Livros: 126 contos em 49 dias

Hoje, vim falar com vocês sobre os últimos dois livros que li. Ambos são livros de contos, ambos são brasileiros. Mas eles são bem diferentes um do outro. O primeiro, com sua capa amarela e azul, tem mais de seiscentas páginas e ostenta nomes tais como Machado de Assis, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Lygia Fagundes Telles, Lima Barreto, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Erico Verissimo, Luis Fernando Verissimo, entre tantos outros. Um livro tão grande e com tais nomes na capa já intimida. O título é ainda mais grandioso: “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século“. O segundo é mais modesto. Ao invés de nomes de grandes escritores brasileiros, traz ilustrações dos personagens gordos que figuram pelas cento e cinquenta e poucas páginas. Esse tem o curioso nome “Hoje acordei gorda” e é da escritora paulistana Stella Florence.

Como vocês sabem, não gosto de escrever resenhas de livros. Aliás, nunca o fiz fora da escola. Aqui no blog, gosto de lhes contar como os livros chegaram até mim e quais foram minhas impressões, só isso.

Pois bem, “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século” me chegou através do meu pai. Ele gosta muito das novelas do Manoel Carlos e está acompanhando, atualmente, a novela Felicidade, reprisada pelo Canal Viva. Acontece que essa novela foi inspirada livremente nos contos de Aníbal Machado, cujos livros, por serem muito antigos, são dificílimos de encontrar. Meu pai ficou sabendo dessa seleção de contos, que o inclui, e acabou comprando-o para ler nas férias.

Como vocês sabem, eu adoro contos. Acho incrível como alguns autores conseguem colocar tanto em tão poucas palavras. Mas mesmo os contos mais despretenciosos, que tem como única intenção a de contar uma história me agradam. Esse livro consiste em uma coletânea bastante completa e variada, que traz esses dois tipos de leitura. Apesar disso, você sente uma certa conexão entre todos eles, percebendo com certa clareza o gosto pessoal do Ítalo Moriconi, quem selecionou os textos. Aliás, é importante dizer: a seleção não foi feita a partir de nenhum critério acadêmico e foi guiada pelo gosto pessoal do crítico. Não se tratam dos melhores contos brasileiros do século passado porque acho que ninguém teria capacidade de fazer esse julgamento. O livro reflete muito o gosto pessoal do professor, que já disse criar muitos desafetos por conta das suas antologias. Hoje mesmo li vários comentários de leitores como eu criticando duramente a seleção, lamentando a ausência de determinados contos e autores e criticando a inclusão de outros.

Eu não gostei de todos os contos, é claro. Mas isso não faz do livro uma antologia ruim de forma alguma. Descobri muitos autores maravilhosos, dos quais nunca havia lido nada; descobri contos que nunca havia lido de autores que amo; e acredito que absorvi e aprendi algo na leitura da maioria deles, mesmo de textos dos quais eu particularmente não gostei. Curiosamente, gostei mais dos contos mais antigos, do início do século. Digo curiosamente porque o Ítalo disse que não quis incluir muitos contos dessa época por achá-los mais chatos e querer direcionar a seleção a jovens universitários.

Como eu disse no Skoob, é uma leitura muito intensa, talvez por se tratarem de contos. Geralmente, contos exigem maior atenção ao ler, por haver muita coisa nas entrelinhas. Como eu disse, o autor coloca muito em poucas palavras e exige mais atenção e interpretação do leitor. Por isso, em geral, seiscentas páginas de contos são muito mais trabalhosas de se ler do que seiscentas páginas de um romance.

Por essa razão, demorei tanto para terminá-lo. Foram quase cinquenta dias de leitura. Claro que, dentre esses dias, houve natal e véspera de natal, réveillon e essas coisas todas. Houve uma certa preguiça também, que me impediu de ler em alguns dias. Se eu tivesse me dedicado mais à leitura, poderia ter levado menos tempo. Mas, hoje, tendo terminado o livro, confirmo o que pensei logo que o vi pela primeira vez: uma das melhores maneiras de lê-lo é ler um conto por dia, ao longo de cem dias. Claro que é um tanto incômodo demorar tanto para ler um livro, mas assim seria possível ler outros livros simultaneamente. Aliás, por conta dessa demora incômoda, decidi ler “Hoje Acordei Gorda”, que é leve e divertido, para dar uma atenuada na leitura “soco no estômago” (adorei essa expressão e usarei para sempre) que é o livro dos 100 contos.

Já tem alguns anos que li alguma blogueira comentando que leu “32” e adorou. Eu gostei bastante da sinopse e o adicionei à lista “vou ler” do Skoob, que ficou esquecida durante algum tempo. No ano passado, fui comprar um presente para o Lu na Saraiva e acabei achando “32” meio por acaso. Me lembrei que já o tinha querido ler e decidi comprar, já que era um livro tão baratinho. Quando o li, confesso que me decepcionei um pouco mas não desisti da autora. Imaginei, logo de cara, que ela deveria escrever bons contos e escolhi “Hoje Acordei Gorda” para testar minha hipótese

Eu adorei o livro! Me surpreendi muito positivamente com o prefácio, que foi escrito por ninguém menos que o Mario Prata, e que é uma gracinha de texto, em que ele se faz passar pelo autor do livro e imagina todas as personagens gordas (e a ex-gorda) dele reunidas num spa. Os contos, em geral, são muito divertidos e têm o bônus da identificação: é impossível não se identificar com uma ou outra personagem, ou identificar gente conhecida. É uma leitura muito gostosa. Como eu já disse aqui no blog, livros não são só cultura, são entretenimento e diversão também. E como eu já disse nesse mesmo post, também adoro contos que se propõem a contar uma história e só. Ah, provavelmente esse é o primeiro chick-lit da minha vida, embora eu ache que seria um ótima leitura para homens também.

Bem, eu recomendaria a leitura do “Hoje Acordei Gorda” com mais facilidade do que do “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”. O primeiro é simples, leve, divertido, engraçado e envolve a gente de uma maneira muito gostosa. Já o segundo é mais complexo, pesado, intenso e envolve a gente de várias maneiras diferentes. Nem sempre é uma leitura agradável, embora tenha, sim, contos divertidos e mais leves. Eu indicaria o segundo somente para quem gosta muito de contos e de literatura brasileira.

Enfim, acho que é isso, pessoal. Espero que vocês gostem desse tipo de post. Volto amanhã com o resumão!

Do meu Instagram.
Anúncios

Um comentário sobre “Livros: 126 contos em 49 dias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s