu algum concurso sem matemática? Algum processo seletivo sem matemática? São raros.

Então, o que quero com esse post é fazer um apelo. Odeio apelos, soa ridículo, não é? Mas fazer o quê, acho que a palavra é essa mesma. Se você tem filhos ou alguma influência na educação de uma criança, tente incentivá-lo a gostar de matemática. Ele só tem a ganhar. Se você ainda está no colégio e não gosta de matemática, tente deixar o preconceito de lado. Não é difícil, só exige alguma dedicação. Eu mesma tive minhas dificuldades, nunca fui nenhum gênio. Apanhei muito nos primeiros anos de escola. Se tinha mais facilidade no ensino médio é porque ralei muito quando era bem pequena. Gênios são poucos, meu amigo. Espertos são aqueles que estudam!

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7 comentários sobre “Volta às Aulas: Pobre Matemática!

  1. Oi!
    adorei seu post… sempre fui a louka q gostava de matematica, mas sempre por mim. tive a mesma prof. da 5 a 8 série q me adorava por causa disso, tive dificuldades como td mundo e adorava ajudar qem nao entendia.
    hoje tenho uma filha de 1a7meses, que conta até 10, quem sabe um sinal dos ceus…quem sabe nao consigo faze-la gostar de matematica assim como eu…
    bjo!

  2. eu nunca tive lá grandes problemas com a matemática exatamente porque eu via utilidade nela. mas nunca me dei bem muito bem. entendia a lógica, conseguia fazer, mas os resultados sempre davam errados – vai entender!, rs. eu gostava mais da parte de geometria, apesar de não usar quase nada do que eu aprendi. de forma geral eu tenho problemas com exatas. números, contas, não é pra mim, eu sou mais das ideias, das palavras de coisa que não é mensurável : ) ainda bem né? já pensou se todo mundo fosse bom numa coisa só?

  3. Kkkkk, adorei o post! E mesmo não sendo o mais recente resolvi comentar.. Eu também adoro matemática, desde pequena não entendia o motivo de tanta gente odiar a matemática, ao que me diziam: “Deixa você chegar na 7ª série”, depois que eu cheguei na 7ª e passei pela 8ª continuei gostando e as pessoas começaram a dizer: “Deixa você chegar no Ens. Médio!” Bom, acabei de terminar o ensino médio, e mesmo depois da pressão do 3º ano continuei gostando e me dando bem em matemática. Agora não tem como essas pessoas me dizerem: “Deixa chegar na faculdade!” Porque a maioria delas fugiu dessa área, kkkkkk, mas eu espero que assim como você eu também continue gostando!
    Também acho que o fator que mais contribui para a dificuldade das pessoas com matemática é justamente já olharem pra matéria com preconceito! Daí fica difícil conseguir alguma coisa se você já vai estudar dizendo que não consegue..

    Beijão :*

  4. Nossa, eu achava que todos os que gostavam de matemtica, eram genios e eu me sentia uma burrona. Esse ano prestei vestibular e comecei a gostar de matematica ainda no cursinho.
    Infelizmente não tive bons professores de matemática, no entanto eu passava por chamada oral da 3 a 7 série, o professor perguntava, exemplo: 7X7 e quem errava, faria a tabuada do 2 ao 9, 7X e eu fazia tudinho sem reclamar. Acabei tendo traumas sérios no fundamental, pois minha mãe nunca ajudava, vivia me criticando, até que levei uma surra, minha timidez fazia com que eu não conseguisse apresentar meu caderno para corrigir e eu quase nunca fazia os exercicios de matematica, isso me prejudicou tanto, me atrasou de uma forma tão grave que só fui fazer exercicio de matematica no cursinho pré-vestibular aos 21 anos (idade da qual havia me matriculado no cursinho, anteriormente havia feito Enfermagem e desistido 1 ano depois). Matematica não é chata, o problema é que todo mundo vive ouvindo que é dificil, que existe calculadora e por isso muitos não se aplicam. No meu caso passei de biologicas (Enfermagem) para exatas(Engenharia Agronomica), pois não conseguia me identificar com nenhuma area. Adorei seu blog, havia prestado Fuvest e não passei por 1 ponto, no entanto obtive sucesso em outro vestibular estadual.
    Bjs, adorei seu blog.

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