A Saga do Pocket

Já tem alguns anos que uso o Pocket (que antes era Read it Later). Escrevi sobre ele aqui no blog em uma época em que minha relação com o aplicativo era ligeiramente diferente. O Google Reader ainda existia e eu lia a maior parte dos posts dos blogs que eu acompanhava por ali mesmo, salvando para ler depois (no Pocket/Read it Later) somente se eu estivesse acessando o aplicativo pelo celular. Geralmente, mais tarde no mesmo dia, lia todos os posts salvos no computador. Assim, o Pocket/Read it Later vivia sempre com poucos links, coisas que eu salvava por lá porque sabia que precisaria nos próximos dias ou textos que eu não teria tempo de ler no momento. Raramente, lia alguma coisa pelo celular porque tinha um aparelho com a tela menor e era meio complicado enxergar as letrinhas tão pequenas.

As coisas mudaram de lá para cá. O Google Reader acabou, deixando muitos de nós órfãos. (1 minuto de silêncio.) Daí comecei a usar o Feedly, cuja interface me agrada muito, mas não me atrai para ler os posts diretamente nele (?). Criei o hábito de acessar o aplicativo pelo celular ou pelo tablet (agora tenho um) e salvar os posts que me interessam para ler depois, pelo Pocket. Alguns posts possuem referências que desejo salvar no computador, como receitas, outfits, tutoriais e coisas do gênero e, portanto, os acesso depois, pelo notebook. Grande parte dos posts, no entanto, são textos que desejo ler e me acostumei a baixar suas versões offline no Pocket para ler pelo celular (meu novo aparelho tem a tela maior) ou tablet nas intermináveis esperas (ser pontual num mundo de atrasados é viver esperando) e viagens de ônibus da vida. Por um lado, isso é maravilhoso porque aproveito melhor meu tempo e me distraio em momentos chatos. Entretanto, fico mais propensa a procrastinar as leituras e a acumular muitos textos não lidos no Pocket, além de deixar de comentar e compartilhar posts que gosto.

Nos últimos dois anos, passei a acompanhar ainda mais blogs, principalmente pessoais e sobre minimalismo e/ou vida simples. São blogs queridos, mas que demandam tempo. Não dá para passar os olhos pelos posts pescando as informações mais interessantes e olhando as imagens, como num blog de moda ou decoração. Tempo é um recurso escasso e difícil de administrar. O segundo semestre de 2013 foi especialmente complicado: demandas demais, compromissos demais, e as mesmas 24 horas diárias de sempre. Virei uma procrastinadora de tudo aquilo que não fosse relacionado à faculdade, incluindo minhas leituras. Fiquei mais preguiçosa também, salvando todo tipo de coisa no Pocket para não ter que lidar imediatamente: downloads, sorteios, vídeos, pesquisas, etc.

Com isso tudo, meu Pocket foi ficando incrivelmente cheio. Eu salvava itens numa velocidade muito maior do que eu os processava. Nisso, perdi muita coisa bacana naquele emaranhado de links: notícias que já não eram relevantes, posts que já não valiam a pena ser comentados ou compartilhados, sorteios cujas datas de inscrição já haviam passado… Agora no início de dezembro, atingi o pico: quase 900 links, o mais velho datando de quatro meses atrás. Decidi, então, que era hora de fazer alguma coisa. Aquele número enorme de coisas a fazer me incomodava demais. Além disso, gostaria que o Pocket funcionasse como uma caixa de entrada na minha adaptação do GTD. Uma caixa de entrada só funciona se for esvaziada com frequência, então essa foi minha meta: acabar 2013 com 0 itens no Pocket.

Consegui! Esse post está sendo escrito no dia 31/12* e, no momento, não tenho nenhum item salvo no Pocket e ele pode começar a ser usado como uma caixa de entrada. Estou orgulhosa. Foram 20 dias de férias abrindo link por link, definindo o que ainda era relevante ou não; lendo, comentando e compartilhando posts dos últimos quatro meses; salvando muita coisa legal no meu arquivo de referência. Gastei muito tempo nisso e aprendi minha lição. É pura e simplesmente uma questão de organização. Por isso, já estou planejamento como vou usar o Pocket (e o Feedly) nesse ano novo.

Como uma caixa de entrada, vou continuar salvando nele todo o tipo de link. A diferença é que vou processar esses links diariamente (ou dia sim dia não, em épocas menos ativas), assim como faço com meu e-mail e bloquinho de anotações. Vou continuar deixando textos para ler offline no celular ou no tablet sempre que tiver um tempinho livre, mas vou diferenciar esses links com a tag ler. Para não me esquecer de comentar e compartilhar esses links, usarei as tags comentar e compartilhar. Assistir (para vídeos), fazer download, salvar no arquivo de referência e salvar nos favoritos são outras tags pertinentes. Criarei outras se forem necessárias.

Processarei os links de maneira semelhante ao que acontece no GTD. Se for algo que demande menos de 2 minutos, lidarei com o link imediatamente. Isso vale para textos, downloads e qualquer coisa rápida. Se for algo que demande mais tempo, usarei as tags. O mesmo vale se for necessária conexão com a internet e eu não tiver, ou se for algo que precise ou seja facilitado pelo computador e eu estiver no celular ou tablet.

Bem, pessoal, espero não tê-los entediado muito com minha história ou meu novo método, mas achei que poderia interessar a alguém.


* P.S.: Sim, esse texto demorou duas semanas para ser publicado, pois eu não queria que fosse o primeiro post do ano. Nesse meio tempo, estou usando o Pocket como descrito acima e posso dizer que meu método está funcionando muito bem. Tenho 70 links salvos no momento, mas, acreditem, é muito menos do que eu costumava acumular em quatorze dias; estão todos tagueados; o link mais antigo não tem mais de uma semana e esse número só está razoavelmente alto porque descobri o Lifehack e não resisti a salvar vários artigos para ler depois. Estou conseguindo acompanhar meus blogs favoritos dignamente, o que é maravilhoso e era um dos meus principais objetivos. Agora, me sinto motivada a transformar outro espaço digital entulhado em caixa de entrada: minha pasta de downloads. Boa sorte para mim!
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5 comentários sobre “A Saga do Pocket

  1. Dani, mulher, que coragem!
    Eu sou uma bagunça, né, você já sabe, então uso o Pocket de forma bem descontrolada. A principal função, na verdade, é a de pastinha de favoritos, ou de links importantes que eu sempre uso e gosto de ter à mão. Até porque não tenho essa sua disciplina de criar um método pra ler as coisas. Eu vejo o cai no meu colo, o que dá tempo depois. E se não deu, paciência, né.
    Enfim, fico feliz que conseguiu se organizar e colocar as leituras em dia =)
    beijos!

  2. Meu pocket tá no mesmo estado do seu ano passado. E olha que engraçado, comecei a usar por conta da sua dica no blog (que adorei), e ontem mesmo mexi nuns links pra organizar aquilo lá. Mas tá pavoroso: tem links de abril de 2013!!! Vou tentar mexer nuns 10 por dia e organizar tudo como era antes.
    Fico feliz que tenha conseguido cumprir sua meta do aplicativo, e espero cumprir a minha! :D
    beijo!

  3. Dani, que disposição! Minha caixa de entrada do e-mail e a pasta de downloads estão sempre atualizados, porque me dá uma agonia enorme bagunça no e-mail e na pasta, já que são coisas que vejo a todo momento. Meu maior problema também é o Pocket e a barra de favoritos do meu computador, lotada de coisas divididas por pastas mas que, apesar de organizada dessa forma, provavelmente acumule coisas que eu nem precise mais. Minha meta é esvaziar os favoritos do Chrome (ou deixar somente o super necessário) #força #na #peruca

    Até pra comentar nos meus blogs e sites favoritos esse esquema do Pocket dificultou, como você mesma disse no post. Talvez por isso eu tenha parecido obsoleta em diversos deles :/

    Boa semana, beijoca!

  4. […] No final de 2013, com mais de 900 links salvos no Pocket e sem ter nem noção do que encontraria ali, fiz um “intensivão”: em 20 dias, abri link por link decidindo o que fazer com cada um, até não ter um linkezinho sequer para contar história. Decidi, naquele momento, que precisava de um método (amo métodos) para aproveitar melhor o Pocket, e que o transformasse também em uma caixa de entrada do GTD. Contei sobre este processo todo neste post aqui. […]

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