Lei da Inércia e Produtividade

Dia desses, me peguei pensando em como a ideia da primeira lei de Newton (sim, aquela que você aprendeu em física) pode ser transladada para outro universo completamente diferente e nos dizer um pouco sobre produtividade.

Explicando bem “porcamente”, a primeira lei de Newton (ou lei da inércia) diz que se um corpo está em repouso, ele tende a permanecer em repouso; bem como se estiver em movimento, sua tendência é de permanecer em movimento. Traduzindo em termos de produtividade: se procrastinamos, tendemos a procrastinar cada vez mais. Por outro lado, se estivermos sendo produtivos, a tendência é permanecermos produtivos. Em outras palavras: quanto menos fazemos, menos queremos fazer e vice-e-versa. Isso explica aqueles momentos de preguiça eterna e nossa dificuldade em retomar o ritmo depois de férias, feriados e até mesmo finais de semana. Também explica aqueles (raros) momentos de produtividade intensa.

Já li muitos textos sobre procrastinação e foco e a maioria deles atribui ao sistema límbico a culpa de preferirmos adiar nossas tarefas, o que justifica porque é mais “fácil” permanecer em “repouso” do que em “movimento”.* Mas tenho ainda mais uma explicação, levando em consideração a lei da inércia, que reforça essa facilidade.

A primeira lei de Newton nos diz também que, para passarmos de um estado de repouso para um de movimento – e vice-e-versa -, é necessário a ação de uma força. Em geral, a “força” que atua interrompendo nossos momentos de produtividade intensa é o cansaço. Nosso corpo não aguenta mais realizar tantas atividades e nos avisa. Já para interromper um estado de procrastinação, é mais complicado. Qual “força” seria essa? Nem sempre é fácil encontrar algo que nos motive.

Parece uma comparação boba – e talvez seja -, mas gosto de ver as coisas por esse ângulo. Entender que é natural procrastinar é libertador, reduz nossa culpa, mas também é um alerta: se tendemos à preguiça, devemos estar atentos às forças que nos movem. Saber que o mais difícil é começar e que, depois, nossa tendência será manter-se produtivo pode ser, por si só, uma força motivadora. Um empurrãozinho, se preferir.


* Um desses textos é a matéria Ajuste seu Foco, da Revista Vida Simples, que pode ser encontrada online na íntegra nesse link. Recomendo fortemente a leitura, que explica melhor a questão do sistema límbico e dá algumas dicas para manter o foco.

Anúncios

6 comentários sobre “Lei da Inércia e Produtividade

  1. Você pode resumir essa ação de força numa explicação simples. Exemplo: Inspiração/Potencial de Produtividade = 100%
    Vontade = 40% – 60%
    Motivação = 0%
    Resultado: Ah, não vou fazer isso hoje.

  2. Eu super concordo que um corpo que está em repouso tende a ficar em repouso Um exemplo meu disso é quando falto na faculdade, falto um dia e já quero faltar a semana toda, quando vou um da seguindo do outro começo a ir religiosamente. É como um clico mesmo, se quebrado é difícil voltar a ser como era. ( isso se aplica a atividades físicas também). Enfim, concordo com sua teoria, ela faz sim muito sentido.

    beijos

    mobiliaminima.blogspot.com

  3. Rs, adorei a comparação!
    Engraçado que eu sempre digo pra mim não parar, justamente porque eu sei que se eu parar eu não faço mais nada (mesmo sem nunca ter aplicado a teoria)(e talvez seja por isso que eu tenha tanta dificuldade para dormir!).
    Mas eu me permito parar (as vezes), porque tem dia que eu não rendo mesmo e é mais útil não fazer nada do que tentar fazer alguma coisa (mesmo quando os prazos estão diminuindo e tal…). O problema é sempre voltar depois!
    Achemos essa força que nos tire da inércia!
    Rs ^^

  4. Achei a comparação genial!
    E é realmente libertador pensar que a procrastinação é algo natural, o problema é que encontrar a força vai ficando cada vez mais difícil.
    Queria tanto me identificar menos com o Garfield! hahaha

  5. Dia desses escrevi no meu blog sobre o círculo vicioso em que me encontro: 1. quero fazer – 2. mas são tantas coisas que quero fazer – 3. não tenho tempo – 4. nada é feito – 5. culpa por não tentar – 1. quero fazer – 2. (…)

    O problema é que quanto mais adiamos, mais difícil fica sair desse círculo, desse estado de “repouso”.

    Gostei do texto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s