Andei pensando: abuso do ar condicionado

Quero começar esse post com dois fatos logo de cara:

  1. tá calor pra caralho e
  2. eu odeio ar condicionado.
Ilustra linda da Mariana Valente.

Sudestinos e sulistas brasileiros sabem que a coisa anda feia por aqui e nordestinos, nortistas e centro-oestinos devem ter visto algo na televisão ou na internet. Não só andamos sofrendo com temperaturas exorbitantes (alô, cariocas, como anda essa sensação térmica de 57°C?), como estamos quase contratando índios com experiência em dança da chuva. Apesar do momento A Praça é Nossa, a situação é mesmo grave. Em Santa Catarina, o retorno às aulas foi adiado devido às altas temperaturas. O nível do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, caiu abaixo dos 20%. Várias empresas têm permitido a seus funcionários usar bermuda no trabalho, depois do caso do funcionário público que foi trabalhar de saia ter viralizado nas redes sociais. Muitas cidades estão sofrendo com a falta de água e algumas já até declararam situação de emergência. Essa que vos escreve tem passado mal quase diariamente. A criação de frango, a safra da laranja e tantas outras atividades estão sendo prejudicadas por conta do calor e da estiagem. Em compensação, fabricantes de sorvetes, ventiladores e aparelhos de ar condicionado estão deitando e rolando (como diria a minha mãe). Bem, aí chegamos ao segundo fato.

Não podemos fazer chover, mas podemos baixar a temperatura de um cômodo, de uma casa inteira e até mesmo do carro com esse aparelho “mágico” chamado ar condicionado. Prevejo – se é que já não existem – letras de funk ostentação sobre ar condicionado. Nas minhas timelines, há diversas menções ao famigerado: gente ostentando sua posse maravilhosa, gente desejando ardentemente o tal aparelho fantástico e até gente que “confessa” entrar em determinados estabelecimentos só para se refrescar um pouco. Acho tudo muito compreensível, dada a atual situação. Eu mesma ficaria muito feliz de ter um aparelho desses no meu quarto e poder dormir confortavelmente debaixo de uma macia camada de edredom. Mas voltemos à realidade.

Ar condicionado não é uma maravilha tão maravilhosa assim. Para começar, se a umidade relativa do ar já está baixa, o ar condicionado só faz piorar. Dá-lhe bacia com água, toalha molhada, hidratantes, balms e garrafas e garrafas d’água para aguentar a situação. Também temos outro fato: ar condicionado é um aparelho sujo. Se não for limpo direito e com a frequência adequada, vira o paraíso das bactérias e até de insetos, no caso dos carros. Além de, muitas vezes, empestear o ambiente com um fedor insuportável. Ok, se o carro ou a casa forem seus, é só tomar as providências cabíveis, mas e o ar condicionado de onde você trabalha e/ou estuda? Do ônibus que você pega? Do consultório do seu dentista? Pois é.

Isso tudo já é bem incômodo, porém pode até ser compensado nesses dias de calor intenso. MAS – sempre tem um mas – é claro que não é só isso. Já disse por aqui que não sou a maior entusiasta do frio. Frio dói no fundo dos ossinhos (e da alma) (2013, ANALU). Não gosto de 36°C, mas também não gosto de 16°C. E, olha, essa parece ser a temperatura favorita dos abusadores do ar condicionado.

Se você olhar as últimas temperaturas para as três cidades onde estive nos últimos dias (São Joaquim da Barra, Ribeirão Preto e São Carlos), verá que elas foram bem altas, acompanhadas de sensações térmicas ainda maiores. Ainda assim, passei frio nesses últimos dias, nessas três cidades. Frio de arrepiar, bater queixo e doer no fundo dos ossinhos e da alma, tudo por causa do meu arqui-inimigo ar condicionado. Sabe, no inverno, pelo menos, eu estou preparada, com minhas excessivas camadas de roupa – porque sou friorenta mesmo. Mas, no verão, vindo das ruas de calor senegalês, obviamente estarei de short, regata e sandália. Resultado: viro um picolé e ainda tenho que encarar o choque térmico mais tarde.

Eu sei que os aparelhos de ar condicionado são inevitáveis e a tendência é que se multipliquem mesmo. Entendo que em diversas situações, eles sejam a melhor opção. Ainda assim, espero – talvez com um pouco de ingenuidade – que sejamos criativos e pensemos em alternativas melhores, menos impactantes para a nossa saúde e para o meio ambiente. Não é à toa que estamos sobrecarregando o sistema de energia elétrica. Eu sei que ele deveria ter sido mais bem projetado para atender a nossa demanda, mas também temos que parar para pensar se essa demanda não é excessiva. Talvez se nossas casas tivessem um projeto arquitetônico melhor, teriam maior conforto térmico e o ar condicionado seria dispensável. Talvez se não nos importássemos com o cabelo despenteado, poderíamos simplesmente abrir as janelas do carro ao invés de ligar o ar. Enfim, existem opções e a criatividade humana é inesgotável, ao contrário dos nossos recursos naturais. Por que não usa-la?

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9 comentários sobre “Andei pensando: abuso do ar condicionado

  1. Oi, Dani, estou gripada faz duas semanas e nada de eu melhorar. Moro no Rio, o que significa, sair de uma temperatura altíssima para esta que você mencionou, superbaixa, várias vezes ao dia. Haja saúde! Hoje parece que começou a refrescar um pouco e espero poder voltar ao normal em breve. :)
    Descobri seu blog faz pouco tempo, mas tenho gostado bastante.
    Bjs,
    Rafaela

  2. Opa, alguém falou “sensação térmica de 57ºC”? :B Aqui no Rio está quente pra dedéu, pra chuchu à beça, de modo que praticamente não há vida sem ar condicionado. Eu sou suspeita pra falar, porque sou calorenta a vera e amo ardentemente esse aparelho, ao mesmo tempo em que tenho rinite e alergia de pele à poeira e ácaro. Já viu, né? Tô sempre com perebinhas na pele e com nariz entupido. :~
    Experimenta andar com um cardigan levinho na bolsa, Dani! Você pelo menos não vai congelar quando entrar num canto com ar super frio. ;)

  3. Dani, eu absolutamente ODEIO ar condicionado.
    Na escola onde fiz o ensino médio, todas as salas tinham ar condicionado e as janelas estavam sempre fechadas. Eu tenho rinite alérgica e sinusite crônica, então pense como eu sofria com os ácaros acumulados no filtro (que nunca era limpo) e também com os choques de temperatura. No ano do vestibular, quando eu estava mais sobrecarregada e com a imunidade muito baixa, eu passava mal pelo menos uma vez na semana, e já cheguei a ir embora mais cedo da aula ou simplesmente não ir pra escola por não suportar ficar numa sala com ar condicionado. Hoje eu vejo que era por isso que eu estava sempre péssima, com dor de cabeça, coriza, e espirrando sem parar. Sem falar no taaaaanto de remédios que eu tomava, o que me deixava bem incomodada. Uma vez tive uma infecção de garganta e ouvido muito brutal, fiquei sem voz e com uma íngua na garganta que parecia um ovo, nada sarava. Fui no médico e ele recomendou uma semana sem ar condicionado. Claro que sarei em 3 dias, né?
    Na UFU poucas salas tem ar condicionado, só os laboratórios mesmo, e em dois anos de universidade acho que só tive umas duas crises de rinite. Pra quem de quinze em quinze dias tinha que ir pra casa, tomar Polaramine e perder o dia, tá de bom tamanho, né?
    Por isso que mesmo odiando calor, sempre sou partidária de qualquer iniciativa que amenize o calor mas sem ter que apelar pro ar condicionado. E a dica da Ana aí em cima foi bem boa: eu nunca saio de casa sem um casaquinho na bolsa, tão essencial quanto a garrafinha de água nesses dias quentes :)
    beijo!

  4. Eu detesto ar condicionado simplesmente porque me seca a garganta, me faz respirar mal e sentir ânsua de vômito. Tanto que quando ando de metrô prefiro esperar pelo vagão mais velhinho, que tem janelas e ar menos abusivo. Já quase desmaiei num dos novos, e justo num dia em que tava bem lento :'(
    Sou muito mais um ventilador e/ou purificador de ar (acho que é assim que chama aquele coiso que solta vapor né? acho uma maravilha), ou uma boa janela e plantas no quintal ajudando o vento a se espalhar :p

  5. Já eu adoro um ar condicionado, pois apesar de amaaaaaaaar calor, durmo muito mais feliz com um edredom pesado em cima de mim do que um lençol fino embolando no meio das minhas pernas. No entanto, moro em Curitiba e esse povo daqui não tem estrutura nem pro inverno, nem pro verão. Quase ninguém tem ar condicionado para aguentar o verão, e o inverno então (calefação europeia, sdds). E morri de rir com a minha citação, hahah!
    Beijo, Dani!

  6. Claro que se estou numa sala com ar condicionado não vou abrir a minha boca para reclamar, mas em casa não tenho (sim, moro no RJ) e não reclamo muito, sobretudo por causa dos problemas respiratórios na minha família. Se a pessoa tem ar condicionado em casa tem que cuidar direitinho sim. E você lembrou bem do choque térmico: desolação maior não há HAHAHA Sair de um ambiente geladinho e topar com mais de 40 graus na cabeça é de deprimir.

  7. Vai por mim, aqui no Rio estava simplesmente INSUPORTÁVEL até esse fim de semana. Toda vez que saía na rua sentia minha pele queimando. Sem falar do suor. Não vou mentir e dizer que detestei ficar em ambientes com ar-condicionado, mas também sofro bastante com esse aparelhinho, ainda mais por que tenho rinite E sinusite. Aí já viu né? Hoje o tempo está fechado por aqui (todos comemora! hahaha) e bem fresquinho! Estávamos precisando hahahaha
    Descobri seu blog semana passada e viciei! É bom ver um conteúdo diferente! Bjos!

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