Oi, Dani!

São Carlos, 12 de março de 2014

Oi, Dani!

Começo essa carta com uma confissão: não era para ser, mas se tornou um desafio imenso escrever para você. Afinal, o que dizer? Devo dar conselhos que sei que serão ignorados? Devo lhe contar como são as coisas aqui no futuro? Isso te tranquilizará? Ou só te fará roer ainda mais as unhas?

De qualquer forma, não é de hoje que quero escrever. Fiquei o (meu) ano passado todo alimentando esse desejo, afinal, quem não quer conversar com aquele amigo querido, mas hoje tão distante? O tempo passou e a vontade minguou. Me desculpe, Dani, mas você era bem mais legal aos 12. Acredite. A sétima série não será um bom ano. Você se afastou de uma das melhores pessoas que já entraram na nossa vida e, pela primeira e última vez (talvez), se aproximará das pessoas erradas. Sei que tudo isso parece confuso agora, mas você entenderá daqui há alguns meses, a tempo de aproveitar o finalzinho do ano ao lado de gente legal. Ufa!

Não quero fazer spoilers. Acredito que você aprendeu o significado dessa palavra em um blog sobre Harry Potter no (seu) ano passado, não foi? Então, aproveito pra lhe adiantar: blogs e Harry Potter continuarão fazendo parte da nossa vida. Sei que ainda lhe faltam três livros e muita história pela frente. Tia J.K. ainda te fará sofrer muito e eu nem estou falando da demora para lançar cada volume. Aliás, te adianto que nossa relação com essa saga que nos encanta tanto sofrerá um bocado por conta de algo que você odiará profundamente no futuro. Se eu pudesse te dar um conselho, te diria para não deixar nada disso te afetar. Te diria para se afastar o quanto antes disso tudo que você, no fundo, sabe que não é pra ti. E diria, e isso eu diria sempre, em qualquer situação, para você confiar em si mesma. Nesse caso, Dani, você sabe que não é um deles e isso é ok. Daqui a uns dois anos, você conhecerá um ser humano fantástico de cabelo colorido (juro) que, sem querer, vai te mostrar que ser você mesma é o máximo.

Você deve ter notado que continuamos blogando. O mundo dos blogs mudou muito, mas tudo bem, porque você também mudará. Não estou falando dessas mudanças bobas que te parecem tão grandes e importantes a ponto de criar um blog novo a cada mês. Estamos escrevendo nesse aqui há mais de seis anos e, acredite, as mudanças que aconteceram nesse período foram bem significativas. Sei que você já começou a escrever mais e melhor. Continue. Por muitos anos, essa vai ser a melhor ferramenta para se autoconhecer, desabafar e se expressar. Escrever é um talento maravilhoso e você vai saber valoriza-lo no futuro, invista nele.

Eu também te diria para investir no inglês, mas sei que você é preguiçosa demais para me escutar e provavelmente levará o curso nas coxas até descobrir que é legal. Se isso for te incentivar: eu sei que parece difícil agora no começo, mas girl, you’re gonna get good at this! Eu também te diria para continuar sendo uma boa aluna e estudar muito, mas nós duas sabemos que você gosta de fazer as coisas do seu jeito e não é que funciona? (Aliás, nisso, não mudamos nada.) Sei que começaram a te aterrorizar com essa história de vestibular, mas calma. Continue estudando como sempre, continue curtindo sua adolescência – porque, sim, ela acaba – e deixe para se preocupar com isso no ensino médio. Você realizará seus sonhos, não exatamente da maneira como imagina. Como eu disse, não quero fazer spoilers. Mas, perdoe minha falta de modéstia, acho que você teria orgulho de mim.

Ainda não fiquei rica, nem sei se pretendo mais. Você vai descobrir que dinheiro é um mal necessário, mas que, realmente, ele não é tudo. Você vai aprender a valorizar coisas que hoje te parecem triviais, como, por exemplo, uma boa noite de sono. Ou poder ver suas melhores amigas (que você nem imagina quem serão aos 23) ou seu namorado. Pois é. Sei que você está em uma fase meio desesperada para iniciar sua vida “amorosa”, mas, novamente, calma: relacionamentos românticos são superestimados. O amor, não, o amor é tudo isso mesmo que dizem, mas você ainda vai levar muitos anos para sentir isso de verdade, embora procure um bocado. Novamente, se eu pudesse lhe dar um conselho seria: não busque tanto. O amor surge espontaneamente, quando você menos espera, e na euforia a gente acaba se relacionando com gente que, olha, não mereceria mais que um olhar demorado nosso se soubéssemos como realmente são. Bem, você deve ter percebido que vai ter algumas desilusões e se arrepender de alguns garotos. Mas, novamente, você vai melhorar nesse ponto também. Como eu disse, você vai descobrir o amor, o que é maravilhoso; mas você vai descobrir o autoamor, que é ainda melhor.

Você deve ter notado que eu disse várias vezes como as coisas vão ficar melhores. Muito disso é porque você, menina, vai amadurecer muito nos próximos dez anos. Não serão anos fáceis, porque isso não empurra ninguém para frente, mas serão anos deliciosos. A adolescência é bizarríssima, você já deve ter notado. Você passará por muitas fases, umas melhores, outras piores, mas todas elas ajudarão a me construir e eu sou muito grata por isso. A vida adulta, para mim, só está começando e você não tem ideia, criança, de como é difícil e fascinante ao mesmo tempo. Sim, eu sei que você odeia ser tratada como criança e se acha muito adulta, mas você vai aprender, na marra, a lidar com coisas que não gosta. E também vai descobrir que a gente é sempre mais criança do que imagina. Mesmo eu. E eu não digo isso porque ainda assisto Pokémon – e você aí, achando que superou essa fase!

Queria te contar tanta coisa, Dani! Mas eu prometi que não faria spoilers, embora tenha deixado escapar alguns nessa carta. Não quero estragar as surpresas, nem as boas, nem as ruins. Até porque nós duas sabemos da nossa tendência a sofrer por antecipação (não, isso não melhorou). Saiba apenas que você ainda tem muito o que viver, muita experiência para adquirir, muita risada para dar, muito erro para cometer, muita gente para conhecer, muitos lugares para visitar, muitas escolhas para fazer, muita coisa para aprender, muita lágrima para chorar (inclusive de rir), muito, muito, muito. E, como eu sei exatamente quais conselhos dessa carta você seguirá, aqui vai mais um: se permita se conhecer melhor, ser você mesma e tomar as rédeas da sua própria vida. Você me agradecerá daqui há alguns anos.

Abraços,
Dani


Esse post é uma blogagem coletiva do Rotaroots, grupo de blogueiros saudosistas que tentamos resgatar o melhor da blogosfera de raiz (aquela mesma que a Dani destinatária dessa carta já estava descobrindo e amando há quase um ano). A ideia original é do blog Hypeness, que convida gente legal pra escrever cartas para si mesmos 10 anos atrás.
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5 comentários sobre “Oi, Dani!

  1. Que linda sua cartinha. Esse tema é maravilhoso né? Não sei você, mas me senti bem mais leve depois de conversar com meu eu de dez anos atrás. E adorei tudo que você falou sobre o amor, o autoamor e tudo mais.
    Parabéns pelo lindo blog.
    Beijo :)

  2. Aiii, eu adorei essa postagem! Todas as cartinhas que estou lendo são tão lindas *-*
    É engraçado como a gente cresce e amadurece mais do que imagina, né?
    Beijos!!

  3. Olá!
    Eu adorei escrever a minha carta. Me fez muito bem.
    São ensinamentos que apesar de não podermos mudar o passado podem fazer a diferença agora no presente e também podemos passá-los a nossos filhos.
    Bjus

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