Volta às Aulas: Como eu estudei para o vestibular – Parte 3

Chegamos ao fim da série de posts Como eu estudei para o vestibular. Hoje, vou fechar tudo contando como eu organizava meu tempo.

Minha semana

Organizar o tempo foi um dos maiores desafios. Quando você está na escola ou faz cursinho, baseia-se nos horários das aulas e tem uma rotina pré-definida. Quando você estuda sozinho, tem 24 horas por dia e 7 dias por semana à sua disposição para organizá-los como quiser.

Quando fui organizar meu “horário”, decidi o fazer da melhor maneira possível, a que mais combinasse comigo. Eu precisava estabelecer uma rotina para me disciplinar e me organizar, já que sempre fui um tanto preguiçosa. Mas, ao mesmo tempo, eu gostaria de ter um horário flexível, o qual eu pudesse moldar de acordo com as minhas necessidades. Não podia ser muito rigoroso. No final das contas, acho que encontrei uma boa forma de me organizar, já que ela funcionou durante o ano todo.

Dica: Cada pessoa funciona de um jeito. Alguns precisam ser mais rigorosos consigo mesmos, forçando-se a estudar em horários específicos, com uma rotina mais rígida. Outros preferem estudar mais livremente, com horários mais flexíveis. Antes de se organizar, você deve identificar o que é melhor para você.

Decidi, primeiramente, que não estudaria nos finais de semana, seriam meus dias de folga. Depois, que estudaria apenas três disciplinas por dia. Estudaria matemática, física, química e biologia três vezes por semana; literatura, duas vezes e história, uma vez. É uma questão de prioridades, exatas e biologia eram as minhas. Distribuí essas disciplinas ao longo da semana da seguinte maneira:

  • Segunda: matemática, química e literatura
  • Terça: física, biologia e história
  • Quarta: matemática, química e biologia
  • Quinta: física, química e literatura
  • Sexta: matemática, física e biologia

Em algumas semanas específicas, eu fazia revisões bimestrais, trimestrais e, ao fim do ano, uma grande revisão. Nessa semanas, me dedicava a uma disciplina por dia, com exceção da sexta-feira, quando revisava história pela manhã e literatura à tarde. Às vezes, tirava um dia para fazer alguma prova antiga ou algum simulado online. Como eu já disse, eu era flexível e adaptava meu tempo de acordo com as minhas necessidades.

Dica: Mesmo a mais rigorosa das rotinas deve ser levemente flexível. Às vezes, surgem imprevistos. E, perto das provas, a rotina muda inevitavelmente.

Meu dia e a técnica de pomodoro

Eu não tinha um horário específico para cada matéria. Eu só tinha algumas regras porque é preciso ter alguma disciplina. A primeira delas era nunca acordar depois das 9:00 e a segunda era nunca começar a estudar depois das 9:30. Acho importante acordar cedo para o dia render, mas gostava de ter uma certa liberdade em escolher meu horário para levantar. Quando estava mais animada, madrugava. Quando não, dormia um pouco mais. Também tinha a regra do horário para começar a estudar para me controlar e não ficar enrolando, caso eu acordasse cedo, mas com preguiça. Por algum tempo, fiz aulas práticas de direção pela manhã, então começava a estudar depois que chegava das aulas, por volta das 8:30. Nesse período, acabei criando essa rotina. Durante uma outra época do ano, consegui me disciplinar e acordar as 7:00 todos os dias, fazer 1 hora de esteira e depois de um belo banho, eu começava a estudar por volta das 9:00.

Todos os dias, antes de começar a estudar, eu verificava o “progresso” de cada uma das disciplinas  daquele dia e estabelecia uma meta de estudo: o que eu iria estudar naquele dia. Daí, elegia uma disciplina para começar. Isso dependia do meu humor. Estudava durante 45 minutos e descansava 15, em ciclos de 1 hora, seguindo a técnica de pomodoro, sobre a qual já falei por aqui. Fazia isso repetidamente até cumprir a meta daquela disciplina. Se estava animada, estudava um pouco mais. Daí, passava para outra. Às vezes, eu alternava entre as três, para não me cansar. Em geral, fazia de dois a quatro ciclos por disciplina, estudando entre seis e doze horas por dia, dependendo do meu ânimo. Entre uma disciplina e outra, costumava tomar um intervalo para descanso maior.

Além disso, eu tinha as aulas do curso de exatas. De segunda e terça, elas eram no comecinho da noite, entre as 18:00 e as 20:00. Então, eu tinha que me organizar para cumprir minha meta do dia antes das 17:00. Raramente estudava depois que chegava das aulas, somente quando eu realmente não tinha cumprido a meta do dia. De quarta-feira, porém, a aula de química do curso de exatas era no meio da tarde, as 15:00. Era bem incômodo para mim ter que interromper os estudos as 14:30 e voltar a estudar somente depois das 17:30. Isso também me deixava bem cansada. O alívio vinha das muitas vezes que o professor faltava, e eu tinha o dia todo para estudar. No primeiro semestre, as aulas do curso de português também eram à noite, então pouco afetavam meu horário de estudo. Eu raramente estudava à noite. Costumava usar esse horário para descansar, ler ou fazer redações. Além disso, nunca ia dormir depois da 00:00, senão ficaria muito cansada.

Intervalos e distrações

Como eu já disse, eu fazia intervalos de 15 minutos a cada 45 minutos estudando, de acordo com a técnica de pomodoro. Esses intervalos eram fundamentais para manter a produtividade. Usava-os para dar uma conferida na internet, ir até à cozinha beber água, fazer um lanchinho, tomar banhos frios de 5min (para acordar e desestressar, já que sou da escola de que “um banho resolve tudo“), responder as mensagens do celular, brincar com a minha cachorra e assistir desenho animado. Entre dois ou mais ciclos de 1 hora, eu tomava um intervalo maior, de 30 a 60 minutos. Usava esses intervalos para passear com a Íris, fazer esteira, ir ao supermercado, cochilar, ler e fazer também as coisas dos breaks menores. Esses intervalos são muito importantes, não dá para estudar o tempo todo. Além disso, eu procurava não estudar mais de 10 horas por dia, embora acontecesse muito de estudar 11, 12h. Eu também procurava não estudar muito à noite. Os finais de semana eram sagrados, só os usava para fazer redação quando não dava para fazer durante a semana. Às vezes, quando estava muito cansada, tirava uma tarde ou um dia inteiro de folga.

Dica: Não exceda seus limites. Intervalos são importantes para descansar. Descansados, rendemos mais.
Dica: Não precisa deixar de fazer as coisas que você gosta por causa do vestibular. Organizando o tempo, dá para aproveitá-lo melhor e fazer um pouco de tudo. Mas, uma ressalva: é preciso sacrificar o excesso. Você vai continuar assistindo aos filmes que gosta, mas não vai conseguir assistir a todos. Você vai poder sair com os amigos, mas não vai poder ser toda noite. Você vai poder beber, mas vai ter que fazê-lo raramente ou com moderação. Você vai poder ler seus livros, mas vai ter que intercalá-los com leituras obrigatórias. Você tem que estabelecer uma prioridade: o vestibular. O resto é importante, mas não é o principal. É preciso moderação.

Véspera de prova

Às vésperas das provas, eu parava de estudar completamente. Me dedicava a reler o edital, conferir todas as informações de local e horário, além da documentação exigida. Imprimia o comprovante que tivesse de imprimir, xerocava os documentos just in case, separava os documentos para a prova, tirava foto 3×4 se necessário, organizava meu material, comprava canetas extras e lanchinhos, etc. Eu sempre me preparava com antecedência. Lia coisas aleatórias, assistia tv e descansava muito. Não fazia mil revisões nem tentava aprender nada de última hora. Eu relaxava e preparava os detalhes práticos e isso tinha um efeito incrível: eu era sempre a mais calma na hora das provas. A semana anterior a uma prova era, como os finais de semana, sagrada. Não estudava de jeito nenhum.

Dica: Organize-se e seja precavido. Sempre leia o edital, sempre! Ele tem tudo o que você precisa saber. Confira os horários e locais de prova, vá com a maior antecedência possível, prepare os documentos e materiais necessários o quanto antes, confira tudo antes de sair de casa. Precaução nunca é demais, principalmente com esses detalhes bobos que podem te fazer perder um ano de estudo.

Pós prova

Isso dependia. As provas do meio do ano foram em semanas consecutivas, então o pós prova de uma era a véspera da outra. Mas, depois de todas as provas, tirei uma semana de folga, que foi tipo “férias”. Não fiquei o mês de julho parada, somente durante essa semana. Logo em seguida, voltei a estudar porque, mesmo passando, queria prestar os vestibulares no final do ano.

No final do ano, após as provas da primeira fase, eu ainda estudei. Como já era final do ano, só fazia revisões e exercícios aleatoriamente. Parei de estudar definitivamente depois da segunda fase na Unesp. Descansei bastante, fiz a segunda fase da USP dois dias depois do revellion, descansei duas semanas, fiz a segunda fase da UFTM e acabou. Adiós, vestibulares, até nunca mais.

Resultados

O objetivo era passar no vestibular e eu consegui. Mas os “efeitos colaterais” também foram interessantes. Em 2009, consegui focar em mim mesma, me conhecer melhor e decidir que curso queria fazer. Escolhi engenharia ambiental e hoje, indo para o terceiro ano, sei que fiz uma boa escolha. Também amadureci, aprendi a ser mais organizada, aprendi a lidar com meus problemas e conflitos internos, aprendi a me virar sozinha e descobri uma força de vontade em mim que eu nem sabia existir. Me preparei para morar sozinha, principalmente psicologicamente. As duas decisões da parte 1 foram as decisões mais importantes que tomei na vida até hoje, que levaram a outras decisões importantes como cursar engenharia ambiental, abrir mão das vagas conquistadas no meio do ano e prestar os vestibulares de verão. 2009 foi um ano muito importante para mim.

Quanto aos vestibulares, passei em quatro deles. No meio do ano, passei na Federal de Alfenas e na Federal de Lavras. Também fui para a segunda fase da UFU, mas não quis fazer a prova porque era longe e não era engenharia ambiental. No final do ano, consegui vaga na Federal de Alfenas de novo, pelo Enem. Novamente, não quis fazer a segunda fase da UFU porque estava muito cansada e confiante de que passava na UFTM (isso porque passei para a segunda fase em 2º lugar). Enfim, passei na UFTM (Uberaba) e, para a minha surpresa, na USP.


Hoje, não dei muitas dicas porque acho que organizar o tempo é meio pessoal, cada um se adapta melhor a um tipo de rotina, a um horário de estudo. Não existe certo ou errado.

Com isso, fecho essa série de posts. Volto na segunda-feira com um post que estou ansiosa para publicar. E, em breve, continuando postando mais coisas sobre a volta às aulas.


Crédito da foto do topo: Beamer 26

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18 comentários sobre “Volta às Aulas: Como eu estudei para o vestibular – Parte 3

  1. haha nossa, achei ótimas essas dicas, mas na verdade, eu nunca consegui seguir muito esses cronogramas.
    Eu até fazia, mas nunca fui muito de estudar, pelo menos não até chegar na faculdade.
    A verdade é que pra passar no vestibular eu precisei de persistência, pq estudo mesmo não rolou =/

    No fim deu tudo certo e eu entrei em 4 das 5 que prestei (depois de mto cursinho, claro, né? haha).. ufa :)

    beijocass

  2. Oi, Dani! (intimidade total a minha, né? :P)
    Adorei esses 3 posts que fez, repassei para um monte de amigos que estão nessa época sofrida de vestibular. Também queria te agradecer, em 2010 eu fui uma dessas pessoas que te perguntou como estudou, e, bom, não passei exatamente onde queria, mas no final das contas fui pro lugar certo depois de coisas que aconteceram na minha vida pessoal, passei em uma ótima universidade federal e estou indo pro 2º semestre. O guia que me deu não foi assim tão exlicadinho, mas me ajudou muito. :D
    Enfim, adorei e sou uma dessas leitoras anônimas que fica com vergonha de comentar. \o/

    Beijos. ;)

  3. Oi flor, acabei de ler os três posts e adorei. Eu passei numa escola técnica (no curso de química). Eu sou uma boa aluna (me chamavam de nerd na sala mas eu não me considerava uma). Tudo o que eu sempre fiz questão é: fazer tudo o que é pedido assim que é pedido. Ano passado eu ia pra escola de manhã e a tarde fazia aulas de balé clássico e de violoncello. Imprimi simulados e tentei respondê-los sozinha. Passei na 15ª colocação, eu estudaria mais sabe? Mas acredito que foi do jeito que foi. KKK. Acho que o fato de ter estudado em escolas particulares durante a vida quase toda me ajudou muito. Lendo esses post eu lembrei muito do ano passado e de imaginar um pouco sobre esse ano.
    ps – eu, absolutamente, amo o seu blog! :)

  4. Nossa, quanta dedicação! Acabei de passar por uma mini-maratona de vestibulares, infelizmente não passei em nenhum. Chega a dar um desânimo na gente pq tu gasta dinheiro com cursinho, estuda até de madrugada pra nada. E o que me deixa mais triste ainda é estar 2 anos parada ¬¬
    Esse ano estou tentando uma bolsa em dois cursinhos de Santa Maria, uma cidade aqui perto e se eu não conseguir, to fudida UHAHUA Se isso acontecer – o que eu sinceramente espero que não – volto no blog e leio os três posts de novo e tento por mim mesma! Mas espero que isso não aconteça também. Apesar dos posts serem ótimos, eu não quero ter que passar por vestibular de novo haha
    Beijos

  5. Ficou! Mas azul é lindo rs! hehe No meu caso eu pintei a bixete de azul onde tinha pele pra pintar. E com um rolinho de pintar parede! Ainda fizemos os detalhes do Avatar no rosto, ficou tão fofo (ou não?)! Só eu que não fui pintada assim? :( Me sinto órfã de trote!

  6. Tive! Mas foi uma coisa bem leve no quesito sujeira, porque eu não fui na semana de integração e depois quando foram dar o segundo trote, uma colega minha resolveu levar a mãe junto, vê se pode? Aí a galera ficou mais contida e tal. Não que eu ia amar levar ovo na cabeça, mas na UFRRJ nem tem isso. Só que eu queria ter sido pintada, queria fazer elefantinho, ser chamada de bixo e etc, ficar horas tirando tinta do cabelo rs Acho que é uma coisa que marca aquele momento de passar no vestibular! Se bobear esse ano peço pra me darem trote com os bixos! :(

  7. Oi Dani. Vou te importunar um pouquinho com a minha história pra você entender pq resolvi comentar agora (leio seu blog desde 2010). Eu tenho 18 anos, faço 19 em julho. Quero cursar nutrição na USP. Sai da escola e prestei fuvest sem ter estudado. Fui pra segunda fase mas fiquei mal classificada, o que ja era esperado por mim. Em 2011 fiz cursinho o ano inteiro. Comecei bem o ano, tinha o maior gás. Eu tinha quase certeza que um ano de cursinho seria suficiente pra passar. E foi, passei. Mas não onde eu queria. Fui aprovada na UNESP esse ano. Fiquei muito bem classificada, aliás. Só que… sempre sonhei em estudar na USP(não passei por 7 pessoas). Resolvi deixar a vaga na UNESP e voltar pro cursinho. Nas primeiras semanas eu ía pra lá e não via a hora de voltar logo pra casa. Pensei que era coisa de “repetente” de cursinho. Passou um mes de aula e eu não suportava mais aquele lugar. Os professores são bons, legais, os funcionários tbm. Mas mesmo assim eu chego e já quero ir embora. Meus estudos só sinto que são suficientes pra eu aprender depois que eu leio e faço muitos exercícios. Então assistir aula estava um verdadeiro 'pé no saco'. Essa semana eu surtei. Toda a frustração de não ter passado onde eu queria num curso relativamente 'fácil' de entrar, mais minha insatisfação comigo mesma e com o cursinho resultaram na decisão de abandoná-lo. Tenho um irmão que já faz USP (economia) eu sei que não deveria mas é inevitavel fazer comparações. Ele sempre foi ótimo aluno na escola e passou na USP ano passado. Fez 2 anos de cursinho tbm. Eu sabendo disso começo a me sentir uma desistente e fracassada. Não que eu não goste e não queira estudar, pq eu gosto e quero. Tenho uma vontade insana de estudar na USP. Só que os meus métodos de estudos não estavam sendo eficientes. Vou estudar sozinha daqui pra frente. Quando li o post em que vc contou que estudou sozinha, fiquei me perguntando 'Como ela conseguiu??'. Agora vou fazer o mesmo. Já li várias vezes esse post e me ajudou muitíssimo como ponto de partida. Queria alias te agradecer por compartilhar sua experiencia. Não quero te deixar esse comentário anonimo então, caso tenha curiosidade, meu face é /DaaniiBarreto (sou sua chará). Espero voltar aqui em Fevereiro de 2013 com boas notícias.
    Desculpa pelo texto/desabafo.
    Parabéns pelo seu blog, sempre que posso venho ve-lo.
    beijos

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