52 semanas: coisas que me incomodam no mundo contemporâneo

Esse post faz parte do desafio 52 semanas. Para entender melhor do que se trata, clique aqui.


Primeiramente: não posto nada do 52 semanas há mais de um mês e sinto muito por deixar a tag desatualizada. A princípio, eu estava focada em terminar meu semestre e, mais tarde, em fazer tudo o que havia planejado para essas férias. Além disso, quis priorizar outras ideias de posts que achei mais interessantes. Mas, agora, cá estou eu voltando minhas atenções para esse meme gigantesco graças à Mandy, que postou, esses dias, sobre as coisas que lhe incomodam no mundo contemporâneo (parte desse meme), me deixando com vontade de escrever sobre o assunto também.

Se você já escreveu sobre esse tema, por favor, me deixe o link nos comentários para que eu possa ler. Se não, não deixe de comentar o que te incomoda nesse nosso adorável e irritante mundo de hoje.

Me too, Dumbie.

Coisas que me incomodam no mundo contemporâneo

A cobrança para sermos supermulheres

As leitoras desse blog certamente sabem do que eu estou falando (e se não sabem, logo saberão): nós sofremos muita pressão para sermos perfeitas em absolutamente todos os aspectos da nossa vida. A sociedade nos cobra das mais diversas formas que pareçamos com as modelos das revistas, mas que sejamos gostosas como Panicats; que sejamos “uma dama na rua e uma puta na cama” (?); que não finjamos orgasmos, mas que não gostemos muito de sexo; que sejamos excelentes profissionais, mas que não ganhemos mais que nossos companheiros; que formemos uma família de comercial de margarina, com papai, mamãe e filhinho(s); que mantenhamos nossa casa impecável com apenas uma ajuda conquistada com muito jeitinho do marido (ou nem isso); entre tanta coisa. É muito estressante viver sob tanta pressão, principalmente quando não nos encaixamos em nenhum padrão. Eu só queria poder ser eu mesma em paz, sem julgamentos e sem cobranças.

O culto ao “estar ocupado”

Quantas vezes você não ouviu alguém dizer com orgulho, mesmo que disfarçado, que anda muito ocupado? Quantas vezes você mesmo não fez isso? Eu já o fiz várias vezes e já me senti mal outras tantas por não poder dizer isso. Cultuamos o “estar ocupado” e isso é muito nocivo. Vemos com maus olhos quem aparenta estar “à toa” e colocamos muita pressão sobre nossos próprios ombros de que devemos estar sempre fazendo alguma coisa. Desaprendemos a descansar, queremos ser produtivos até no nosso tempo livre. Por isso, somos uma população cada vez mais estressada, cansada e doente. Estamos mais chatos e menos criativos.

O excesso de informação

Procuramos estar ocupados o tempo inteiro porque é algo que a sociedade valoriza e conseguimos porque, entre outras coisas, temos muita informação disponível. Conteúdo é criado aos montes diariamente na Internet, inclusive por nossos familiares, amigos e conhecidos em suas páginas nas redes sociais. Temos blogs, portais, jornais, revistas, vídeos no YouTube, programas de TV, filmes, seriados, músicas, etc. Com a tecnologia, ficou muito mais fácil criar e consumir informação. Se isso, por um lado, é maravilhoso, por outro, é extremamente estressante. Queremos ler, ouvir e assistir tudo o que nos interessa em algum nível e isso é impossível. Não dá para acompanhar as atualizações de todos nossos amigos em todas as redes sociais. Não dá para ler todos os posts de todos os blogs que gostamos. Não dá para ler todas as notícias sobre os assuntos que nos interessa, nem mesmo sobre aqueles que são relevantes e que sentimos obrigação de saber. Não dá para ouvir todas as músicas dos artistas que curtimos, muito menos assistir a todos os clipes. Não dá para assistir a todos os vídeos dos canais que assinamos no YouTube, nem mesmo a todos os vídeos virais. Não dá para acompanhar todos os seriados que nos chamaram a atenção, muito menos a todos os filmes. Não dá para ir ao cinema toda semana. É frustrante.

A obsolescência programada e obsolescência percebida

Se você assistiu ao fantástico vídeo A História das Coisas, já conhece esses termos. A obsolescência programada se refere àqueles produtos que já são projetados para se tornarem obsoletos em pouco tempo. Se você comprou um celular, por exemplo, e ele pifou em apenas dois anos de uso (ou menos!), é provável que ele tenha sido desenvolvido para durar apenas por esse período, para que você tenha que comprar um novo aparelho. Muitos produtos são desenhados para que não possam ser consertados ou para que parem de funcionar misteriosamente depois de certo tempo de uso. A obsolescência percebida é quando um produto se torna obsoleto não porque ele não funciona mais, mas porque ele não está mais “na moda”. Quem nunca se desfez de um celular perfeitamente bom porque ele era um “tijolão”? Hoje carregamos celulares com telas de 5 polegadas por aí sem se importar com o tamanho. É uma questão de marketing. Isso também explica parte do vai-e-vem da moda. Lembra quando camisa xadrez se tornou “brega” e você trocou as suas por outras peças? Lembra que, algum tempo depois, elas voltaram a ser tendência e você comprou novas? Esses são apenas alguns exemplos. Acredito que você tenha pensado em muitos outros. Acho que não preciso discorrer sobre como isso tudo é muito ruim. Além de me sentir manipulada, sinto-me mal pelo imenso impacto ambiental que isso causa.

A construção de personagens nas redes sociais

Eu estou na Internet há tempo o suficiente para compreender que temos um “eu real” e um “eu virtual”. Só que nosso “eu internético”, penso eu, deveria ser uma parte do nosso “eu real”. Nas redes sociais e na blogosfera, eu exponho parte de mim, a parte que eu quero, mas uma parte completamente verdadeira. Uns se expõem mais, outros menos e eu não estou aqui para julgar. O que me incomoda muito é que muita gente faz do seu “eu virtual” um personagem que, muitas vezes, tem pouco a ver com sua personalidade verdadeira. Para mim, o bacana das redes sociais é interagir com as pessoas e é isso que eu quero: interagir com pessoas, não com personagens.

Anúncios

12 comentários sobre “52 semanas: coisas que me incomodam no mundo contemporâneo

  1. Essas coisas também me incomodam muito! Pra driblar minha irritação com tantas “vidas perfeitas” fakes na minha timeline eu tenho diminuído bastante meu tempo no Facebook.

    Mas a questão da obsolescência programa é algo em que me peguei remoendo ontem. Eu uso muito fone de ouvido e por isso gosto de comprar daqueles grandes que geralmente são mais caros. Porém é o terceiro fone que eu compro que só dura 5 meses. Exatamente 5 meses! Já paguei meu boleto e tô esperando o próximo chegar. Fazer o que se a gente vira refém desse sistema.

    Bjs!
    New Romantic

    Dumbledore FTW!

  2. Primeiramente: Dumbledore logo no começo do post é pra ganhar nosso coração de cara, né? <3

    Concordo com tudo que você pontuou, Dani. O culto ao 'estar ocupado' é algo que me incomoda demais, até porque eu sei, nem tão no fundo assim, que bom mesmo é ter tempo livre e calma para viver a vida. Mas a gente acha que precisa fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo e não é bem assim. Também tenho um abuso muito grande dessas coisas que já são construídas para quebrar (tipo meu Samsung Ace, aquela porquêra) e também me sinto meio impotente diante da obsolescência percebida, porque a gente termina seguindo o curso, já que, por mais que a gente lute contra, somos influenciados pelo marketing sim.

    Gente que é personagem: apenas não. A minha parte internética é, obviamente, apenas uma parte do todo. MAS É UMA PARTE. Por favor, pessoas, ser vocês não significa ser a sua totalidade. Sendo só um pouquinho a gente já tá agradecendo. Se eu quisesse me relacionar com personagens imaginários, iria ler um livro, não seguir alguém no twitter ou ler seu blog.

    Beijinhos!

  3. Ei Dani :)
    Esse seu primeiro item me incomoda tanto que às vezes, por 1 segundo, me dá raiva de quem resolveu queimar sutiã. Porque antes nossa ~função~ era ficar em casa e pronto. Hoje em dia, só porque temos o direito de fazer o resto, PRECISAMOS fazer tudo. Precisamos ser o que éramos e MAIS um enorme pacote de funções. Há que se aprender a ligar o ****-se pra sociedade e utilizar do direito pelo qual lutamos: O de escolha!
    Eu também me irrito com a rapidez que as coisas tem para se tornarem obsoletas. E os personagens da internet… nos fazem acreditar que nossa vida é um marasmo sem graça, também me irritam, HAHAHA.
    beijos!

  4. Concordei com tudo. Desde o primeiro item até a última linha!
    Acho que cada dia mais estamos ~seguindo o fluxo~, e acho que seu post resume isso. Todos querem o que está na moda, admiram as mesmas coisas, e isso acaba nos tornando robozinhos que seguem as mesmas regras e acabam sem criatividade e personalidade!

    Beijos e parabéns!

  5. Dani, essas também são algumas das coisas que me inquietam. Mas vou comentar sobre dois itens especificamente: o culto sobre estar ocupado e o excesso de informação. Há pouco tempo comecei a dar aulas de Yoga (um ano) e percebi que muitas pessoas simplesmente não sabem como relaxar. É como se tivéssemos sido ensinados (pelos outros e por nós também) a nos manter o tempo inteiro em atividade. E é como se a contemplação e o simples descanso fossem martírios. E aí quando a gente pára, a mente persiste na loucura da ocupação constante.
    De alguma maneira percebi isso nas pessoas, mas também estava muito claro em mim. Quanto as informações, decidi dar uma acalmada, ler mais os livros que gosto, suspender o aglomerado de notícias/novidades/documentários que estava acostumada. E afinal, de que adianta tanta informação se não se produz conhecimento?! Conheço pessoas que só “descansam” quando estão bombardeadas de informação, ou seja, precisam de “conteúdo” para a mente apagar. Aprender a fazer as coisas com calma e não abraçar toda a informação/ocupação que aparece faz com que aquilo que realmente aconteça nos baste e renove.

  6. Dani, você levantou ótimos tópicos. Todos muuuito relevantes!
    A cobrança que as mulheres recebem é irritante, principalmente pelo que vc citou, ser assim mas sem deixar de ser assado. A sociedade criou um molde pra gente, e o mais chato é que a maioria das mulheres vestem ou querem vestir. São poucas que vejo questionando isso.
    O excesso de informação também me deixa pirada, pq eu quero consumir tudo e não consigo. Fico tanto tempo online que atrapalha e deixo de fazer minhas coisas offline. E as vezes quando off, penso que nada é capaz de me divertir (bobagem, tantos filmes, livros e lugares pra conhecer!).
    Uma coisa que sempre penso com nostalgia é que a nova geração não conheceu o que eu conheci, como brincar na rua, amarelinha, pular corda, esconde-esconde, andar de patins no parque…. isso sim é uma pena e se eu tivesse filho me preocuparia em dosar bem, pois a tecnologia está aí para nos ajudar, sim, mas tudo demais se torna nocivo.

  7. Dani, você levantou ótimos tópicos. Todos muuuito relevantes!
    A cobrança que as mulheres recebem é irritante, principalmente pelo que vc citou, ser assim mas sem deixar de ser assado. A sociedade criou um molde pra gente, e o mais chato é que a maioria das mulheres vestem ou querem vestir. São poucas que vejo questionando isso.
    O excesso de informação também me deixa pirada, pq eu quero consumir tudo e não consigo. Fico tanto tempo online que atrapalha e deixo de fazer minhas coisas offline. E as vezes quando off, penso que nada é capaz de me divertir (bobagem, tantos filmes, livros e lugares pra conhecer!).
    Uma coisa que sempre penso com nostalgia é que a nova geração não conheceu o que eu conheci, como brincar na rua, amarelinha, pular corda, esconde-esconde, andar de patins no parque…. isso sim é uma pena e se eu tivesse filho me preocuparia em dosar bem, pois a tecnologia está aí para nos ajudar, sim, mas tudo demais se torna nocivo.

  8. Quando eu quis começar a me desculpar por “estar ocupada” levei um “puxão de orelha” tipico de mãe e nunca mais falei isso… E isso me irrita demais no mundo atual. E a obsolescência percebida acho necessária as vezes, porém as pessoas exageram querendo ficar com os produtos TOP sendo que o produto que ela tem, tem as mesmas funções…

  9. Concordo com todos os pontos que você citou. No mundo atual, parece que falar de boca cheia que “vive ocupado” te faz melhor que os outros ou mais bem sucedido e acho isso um porre. Morro de raiva quando a desculpa de alguém é essa!

  10. Dani, amei sua lista!

    São cinco coisas que muito me incomodam, também. Sobre a primeira acho que tenho algumas ressalvas, mas “tô ocupada demais” agora pra discorrer sobre. Brincadeirinha. Essa coisa do culto ao estar ocupado me deixa de cabelo em pé. Ócio também é benéfico, é criativo, é libertador! Estar o tempo todo ligado no 220 é que não pode ser saudável. A mente e o corpo precisam de um descanso.

    E esse gif do Dumbledore não poderia ser mais apropriado, hehe.

    Beijoca!

  11. Um post recheado de verdades. Eu já vivia ciente de parte dos itens que você mencionou, como por exemplo o que abrange as obsolências geradas para aumentar o consumismo (que já é desenfreado) e o que diz respeito ao nosso culto ao tempo — ou melhor: na constante falta de tempo. Entretanto, muito do que você escreveu eu sabia que estava guardado em alguma parte do meu cérebro, mas eu não havia parado para pensar sobre ainda, entende? Por exemplo, sobre a justificativa do porquê de eu não conseguir acompanhar a todas as séries, vídeos, filmes e novidades que quero…

    Comentado com carinho, Jeito Único

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s