O que penso sobre: Fim das Sacolinhas Plásticas em SP

Em resumo, eu estou uma chata de tão satisfeita. Chata porque, enquanto todo mundo só sabe reclamar, eu insisto em apontar o lado bom dessa história toda.

Para quem não é paulista, eu explico. Foi assinado um acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do estado para que as sacolas plásticas deixem de ser distribuídas gratuitamente. Não é uma proibição. De qualquer forma, elas vêm sumindo de vista. Em boa parte dos supermercados, as sacolinhas de plástico derivado de petróleo foram substituídas por sacolinhas oxi-biodegráveis que devem ser pagas pelo consumidor.

Eu aplaudo a iniciativa. Acho que o redução das sacolinhas plásticas é uma vitória para o meio ambiente. Estamos cansados de saber o impacto que essas sacolinhas têm. E vocês podem até me dizer que a sacolinha que vocês pegam no supermercado é reutilizada para colocar seu lixo doméstico e vai para um aterro. Bem, mesmo que você faça isso com absolutamente todas as sacolinhas que chegam à sua mão (e eu duvido), não é todo o lixo que vai para aterros adequados. Aliás, esse é um dos grandes problemas. A sua sacolinha plástica, junto com o seu lixo doméstico, geralmente é disposta de forma errada. Me diz aí se na sua cidade tem aterro sanitário. Além disso, não é toda sacola que é reutilizada. As sacolinhas plásticas são muito leves, são facilmente carregadas pelo vento e pela água. Uma sacolinha descartada sem cuidados pode se deslocar muitos quilômetros e poluir os rios, por exemplo. E, como vocês estão cansados de saber, rios desaguam no mar. Já ouviram falar da mancha de plástico no oceano Pacífico? É provável que haja alguma coisa que você descartou lá. Inclusive aquela sacolinha de supermercado que foi parar no lixo, na rua, no parque… Além disso, essas sacolinhas são muito frágeis, rompem-se com facilidade. Uma vez rasgada, vai ser descartada com certeza. Lembro-me das grandes compras do mês que fazíamos aqui em casa antigamente. Das muitas sacolinhas que vinham do supermercado, quase metade eram descartadas porque rasgavam no caminho ou quando íamos guardar as compras.

As sacolinhas oxi-biodegradáveis também causam impacto ambiental. Concordo veementemente. As ecobags também causam impacto. Mas, meu bem, sua existência causa impacto. O que você vai fazer? Se matar? Pois bem, seu cadáver também causa impacto. O que fazer? Tentar minimizar esse impacto.Diminuir a quantidade e o volume de resíduos é primordial. E o plástico é um dos piores resíduos, convenhamos. Não vou ficar me alongando aqui, há um texto muito bom a esse respeito nesse endereço, para quem estiver interessado.

Bem, já deixei claro que acho interessante diminuir o uso de sacolas plásticas. Um dos argumentos mais usados pelas pessoas é que outros tipos de materiais descartáveis continuarão sendo produzidos, distribuídos e descartados. Eu concordo. Novamente: concordo veementemente. Além das sacolinhas plásticas, os supermercados distribuem “gratuitamente”, por exemplo, saquinhos plásticos para os legumes, frutas e verduras. Além de todas as outras embalagens onde vêm acondicionados os alimentos e outros produtos. E não devemos esquecer dos outros tipos de comércio, que também distribuem sacolas e embalagens. É preciso pensar em tudo isso, mas também é preciso começar por algum lugar. Não podemos banir o plástico do mundo, assim, de repente. Esse tipo de coisa deve ser feita gradualmente. Hoje, trabalhamos a questão das sacolas plásticas. Amanhã, nos focamos nos saquinhos do hortifruti. Uma coisa de cada vez.

Também estou satisfeita que esse acordo tenha trazido o tema à tona. Muita gente nunca parou para pensar no impacto que aquela “inocente” sacolinha plástica tinha. Hoje, as pessoas se preocupam um pouco mais, pelo menos têm a noção de que aquela sacolinha tem um impacto negativo e que seu uso deve ser controlado. Acho importante instigar a discussão.

Como eu já disse, a educação ambiental por si só não resolve um grande problema. Ela ajuda muito, mas não resolve. Por mais que se falasse sobre as sacolinhas antes e se sugerisse o uso de ecobags, pouca gente colaborava. Era raro ver alguém com ecobag por aí. Aqui em São Joaquim da Barra, então, acho que só eu usava! (Pior que é sério.) Quando você vê um movimento do governo e dos grandes supermercados, a coisa muda de figura. É preciso educar as pessoas para que elas saibam o porquê do fim das sacolinhas, sem dúvidas. Mas é importante incentivar de forma mais enérgica também. Cobrar pelas sacolinhas é uma boa ideia, na minha opinião. Infelizmente, muita gente só muda quando tem o bolso afetado. Porém, deve-se salientar que o supermercado deve fornecer uma alternativa gratuita, segundo o Procon. Não para sempre, claro, só enquanto as pessoas estiverem se adaptando. Uma boa alternativa, para compras grandes principalmente, são as caixas de papelão. Supermercados têm centenas delas, podem distribuí-las gratuitamente. Além do mais, é interessante reutilizá-las e o consumidor mais consciente pode levá-las ao supermercado nas próximas compras.

Acho que o “fim” das sacolinhas plásticas é benéfico. Só temos a ganhar. As pessoas provavelmente levarão um tempo para se adaptar, bem como os supermercados, mas é o preço que se paga por uma mudança. Sempre há uma fase de transição. Uma vez acostumados, acharemos ridículo essa coisa de sacolinha plástica e estaremos mais dispostos a se livrar de outras embalagens. Sou otimista, vejo mudanças positivas. Como diz meu pai, não são só as sacolinhas. As pessoas estão voltando a consumir refrigerante em embalagens retornáveis, por exemplo. Discute-se mais os problemas e impactos ambientais. Uma coisa puxa a outra. Acredito que, gradativamente, conseguiremos viver em um mundo mais ecologicamente correto. Mas, para isso, temos que parar de encarar tudo com tanta falta de vontade.

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12 comentários sobre “O que penso sobre: Fim das Sacolinhas Plásticas em SP

  1. Dia desses vi uma matéria sobre o assunto no Jornal Hoje. Tudo a muito bem até que uma senhora disse: – Ah, eu não gostei muito né, mas fazer o quê? Juro que queria que a repórter tivesse perguntado o motivo. Queria saber qual era o egoísmo que faria aquela senhorinha falar aquilo!
    Nessa eu partilho da mesma opinião que você, Dani! Quando se trata de preservação do meio em que vivemos eu sou bem caxias mesmo. Guardo tudo na bolsa: papel de bala, garrafa plástica etc e coloco no lixo quando encontro um, ou até mesmo em casa. Minha mãe começou a me ensinar isso desde pequena, a importância de cuidar daquilo que faz parte de nós. E muitas vezes eu vejo que é isso que falta, sabe? Essa educação desde criancinha, essa conscientização. Lá em casa nós usávamos sacolas plásticas, até meu pai comprar três ecobags gigantes que já duram quatro anos! Eu fico até com medo de fazer as contas de quantas sacolinhas plásticas teríamos usado nesse período.
    As pessoas costumam dizer que ninguém faz a diferença sozinho, por isso não mudam. Mas, se todos pensarem assim, aí mesmo é que não veremos mudança nenhuma! Aqui no Rio eu e Rodrigo vamos ao mercado de mochila e colocamos tudo lá dentro. Confesso que às vezes pegamos uma ou duas sacolas, mas pra guardar a roupa suja e trazer pra Volta Redonda nos finais de semana. Mesmo sendo pouca coisa, eu ainda me sinto culpada, porém ciente de que a minha parte pelo menos está sendo feita!
    E depois de ver que o Timberlake usa ecobags, me sinto mais descolada e menos careta carregando a minha! rs Bom domingo, Dani! E parabéns pelo post, como sempre! :D

  2. Palmas! Amei o seu post, concordo com tudo, e se for pra ser chata, espero ser chata logo no meu estado também, apoiando uma iniciativa como essas!

  3. realmente, isso tudo é indiscutível. mas é um transtorno, convenhamos.
    acho que a longo prazo essa é uma boa medida.

    bom, não vou opinar muito porque eu ia postar sobre esse assunto, hahaa, então vou deixar minhas opiniões divergentes como suspense, he (:

  4. Oie!

    Bem interessante esse seu post. Mesmo não sendo de SP, tenho acompanhado as dicussões e quer saber? Apoio mesmo. Muitos dos argumentos usados por quem são contra são facilmente derrubáveis, existem várias alternativas à sacola plástica. Espero sinceramente que projetos como esses se estendam por todo o Brasil!

    Ah, obrigada pelas dicas de livro.
    Bjus =*

  5. Adoro quando você fala sobre assuntos “polêmicos”, geralmente concordo com você, ou suas opiniões complementam as minhas…
    Acho fundamental “doer no bolso” pra chamar atenção das pessoas às outras alternativas, e assim, diminuir o número das sacolas. E também tenho uma visão otimista que, depois de uma fase de transição, vamos achar a maior besteira o assunto ter sido tão discutido e visto com tanta resistência por parte de algumas pessoas.

    Desde pequena recuso sacolinhas quando as compras cabem na bolsa, e levo minhas 'ecobags' toda satisfeita pro supermercado. E acho muito engraçado que sempre vejo crianças dando bom exemplo por aqui, procurando lixo na rua, falando pra mãe colocar as coisas na bolsa, etc. Talvez a educação ambiental esteja entrando nas escola de verdade. Quem sabe as coisas já estão mudando, né?

  6. Eu sou fã de ecobag! ;)

    Sabe o que me irrita? Profundamente? Gente que usou ecobag a vida inteira, enquanto era “esquisito”, incomum… Agora, fica fazendo média de culto, falando que isso não muda nada, que blá blá blá. Esses argumentos que eu citei no post, com os quais concordo, mas não acho que seja motivo para não banir as sacolinhas.

    Eu também pego sacolinhas plásticas. Eventualmente, quando esqueço a ecobag e compro mais do que consigo carregar na bolsa/mochila. Uso-as para pôr o lixo para fora, raramente descarto alguma, só se rasgar mesmo. Não precisa ser radical, é só ter consciência. :)

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