Volta às Aulas: Como eu estudei para o vestibular – Parte 2

Como dito no post anterior, cá estou eu com a Parte 2 da série de posts Como eu estudei para o vestibular. Espero, com esses textos, matar um pouco da curiosidade de quem me perguntou na época e, talvez, passar alguma dica interessante para futuros vestibulandos.

Hoje, vou falar um pouco do que usei para estudar – o meu material – e também um pouco de como eu estudei cada matéria. Na próxima parte, falo sobre como eu organizava meu tempo. Shall we?

O material

Antes de começar a estudar, organizei meu material. Recuperei o que era “recuperável” da época do colégio e reuni coisas novas. Alguns foram incorporados ao longo do ano. Em suma, usei o seguinte:

  • Minhas apostilas do 3º ano, praticamente intocadas – do Positivo. ♥
  • Meu querido e amado Memorex – do Positivo também. ♥
  • Apostilas do curso de exatas – Flexus – do qual eu falei no post anterior.
  • Resumo dos livros da Fuvest – do Objetivo – que ganhei.
  • Anotações e resumos de biologia e literatura (dos queridos professores Marcelo e Humberto). ♥
  • Guia do Estudante Atualidades do segundo semestre de 2008 e dos dois semestres de 2009. ♥
  • Melhores redações dos anos anteriores da Fuvest (dá pra ler no site).
  • Provas dos anos anteriores da Fuvest (disponíveis para download no site também).
  • Internet (inclusive o YouTube, acreditem).
Dica: Se você estiver no colégio ou no cursinho, é mais fácil: vai usar o material que lhe for disponibilizado e incorporará poucas coisas. Eu recomendaria incorporar justamente um livrão resumido de todas as matérias, como o Memorex. Algumas escolas disponibilizam algo assim no seu material. O Memorex eu comprei justamente na época do colégio. Também recomendo resumos e explicações sobre as leituras obrigatórias (falarei sobre isso mais adiante), anotações garimpadas dos anos anteriores (só aquelas que valem a pena), e o Guia do Estudante Atualidades (sobre o qual falarei mais adiante também). Também acho importante fazer as provas dos anos anteriores. Eu foquei na Fuvest porque era a prova mais difícil que eu faria. Caí naquela máxima de “mirar na lua porque se errasse atingiria as estrelas”. Brega, não? (Mas funcionou, gente.)
Dica: Se você for estudar sozinho, terá que organizar bem o material a ser utilizado. Escolha algo bom que lhe dê uma boa base. Pode ser suas apostilas do 3º ano (se você ainda as tiver e elas forem de boa qualidade) ou apostilas doadas por amigos que fizeram cursinho. Você também pode comprar livros didáticos. Procure sempre pelo material mais atualizado. Você também precisará de outros materiais, como os que citei na dica anterior. É possível que você precise ainda de mais material, mas vai perceber essa necessidade ao longo do ano. Também não exagere, muito material pode te confundir e desorganizar.

Exatas

Exatas era minha prioridade, estudava cada uma das disciplinas 3 vezes por semana, como lhes contarei no próximo post. Quanto à matemática e física, eu fazia aulas no curso de exatas, como falei no post anterior, e elas guiavam meus estudos. Durante a semana, eu selecionava exercícios das apostilas do Positivo e do Flexus a respeito da aula daquela semana e resolvia. Se achava pouco, procurava mais exercícios na Internet, mas era raro. Em geral, procurava resolver exercícios da Fuvest, Unesp e UFTM, mas também fiz muita coisa da Unicamp, UFU, Enem e ITA.

Quanto à química, como já disse no post anterior também, tive que estudar a teoria em casa porque o professor do curso de exatas deixava a desejar. Como eu estudava química três vezes por semana, costumava fazer um dia de teoria e dois de exercícios. Usava a apostila do Positivo para a teoria. Depois, selecionava exercícios de ambas as apostilas e resolvia. Novamente, procurava resolver questões da Fuvest, Unesp e UFTM, mas também fazia exercícios da Unicamp, UFU e Enem.

Dica: Exatas se estuda com prática, com exercícios. É importante prestar atenção nas aulas, entender bem a teoria. Mas é ainda mais importante colocá-la em prática e fazer muitos exercícios. Mas também não exagere, não faça tudo o que ver pela frente. Selecione os exercícios que quer resolver. Faça tanto questões de múltipla escolha como questões discursivas, procure diferentes níveis de dificuldade e foque naquelas dos vestibulares os quais você pretende prestar. Eventualmente, resolva exercícios de outros vestibulares para diversificar.
Dica: A prática é ótima para ajudar a decorar fórmulas chatas mas pode não ser suficiente. Nesse caso, apele para as frases e músicas que ajudam a memorizar. Tenho certeza que você já conhece algumas. Procure outras na internet e, se preciso, invente as suas. Ajuda muito. Além disso, aprenda a chegar nas fórmulas mais complexas a partir de fórmulas mais simples. É melhor perder uns segundos calculando a fórmula do que esquecê-la. Além disso, aprender a deduzir a fórmula já é um exercício.

Biologia

Estudei biologia com as apostilas do Positivo, mas também com anotações e resumos das aulas do professor Marcelo, que me deu aula durante sete anos no colégio e foi um dos meus professores mais dedicados. Obviamente, também fiz exercícios, priorizando os mesmo vestibulares dos quais já falei.

Dica: Biologia tem umas “decorebas” bem chatas, muitos nomes. A sorte é que, a maioria deles é fácil de deduzir analisando a construção da palavra. Comece a prestar atenção nos prefixos e sufixos e no que eles significam. Ajuda demais! Se achar conveniente, monte um glossário de termos biológicos, dando destaque para o prefixo e sufixo e seus significados.
Dica: Para mim, biologia sempre foi uma disciplina de se estudar rabiscando, fazer mil esquemas e organogramas, puxando flechinhas para todos os lados. Experimente fazer isso, organizar algumas informações em esquemas práticos, organogramas fáceis de se lembrar depois. Se você tem memória visual, pode ser bastante útil. Além disso: desenhe. Faça do seu jeito, não precisa ficar perfeito. Procure reproduzir as imagens da sua apostila e nomear as estruturas. Essa prática também ajuda bastante.

Literatura e leituras obrigatórias

Estudei literatura com anotações também, dessa vez das aulas do saudoso Carlos Humberto, um dos caras mais geniais com quem já tive o prazer de ter aula. Só recorria às apostilas se me surgia alguma dúvida. Fazia exercícios com pouca frequência, geralmente quando fazia revisões bimestrais.

Quanto às leituras obrigatórias, li tudo o que pude. Somente aulas e resumos muito, muito bons substituem a leitura de um livro, então o melhor é tentar ler o máximo que puder e, para tal, começar o quanto antes. Antes de 2009, eu já vinha lendo alguns livros da lista da Fuvest. Eu recomendo, já que a lista muda pouco ao longo dos anos. Em 2009 mesmo, só li Capitães da Areia, do Jorge Amado, que era novidade. Além dos livros, devorei o livreto com resumos do Objetivo que ganhei e que tinha muita informação interessante. Por fim, li minhas anotações do colégio, das preciosas aulas do Humberto.

Dica: Se você ainda tem um ou mais anos até o vestibular, pegue as listas de leituras obrigatórias dos vestibulares que pretende prestar e comece a ler alguns livros. A lista da Fuvest/Unicamp já saiu. Comece por aquele gênero ou escola literária que te agrada mais e alterne com outros tipos de leitura. Vai te poupar tempo precioso no futuro.
Dica: Leia o máximo que puder. Não só os livros, mas tudo o que encontrar a respeito deles, do autor, da escola literária, do contexto histórico, etc. Essas informações podem ser mais importantes do que a própria história do livro.

Inglês

Não estudei inglês porque tinha acabado o curso avançado no ano anterior. Não era preciso. O inglês cobrado nos vestibulares não é muito complicado, basta uma boa noção.

Dica: Faça um curso de inglês. É importantíssimo e vocês sabem disso. Além das mil vantagens que vocês já devem conhecer, você pode economizar preciosas horas de estudo se já souber inglês quando for prestar vestibular.

Gramática e ortografia

Não estudei gramática e ortografia, com exceção das aulas do primeiro semestre do curso de português – falei sobre isso no post anterior. Honestamente, são pouquíssimas as perguntas de gramática do vestibular. Eu fui na cara e na coragem, com aquilo que eu lembrava do colégio e das poucas aulas do curso de português. Foi o suficiente. Quanto a ortografia, ela é importantíssima nas provas discursivas e na redação, é claro. Mas a gente aprende a escrever bem lendo. Acho que acontece o mesmo com a gramática, mas acho ortografia bem mais tranquilo.

Falando em “tranquilo”, isso me lembra a extinção do trema, que me lembra reforma ortográfica. Se você deu azar, assim como eu, de prestar vestibular justamente no auge da reforma, então vai ter que aprender o que mudou. No ano em que prestei, ainda não era obrigado escrever segundo as novas regras, ninguém te descontaria um ponto por causa de um “vôo”, um “tranqüilo” ou uma “idéia” acentuados. Não sei como andam as coisas hoje, informem-se.

Dica: Minha única dica é: LEIAM. Leiam muito e leiam bem. Foi assim que aprendi português.

História e geografia

Estudei história somente com as apostilas do Positivo, que eram suficiente. Se me surgia alguma dúvida, perguntava para a Lari, que nasceu para ser professora! Também tive professores bons no colégio e me recordava das aulas deles durante as leituras, o que ajudava muito. Também fazia os exercícios da apostila, me focando também nos da Fuvest, Unesp e UFTM e, eventualmente, fazendo alguma coisa da Unicamp, UFU e Enem.

Também não estudei geografia. Era uma das minhas matérias favoritas no colégio, mas não suportava pegar a apostila e ficar estudando em casa. Por outro lado, prestava atenção nas aulas e tomava muitas notas. Dizem que tomar notas já ajuda a memorizar, mesmo que elas não sejam lidas depois. E eu nunca as reli, somente às vésperas das provas de escola, quando surgia alguma dúvida. Também devo mencionar que tive dois bons professores de geografia, o Fábio e o Fernando. Acabei não estudando para o vestibular, confiei naquilo que eu lembrava do colégio. Fui muito bem nas provas de geografia, by the way.

Dica: Preste atenção nas aulas de humanas. Se você, assim como eu, não tem paciência para ler seus livros e apostilas de humanas em casa, é fundamental que preste atenção nas aulas.
Dica: Faça anotações. Elas te ajudam a absorver o que está sendo dito, principalmente se você não tiver boa memória auditiva. Mesmo que você não venha a lê-las no futuro, já tem um efeito positivo. Além disso, é claro, suas anotações podem ser importantes no futuro para fazer revisões e se lembrar de detalhes importantes.

Eu troquei a apostila de geografia pelo Guia do Estudante Atualidades. Aliás, pelos guias de 2009 (eram dois) e o do segundo semestre de 2008. Eles são maravilhosos, recomendo muito para quem for prestar vestibular. As provas de geografia são, cada vez mais, sobre atualidades. Além das questões interdisciplinares adorarem abranger temas atuais. É o que eu gosto de chamar de Efeito Enem.

Dica: Você precisa saber atualidades. É cada vez mais presente nas provas de geografia e questões interdisciplinares, além de presença maciça no Enem. Mais fácil do que ler todos os jornais e revistas, é ler o Guia do Estudante Atualidades, uma verdadeira benção para os vestibulandos. Os guias trazem tudo o que você precisa saber de importante que está acontecendo no Brasil e no mundo, além de darem dicas preciosas. São duas edições por ano, uma para cada semestre. Recomendo ler as duas no ano em que for prestar vestibular. Antes disso, acho que manter-se informado basta.

Redação

Como eu já disse no outro post, odiava as aulas de redação do curso de português. Não gosto das mil regras que impõem, do tipo “introdução com x linhas, título com x palavras e sem verbo”, etc etc… Eu já sabia o fundamental, qual a estrutura geral e o que se espera de cada tipo de texto e, para mim, era o suficiente para fazer minhas redações. Agora, era treinar. Acho que treinar é muito importante.

No primeiro semestre, justamente por causa do curso, eu fazia uma redação por semana. Eu costumava fazê-las na quinta ou na sexta, à noite, depois de ter estudado a minha meta do dia – sobre a qual falarei no post seguinte. Caso não fizesse, meu “castigo”, imposto por mim mesma, era fazê-las no final de semana. E eu odiava estudar no final de semana.

Já no segundo semestre, sem o curso de português, eu fazia uma redação aproximadamente a cada quinze dias, quando conseguia cumprir as metas do dia em um tempo bom e estava animada. Procurava temas antigos da Fuvest, da Unesp e do Enem e os desenvolvia. Às vezes, quando tinha um tempo livre, gostava de ler as melhores redações da Fuvest, que são disponibilizadas no site da fundação.

Dica: Conheça os diferentes tipos de texto e as principais regras que regem cada um. Você não quer zerar sua nota porque escreveu um ensaio ao invés de uma dissertação.
Dica: Leia muito e leia bem. Todo bom escritor é, antes de qualquer coisa, um ótimo leitor.

 

É isso por hoje, queridos. Comentem, estou muito curiosa pelo feedback de vocês a esses posts os quais procrastinei tanto. Se vocês ainda não leram a primeira parte, cliquem aqui. Sexta, eu volto com a terceira e última parte. E ainda têm mais posts sobre a volta às aulas por aqui esse mês.


 

Crédito da foto do topo: Hash Milhan

Anúncios

8 comentários sobre “Volta às Aulas: Como eu estudei para o vestibular – Parte 2

  1. Acredita que no terceiro ano eu mal peguei nas minhas apostilas? O material que minha escola usa não era dos melhores. Quer dizer, pra algumas matérias era ótimo, e pra outras era ruim pra caramba. Eu sempre gostei muito mais de estudar com livros do que com apostilas. São maiores e menos objetivos, mas minha cabeça funciona melhor com eles. Eu tenho “cabeça de Humanas” então eu sempre aprendi melhor lendo muito do que olhando esquemas, organogramas, essas coisas.
    Sofria horrores pra estudar Biologia, porque tinha que escrever DEMAIS! Acho que é a matéria que tem mais conteúdo, né? E essa dica que você deu de prestar muita atenção nos prefixos e sufixos é preciosa, ajuda muito na hora do branco, e também porque tem nome demais pra decorar.
    História, como disse no outro comentário, eu estudei basicamente por meio das aulas, minhas anotações e só. Geografia eu só estudava mesmo Geografia Física, o resto eu ia confiando nas aulas, e deu muito certo.
    Português eu também não estudei NADA de gramática, acho que é perda de tempo. Cai muito pouco, e mesmo quando cai é coisa simples. Pra me sentir mais segura, porque era uma matéria específica pra UFMG, eu dei uma olhada em conjunções, conectivos e essas coisas. Vestibulares amam isso.
    E ah, todo o amor do mundo ao Guia do Estudante. Coisa linda. <3
    beijo

  2. Acompanho o seu blog há algum tempo mas nunca comentei. Há tempos tbm q essa vida acadêmica não faz mais parte da minha vida, rs… mas adoro a maneira como vc se expressa. Gostaria de parabenizá-la pela metodologia, organização e principalmente, força de vontade com que estudastes para o vestibular, parabéns! Hj vc colhe esses frutos. Espero que minha filha, qdo crescer, tbm seja assim, como vc, rs.
    Bjs

  3. Por que é que eu não tive a oportunidade de ler isso dois anos atrás? Apesar de não precisar mais disso, li o post inteiro pra ver onde eu errei. Digo errei porque meu ano de estudos pro vestibular foi desesperador, me tornou uma pessoa ansiosa e descompensada. Se tivesse seguido duas de todas essas dicas, já teria aliviado uma carga enorme e aquela pressão que vestibular faz na nossa cabeça. Parabéns Dani, por ter sido tão organizada, decidida e por ter passado na USP assim, claro! *-*

  4. nossa, vai ajudar muita gente, dani! nem que seja só pra deixar as pessoas mais tranquilas por saberem que o vestibular é um monstro, mas que não tem 7 cabeças!

    – mas ainda bem que eu já passei dessa fase!

  5. É assim mesmo, cada um se adapta melhor a uma coisa. Eu jamais consegui estudar com livros. Ganhei alguns muito bons, mas não consigo. Eu aprendo com frases curtas, esqueminhas, organogramas e muito rabisco, hehehee. Minha mente funciona de uma forma meio louca, aleatória e alucinada, em que nada faz muito sentido. Por isso que eu precisava me organizar, mas deixava os horários flexíveis. (:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s