Resumão: Julho 2013

Considerando que julho é um mês de férias, postei menos do que gostaria. Não foi por falta de ideias, já que estou com uma lista cheia delas esperando para serem desenvolvidas e publicadas por aqui. Acho que foi um pouco de preguiça, misturada à necessidade de aproveitar as férias em todos os aspectos que me fossem possíveis. Quis descansar, assistir a filmes e seriados, ler livros e revistas, organizar meu computador e meu quarto, sair com as minhas amigas e o namorado, matar a saudade das gordices joaquinenses, passar mais tempo com os meus pais, brincar e passear com minha cachorra, fazer compras, entre outras coisas complicadas de se fazer em época de aula. Consegui fazer quase tudo o que gostaria e o saldo foi positivo, talvez com exceção da produtividade do blog. Mas ainda tenho outra desculpa na manga: a má alimentação do final de semestre e das férias, acredito eu, foi responsável por uma queda de imunidade que me causou dois resfriados chatinhos e muitas aftas ao longo do mês. A pior delas chegou a me dar febre e me fazer usar um tubinho inteiro de Gingilone e meio de Xilocaína. Julho também foi um mês de cólicas fortes e TPM das bravas, ambas pioradas pelo frio intenso e inesperado do final do mês.

De qualquer forma, os posts do mês tiveram boa repercussão e acredito que vocês tenham gostado. Comecei falando de um fenômeno que tem ocorrido na blogosfera e que me incomoda muitíssimo: a fitnessação. No texto, explico o que é esse meu neologismo e porque é algo que me irrita tanto. O segundo post do mês foi sobre salões de beleza. Eu o queria escrever há muitos anos, mas sempre ficava com receio de parecer muito cri cri, sem contar que achava que era só eu quem via o simples ritual de cortar os cabelos como uma tortura. Por fim, após ter revisitado alguns dos meus antigos blogs, postei algumas reflexões que fiz durante essa excursão ao passado. É um texto bastante pessoal, em que falo não só um pouco da minha jornada de dez anos como blogueira, mas também da minha adolescência e de seus anos mais difíceis. Acredito que algumas pessoas passaram a me compreender melhor depois de lê-lo.

Ademais, continuo firme e forte na Revista 21. Em julho, escrevi cinco matérias: cinco passos para organizar o guarda-roupa, 10 coisas que podemos aprender com o GTD, como organizar a mesa de cabeceira, como organizar o material da faculdade e minimalismo para uma vida mais organizada. Quero aproveitar três desses temas para fazer posts mais pessoais e específicos aqui no blog, contando como eu faço, as minhas experiências, etc. Vocês arriscam dizer quais são?

Aguardem cenas dos próximos capítulos.

Reflexões sobre posts e blogs antigos

Dia desses, usei o site Wayback Machine para revisitar alguns dos meus blogs antigos. É uma experiência interessante. Não é como ver fotos ou vídeos do passado, é mais como ler um diário (sem detalhes, sem segredos e com todo um filtro, claro). Você não se depara somente com sua aparência e memórias, você também fica cara a cara com suas opiniões, sua visão das coisas e a imagem que passava para as pessoas.

Me diverti e me surpreendi com posts do início do Sem Formol (que ficava em outro endereço) e do antigo Capricious. Me envergonhei de ter escrito determinadas coisas. Me orgulhei de ter escrito outras. Percebi como minha escrita melhorou e como minhas ideias amadureceram. (Acho que os blogs tiveram um papel importante nisso, principalmente na questão da escrita.) Pude revisitar memórias das quais eu já não me lembrava e rever o mundo com aqueles olhos um pouco mais jovens e um tanto mais sonhadores.

O Capricious e o Sem Formol “cobriram” a minha vida dos 15 anos até hoje. Infelizmente, não tenho acesso a todos esses arquivos, mas fiquei satisfeita com o pouco que pude ler, principalmente porque foi depois de um certo choque: reencontrei o meu blog dos treze e quatorze anos.

Eu já blogava há cerca de um ano quando fiz aquele blog. Não me incomodei com a aparência tosca da página de alguém que estava aprendendo um pouco de HTML sozinha e ainda não tinha Photoshop instalado no computador. Não me incomodei com os erros de português e a falta de coesão dos textos. Me incomodei com o conteúdo dos posts, ou com a falta dele. Me incomodei em ver como aquele blog refletiu o pior ano da minha adolescência. Me incomodei ao ver que aqueles textos não refletiam quem eu era, mas o enorme esforço que eu vinha fazendo para ser outra pessoa. Em 2004, eu tentei ser tudo, menos eu mesma.

Os meus treze anos (e parte dos quatorze) foram minha “idade média” pessoal. Me afastei de gente que eu gostava muito e que me fazia muito bem. Me afastei de um grupo de amigas com as quais eu me identificava e onde eu me sentia bem e acolhida. Fiz duas amizades que não são pessoas propriamente ruins, mas que nada tinham a ver comigo. Como toda adolescente, eu precisava me encaixar e me identificar. Nesse processo, eu insistia em ser igual a essas meninas, sem perceber que ser eu mesma era muito mais interessante.

Mas não foi só isso. Nessa época, minha mãe voltou a frequentar a igreja evangélica, bem como grande parte da minha família se converteu. Nesse processo, me incluíram. Eu era muito jovem, tímida e frágil para não ser influenciada. Eu me sentia obrigada a ir aos cultos e reuniões, por mais que me sentisse mal neles. Nunca consegui concordar com as coisas que me eram ditas ali. De certa forma, eu sempre fui feminista e não conheço nenhuma religião que não seja machista. Me impediam de pensar e questionar, queimaram meus livros do Harry Potter, jogaram fora meus brincos, policiaram minhas roupas e as músicas que eu ouvia. Eu achava que aquilo era o certo, por mais que me incomodasse. Eu me esforçava muito para me encaixar naquela situação, mas é claro que isso nunca acontecia. Eu me sentia frustrada e cansada e chorava quase toda noite. Isso só fazia com que todos me pressionassem mais, dizendo que esses meus “problemas” só seriam solucionados se eu fosse a todos os cultos, orasse muito e frequentasse todas as inúmeras reuniões da igreja.

Meus problemas passaram quando eu fui forte e parei de me deixar influenciar, quando eu admiti para mim mesma que aquilo não era para mim. Eu não sou uma pessoa religiosa. Eu nem mesmo acredito em Deus. Admitir e perceber isso fez uma diferença monumental na minha vida. Parei de frequentar a igreja e pude recuperar a Daniela que tinham me tirado. Pude voltar, aos poucos, a ser eu mesma e me sentir bem com isso. Foi libertador.

Acreditar não é uma coisa que possa se decidir, como se fosse uma questão política. Não é pelo menos uma coisa que eu consiga decidir por vontade própria. Posso decidir ir à igreja e posso decidir recitar a novena, e posso decidir jurar sobre uma pilha de Bíblias que acredito em cada palavra escrita nelas. Mas nada disso pode realmente me fazer acreditar se eu não acreditar.
– Richard Dawkins

Um parênteses: não estou aqui criticando todas as igrejas evangélicas, nem generalizando o comportamento de seus fiéis, estou apenas contando o que aconteceu comigo, minha experiência.

Percebi, com certo desgosto, que aquele blog refletia esse meu desespero em ser alguém que não sou. Acho que é normal sofrermos esse tipo de coisa na adolescência, na ânsia de nos encontrarmos, de nos descobrirmos. Com o passar dos anos, felizmente, eu finalmente me descobri e me entendi. O Capricious e o Sem Formol me mostraram isso. Por mais que eu tenha cometido muitos erros, eu fui autêntica grande parte das vezes. E eu também mudei. Para melhor, acredito. Eu sempre assinalava isso nos meus posts antigos, falava de como eu vinha mudando e amadurecendo. Fico feliz de ter sido realmente verdade. Acredito que a Daniela que escrevia aqueles posts ficaria orgulhosa da Daniela que escreve este.

Eu não realizei todos os meus sonhos mirabolantes daquela época. Não fiz nenhum dos cursos que pretendia fazer. Não me tornei jornalista. Apesar disso, hoje estou muito mais certa do meu futuro do que eu imaginava. Passei no vestibular, o que era meu objetivo principal, mas não o fiz como esperava. Minha experiência foi muito mais interessante do que eu poderia prever.

Ao contrário do que eu esperava, Lari e Tety continuam na minha vida, tão presentes quanto possível. A Íris também, agora mais velha, mais quieta e mais companheira do que nunca. (Para quem não sabe, Íris é uma cocker.) Meus desastrosos relacionamentos amorosos do passado foram substituídos por um namorado que eu nunca esperei ter. Novamente, minha realidade superou minhas expectativas.

Muita coisa mudou nos últimos anos. Sempre me impressiono com meu amadurecimento quando comparo os posts atuais aos antigos. Fico feliz em ter me tornado quem eu sou e espero que eu possa dizer o mesmo quando, daqui há alguns anos, eu reler os posts de hoje.

Sobre salões de beleza

O “drama” começa para marcar horário. Primeiro: eu odeio telefone. Segundo: salões têm muita demanda nos finais de semana, que é justamente quando posso me dar ao luxo de “perder algumas horas”. Me livro do primeiro problema convencendo minha mãe de fazer a ligação por mim – é infantil, mas funciona. Quanto ao segundo, é mais complicado. O jeito é procurar finais de semana que pareçam mais tranquilos, algo difícil de fazer.

Horário marcado (com certa dificuldade), chega o sábado fatídico. Eu, particularmente, não gosto do ambiente. Não estou falando dos salões em si, muitas vezes pequenos, barulhentos, abafados e com uma nuvem dos mais variados cheiros sobre as nossas cabeças. Falo das pessoas. Em geral, querem te vender uma porção de produtos para beleza, todos muito caros – muitas vezes, com uma margem de lucro altíssima (e desnecessária). A insistência é tamanha que só te faz constranger, senão comprar algo que não se precisa. Felizmente, eu só fico no constrangimento. Bochechas vermelhas são melhores do que ficar no vermelho.

Além disso, alguns salões oferecem vários tratamentos não somente para os cabelos, como também estéticos de todos os tipos. Todo mundo quer vender seu peixe, eu compreendo. Mas a tática cruel dos salões é abalar sua autoestima. “Noooooooossa, como seu cabelo está ressecado, sem brilho, sem vida, volumoso, com frizz, um horror. Olha, nós temos um tratamento x maravilhoso.” Geralmente, o tratamento não tem nada de maravilhoso e vai lhe custar muitas horas e muitos dinheiros. Críticas ofensivas à minha pele também são frequentes. Peelings e limpeza de pele são oferecidos aos montes. Também já ouvi muito discurso sobre como depilação com cera vai resolver todos os meus problemas e sobre o quão nojento e repugnante é o fato de eu roer unhas. Pois é, manicures não fazem a vida com roedoras de unha, a não ser aquelas que aplicam unhas postiças e sempre veem em mim uma cliente em potencial.

O fato dos finais de semana terem alta demanda causam ainda outras chateações: salão lotado e atrasos. Eu sou chata, não gosto de nada lotado. Muita mulher é ainda pior. Não sei se é só aqui, mas as rodinhas femininas são os lugares mais propícios a surgirem comentários machistas. Os atrasos são ainda piores. Porque, além de ser um saco ficar esperando (e perdendo tempo cada vez mais precioso), você tem que ficar ouvindo os comentários machistas por mais tempo! A solução é se concentrar em qualquer outra coisa e se distrair. Para isso, servem os smartphones e livros, porque a maioria das revistas de salão não me interessam. Não ligo para fofoca e celebridades e as revistas femininas deixam muito a desejar: faltam conteúdo e criatividade e sobram machismo, photoshop e anúncios.

Depois de muita espera e encheção de saco, finalmente começa a tortura capilar. Eu não gosto que mexam no meu cabelo, mas algumas moças são tão cuidadosas e atenciosas que é até gostoso lavar o cabelo no salão. Em outros casos, porém, é uma droga: água muito quente ou muito fria é terrível e algumas pessoas esfregam nossa cabeça como se lavassem panela suja. Depois, tem o corte. Explicar para a cabeleireira o que eu quero é bastante chato, mas é coisa minha, já que não entendo os termos e tudo o mais. O problema é quando a gente explica direitinho e a cabeleireira faz diferente. Eu sei que elas são profissionais e entendem do assunto, mas que nos orientem, expliquem, e não saiam picotando o cabelo alheio como quiserem. Quem nunca pediu para que fossem cortados “dois dedinhos” e saiu do salão com um palmo de cabelo faltando?

Cabelo cacheado tem mais um agravante: é difícil prever como vai ficar depois de seco. Por isso mesmo, muitos especialistas em cachos, cortam o cabelo seco e só depois lavam, para acertar os detalhes. Mas é claro que não tem nenhum especialista aqui em São Joaquim. Passei por vários cabeleireiros e poucos acertaram no corte. Ultimamente, tenho ido sempre no mesmo salão, por certo comodismo, e porque a cabeleireira mandou muito bem nos últimos cortes. Ainda assim, rola sempre uma tensão. Sempre que vou cortar o cabelo, faço escova porque a cabeleireira oferece de graça e é bom poder ficar uns dias sem ter que lavar o cabelo (preguiça, oi). Assim, só vou ver o resultado para valer alguns dias depois.

Por fim, tem a questão do preço. Aqui em São Joaquim, um simples corte de cabelo custa entre $40 e $70. Não acho justo, que me perdoem os cabeleireiros, pagar tudo isso por um serviço que não leva nem meia hora para ficar pronto. Sim, meia hora, porque as outras uma, duas e até três horas que passamos nos salões são por conta de atrasos e falta de organização. Não venham me dizer que esse custo é por causa dos gastos com energia elétrica e a lavagem, porque é muito superior. Não lembro de usarem shampoos e condicionadores caros no meu cabelo quando eu vou simplesmente cortar e os outros procedimentos gastam muito mais energia elétrica. No meu caso, não tenho me importado (muito) em pagar $60 num corte, porque a escova é inclusa e o preço fica muito mais justo. Ainda assim, não é um gasto que eu queira/possa ter trimestralmente.

É claro que esse texto tem um certo exagero. Não nas situações, que são exatamente essas, mas ao supor que elas ocorrem todas juntas. Não, cada ida ao salão é uma experiência diferente, melhor ou pior, mais ou menos desagradável. Confesso que meu último corte foi uma experiência bacana. O salão não estava lotado, o atraso foi de poucos minutos (~ 20′), o corte foi satisfatório e o preço justo (os tais dos $60). A esteticista que critica minha pele não estava lá, ninguém me encheu o saco para parar de roer as unhas e meu cabelo até foi elogiado (!) pela moça que o lavou, com muito cuidado, inclusive.

Aliás, permitam-me corrigir: minha última ida ao salão. O meu último corte de cabelo foi bem mais tranquilo: foi em casa, na hora que eu tinha disponível (no meio da madrugada), levou poucos minutos e o resultado foi satisfatório. Eu mesma cortei. Por todos os motivos citados acima, eu não tenho o hábito de ir ao salão com a frequência que meu cabelo pede (uma vez a cada três meses). Eu até suporto viver com pontas duplas e outras chatices, mas não posso com a franja muito longa. Por isso, sempre que ela começa a me incomodar, corto eu mesma, rapidinho, em casa. Da última vez que fiz isso, resolvi ir além e (por que não?) cortar o cabelo todo.

Procurei rapidinho alguns vídeos no YouTube a respeito. Vi várias técnicas, mas a que me interessou foi uma que minha tia usava para cortar o cabelo das minhas primas (e, eventualmente, o meu) quando éramos crianças. Não tem muito mistério e o resultado costuma ser bom para cabelos cacheados. Eu não levo muito jeito com essas coisas manuais, mas decidi arriscar. Por conta dos cachos, as possíveis falhas no corte não ficam muito aparentes. No final das contas, levei menos de meia hora para lavar o cabelo e corta-lo e gostei do resultado final.

Eu perdi o hábito de fazer escova com frequência, então não me importo muito com o corte irregular. Caso eu deseje alisar o cabelo para algum evento, festa ou algo do tipo, aproveito para ir ao salão e fazer tudo de uma vez: corte e escova. Até porque, a escova do salão fica muito melhor do que a que faço em casa. Não se enganem, eu valorizo o trabalho de quem mexe com beleza, principalmente os bons profissionais. Talvez se a experiência fosse menos desagradável (para mim, com as minhas particularidades) e o preço mais justo, eu iria ao salão com maior frequência.

Já tem mais de um ano que eu penso em escrever um texto como esse, toda vez que vou ao salão. Escrevi, finalmente. Mas só escrevi porque aprendi a lidar com a situação melhor. Entendi, finalmente, que é possível e saudável evitar situações que me desagradam (e principalmente as que me fazem mal, mas esse é outro assunto). Cortando meu próprio cabelo em casa, economizo tempo, dinheiro e idas ao salão. Reduzindo-as para uma ou duas vezes por ano, é mais fácil encarar o salão com menos má vontade e mau humor. Talvez esse seja o grande segredo para lidar melhor com esse tipo de coisa. Certo otimismo faz bem. É melhor ir preparada para perder tempo e saber que chateações acontecem, mas sem “sofrer por antecipação”. Acho que assim, finalmente, farei as pazes com os salões e com as profissionais da beleza que são, muitas vezes, pessoas maravilhosas tentando fazer o melhor trabalho que puder.

Fitnessação dos blogs

No mês passado, eu falei aqui no blog sobre fat talk, que é essa obsessão (chatíssima) em se falar de gordura, peso, dieta e tantos outros desses assuntos fitness. Como eu disse naquele post, eu não sou contra discutir esse tipo de assunto. Não sou contra, de maneira alguma, adquirir um estilo de vida mais saudável ou cuidar da autoestima. Mas fat talk não é sobre saúde e autoestima, é sobre excesso. A presença maciça desse tema nas rodas de conversa é fruto de padrões e mais padrões de beleza que nos são impostos diariamente, o tempo todo.

Por conta disso, é claro que o fat talk, infelizmente, não se limita mais somente às rodinhas de conversa. Ele também invadiu a blogosfera. Não estou falando do surgimento de vários blogs sobre o tema*. Blogs novos são sempre bem vindos – desde que tenham qualidade e conteúdo. Eu mesma acompanho alguns porque me interesso um pouco pelo assunto e posso tirar informações interessantes de algumas postagens. Nos meus feeds, eles dividem espaço com blogs de todos os tipos, desde pessoais e de variedades a blogs temáticos.

O que me incomoda é que o assunto invadiu justamente blogs pessoais e blogs de variedades. O By Marina, para mim, é o maior exemplo. O blog é bastante antigo e, como o Just Lia, passou por muitas mudanças ao longo do tempo, acompanhando as mudanças da própria internet, da blogosfera e dos leitores. Há cerca de um ano, a Marina começou com uma mudança muito bacana na sua vida. A história dela é interessante e até motivadora. Com reeducação alimentar e (muitos) exercícios físicos, ela emagreceu bastante, conquistou o corpo que queria (ou não), e ganhou em saúde e bem estar. Sinceramente, fico feliz por ela. Nunca conversamos, mas a conheço há tanto tempo (via blog), que é impossível não desenvolver certa afeição. Fico feliz com as conquistas dela. Mas, como leitora e seguidora, acho um saco o tema ter invadido o blog com tanta força. Hoje, a imensa maioria dos posts escritos por ela têm, ao menos, uma mínima relação com o assunto. Até mesmo as publicações dos colaboradores passaram a abordar o tema com maior frequência. Eu, pessoalmente, me incomodei. Os incomodados que se mudem, diz o senso comum. Por isso mesmo, deixei de segui-la nas redes sociais e o blog só permanece nos meus feeds até o próximo declutter.

Mas não foi só Marina, claro. Nos últimos meses, me deparei com posts sobre o assunto em blogs que nunca o abordaram antes. De repente, “todo mundo” parece estar indo à academia e bebendo chá verde. É claro que quem não entra na onda se sente deslocado. Já vi muita blogueira sendo cobrada a falar sobre o assunto. Já vi blogueira começando dieta porque alguns “leitores” (eu prefiro chamar de haters) comentaram que elas gordas (ainda que não fossem) e que “deviam dar o exemplo”.

Acho ótimo falar sobre qualquer assunto em um blog. Se é um blog sobre variedades, porém, vamos variar! Pode ser que o blog seja voltado para um público específico, um determinado gênero, uma determinada faixa etária, mas ainda assim, se ele se propõe a abordar diferentes temas, terá que abordar diferentes temas. Além do mais, o blogueiro deve seguir sua intuição. Claro que ele deve ouvir os leitores e buscar essa interação. Mas é o blogueiro quem decide.

Como eu disse, acredito que a invasão dos posts fitness na blogosfera é fruto do fat talk, mas também acredito ser consequência de outro fenômeno. Ultimamente, pouco se cria na blogosfera, mas muito se copia. Você já deve ter se deparado com postagens tão semelhantes que fica difícil dizer qual foi a original. Muito disso se deve às assessorias de imprensa, que enviam press kits para dezenas de blogueiras, fazendo com que o mesmo post apareça em vários blogs praticamente ao mesmo tempo. Mas também se deve à falta de criatividade desses blogueiros caça-níqueis. Hoje, todo mundo quer ter a vida “fácil” de se ganhar dinheiro com o blog, sem sair de casa, recebendo jabá pelo correio e sendo convidado pra evento.

A blogosfera tem decepcionado muito. Felizmente, ainda existem blogs bons, originais e criativos. Blogs com conteúdo de qualidade, que dá gosto de acompanhar. Torçamos para que eles não se fitnessem também.

* Uma observação sobre blogs fitness: Como eu disse, eu acompanho alguns blogs porque posso tirar deles algumas informações úteis, principalmente a respeito de alimentação. Mas, confesso que não gosto da abordagem da maior parte dos blogueiros do gênero. Muitos deles falam de dieta e exercícios como se essas duas coisas fossem as mais importantes da Terra; fazem verdadeiros discursos “motivadores” que parecem ter sido escritos por alguém que venceu um câncer, mas na verdade é sobre perder alguns centímetros de barriga; tratam as pessoas “acima do peso” como preguiçosas e sem força de vontade; desfazem de qualquer tipo de corpo que não seja definido e/ou magérrimo, etc.