Existe vida depois da Fuvest?

Já tive vontade de escrever esse post várias e várias vezes, mas sempre desistia com medo de uma porção de coisas, principalmente de ser mal interpretada. Mas a verdade é que estamos sempre sujeitos a sermos mal interpretados, não apenas escrevendo na Internet, mas em qualquer situação. Desta forma, por que não escrever sobre algo que eu quero no meu blog?


A USP é uma instituição que carrega muitos mitos e preconceitos. Estudar aqui fez com que eu visse as coisas de um ponto de vista muito diferente (e privilegiado). É sobre isso que se trata este texto: o que vem depois da Fuvest.

Quero começar falando dos estereótipos. Quando eu estava na escola ou ainda estudando para o vestibular em casa, eu conhecia pouquíssimos estudantes e ex-estudantes da USP. Isto fazia com que a minha ideia de quem estas pessoas eram fosse bastante equivocada e confusa. Me falavam sobre como os estudantes da USP eram gênios ou maconheiros ou arrogantes ou filhinhos de papai ou qualquer coisa distante da minha realidade e que fazia com que eu acreditasse, cada vez mais, que a USP não era pra mim. Hoje, fazendo parte desse grupo sobre o qual há tantas ideias pré-concebidas, vejo que ainda que alguns colegas se encaixem bem em alguns estereótipos (acontece), no geral, somos todos diferentes, afinal somos muitos e somos humanos.

As reações quando descobrem que estudo na USP são sempre interessantes e, muitas vezes, incômodas. As pessoas se frustram ao perceber que não sou nenhuma gênia ou que, veja bem, sou uma pessoa bastante comum. Sou mulher, o que sempre choca o tipo machista que acha que mulher não é inteligente. Tomo banho (?), gosto de novelas, tenho até tv em casa e não fumo maconha. Não faço parte do movimento estudantil por não me identificar completamente com ele. Quando me perguntam onde estudo e eu simplesmente respondo, não estou me gabando (?). E, pasmem, tem até gente que acha que eu sou “bonita demais” pra estudar na USP. E o curioso é que minha vida inteira, eu nunca “bonita demais” pra nada. Nem mesmo só “bonita”.

É claro que, ainda que tenhamos nossas particularidades, ainda formamos um grupo bastante homogêneo no que diz respeito à cor e à classe social. Isso nada tem a ver com estereótipos. Infelizmente, esta é a realidade percebida nas estatísticas e nos corredores da universidade. É necessário que entendamos que, sim, há algo de muito errado em haver tão poucos negros e tão poucos pobres estudando na USP. Quando percebo que sou provavelmente a pessoa mais pobre da minha sala e que tenho uma vida muito confortável, com os privilégios de estudar em escola particular a vida toda e de poder me dedicar integralmente aos estudos, percebo como a USP é, sim, uma universidade elitista.

Sabemos que tudo isso começa no vestibular, que não é um processo seletivo justo, nem inclusivo, nem na USP, nem em outras universidades públicas e privadas brasileiras. Entretanto, em geral, a reitoria da USP é mais reticente em abrir outras portas de entrada para o universidade ou em tomar medidas que tornem seu vestibular um pouco mais inclusivo, como a adoção de cotas.

Com relação à prova em si, acredito que a maioria dos vestibulandos, mesmo aqueles que não são do estado de São Paulo, já ouviram falar da Fuvest. Isto faz com que a prova também carregue seus mitos e preconceitos. Uma coisa que aprendi estudando e prestando vestibulares é que há muita besteira dita sobre eles (todos eles) por aí. Dizem que basta a gente estudar muito e ser inteligente (não), dizem que a redação vale 50% da nota (não), dizem que existem métodos infalíveis para estudar (não) ou fazer a prova (não) ou escrever a redação (não), etc. Sobre qualquer vestibular, descobri que não é tudo uma questão apenas de esforço ou inteligência, como me faziam acreditar. Além de não termos todos as mesmas oportunidades para estudar e se preparar para a prova, há muitos fatores que podem influenciar no seu desempenho, como o nervosismo.

Sobre a Fuvest, descobri que, ainda que, no geral, costume ser um pouco mais concorrido que outros vestibulares, a relação candidato/vaga varia muito de acordo com o curso. O que também não é dito a muitos vestibulandos é que ela só é relevante verdadeiramente na primeira fase. Para quem não sabe, este vestibular é divido em primeira e segunda fases. Na primeira, todos os candidatos respondem as mesmas 90 questões de múltipla escolha. São chamados para a segunda etapa os x melhores alunos em desempenho de cada curso. Esse valor x é o número de vagas multiplicado por 3. Isso quer dizer que, passada a primeira fase, a concorrência já não é mais importante. A segunda fase é feita em três dias. No primeiro, são respondidas questões dissertativas de língua portuguesa e é redigida uma redação. A redação vale metade da nota da prova de português e não do vestibular todo. No segundo dia, são respondidas questões dissertativas de todas as disciplinas e, no último, questões dissertativas de duas disciplinas específicas para cada curso. As provas não são bichos de sete cabeças, mas não são nada fáceis também. Eu prestei vários vestibulares e as provas da Fuvest foram sempre as mais difíceis que fiz. Mas é claro que esta percepção também passa pelo repertório e pelas características do aluno. Para mim, que tenho facilidade com interpretação de texto e raciocínio lógico, as provas do Enem eram sempre mais fáceis que as provas da Fuvest que, embora exijam estas habilidades também, são muito conteudistas e acabam beneficiando, portanto, candidatos que tenham boa memória.

Estou dizendo isso porque sei que esta imagem que temos da Fuvest e de outros vestibulares pode atrapalhar bastante o processo todo. Eu gostaria que os vestibulandos que lessem este post entendessem que nem tudo o que é dito como verdade universal sobre o vestibular é real, que esta experiência pode ser bastante individual, ainda que tantos colegas possam passar por ela junto ou paralelamente à gente. Portanto, o ideal é trocar ideia, sim, com quem já passou ou está passando por este processo todo, mas tentar deixar de lado todas aquelas ideias pré-concebidas que a gente tem da coisa antes de verificar se é aquilo mesmo.

Passar na Fuvest vai mudar sua vida, sim. Quero dizer com isso que, como qualquer outra coisa que pode acontecer, passar no vestibular (não só na Fuvest) pode mudar muita coisa. No meu caso, passar na Fuvest desencadeou uma série de mudanças. Além de começar um curso de graduação, que pode ser muito diferente do ensino médio, num contexto completamente novo para mim que era o campus universitário, eu tive que me mudar para uma cidade que eu até então não conhecia, onde não vivia nenhum conhecido meu e onde eu passei a morar sozinha.

Eu sei que não é assim com todo mundo. As mudanças que passar no vestibular pode trazer para cada pessoa podem ser maiores ou menores, mais ou menos relevantes. Mas a verdade é que passar no vestibular e iniciar um curso de graduação vai sempre ter suas consequências, assim como arranjar um emprego, começar um curso técnico, ter um filho ou qualquer outra coisa. O que passar no vestibular não significa, entretanto, é que todos os seus problemas estão resolvidos.

Quando eu estava na escola, era muito comum essa ideia de que o vestibular é a linha de chegada, o objetivo final. Ignorava-se completamente que a escola deveria ter outras funções além de treinar os alunos para o vestibular. Ignorava-se completamente que há outros caminhos a se seguir após o fim do ensino médio e que muitos deles não passam pelo vestibular. Ignorava-se também que depois do vestibular há toda uma graduação e uma carreira. E acredito que as coisas não tenham mudado muito.

Eu tinha a impressão de que o vestibular era o maior desafio que eu enfrentaria na minha carreira. Não era só ingenuidade e imaturidade, era a mensagem que me passavam o tempo todo na escola, na tv e nas revistas de adolescentes. Uma vez que passássemos no vestibular da universidade dos sonhos, a vida estava ganha. Depois de 4 ou 5 anos estaríamos com um diploma na mão que abriria todas as portas possíveis para uma carreira de sucesso.

Bullshit.

A impressão que eu tenho é que o vestibular foi um ensaio para o que viria a seguir. Foi um desafio grande, sim. Não vou mentir. Não foi um processo fácil, tranquilo, de boa. Mas foi só o começo. Foi o prenúncio de uma graduação que me desafiaria cada e todo dia.

Para mim, um dos maiores desafios de estudar na USP é a pressão. O nome da instituição pesa nas costas dos alunos todo o tempo. Ele é usado para nos pressionar a melhorar nosso desempenho o tempo todo. Para nos exigir a produção de trabalhos com qualidade profissional ainda que, muitas vezes, estejamos apenas no 1º ou 2º ano. Para nos pressionar a encher nossa agenda já apertada com atividades extracurriculares, especialmente a iniciação científica. Para exigir de nós a produção de TCCs impecáveis, muitas vezes mais elaborados que dissertações de mestrado. Isso tudo faz com que muitos de nós viva sob um estresse absurdo ou que, como no meu caso, se pergunte todos os dias se é bom o suficiente mesmo para estar aqui.

Os professores também sofrem esta pressão. É preciso produzir muito, escrever livros, publicar muitos artigos, dar entrevista pra televisão… Isso faz com que a maioria dos professores coloque todo o seu esforço na pesquisa e deixe o ensino de lado. Muitos professores, embora sejam referência em suas respectivas áreas, não têm boa didática ou simplesmente não se interessam em dar aula e, fazendo-o somente por obrigação, o fazem da maneira mais preguiçosa possível. Muitas vezes, aprendemos mais fora da sala de aula, seja estudando sozinhos, seja em atividades extracurriculares, seja, até mesmo, tirando dúvidas com esses mesmos professores em suas salas ou corredores. Por um lado, acho isso ótimo e muito mais enriquecedor, mas não é fácil, especialmente quando você tem um excesso de créditos para cumprir.

Outra dificuldade que enfrentamos aqui (e em qualquer lugar, né?) é a tal da burocracia. Além do tempo perdido levando, trazendo, xerocando, assinando e autenticando papéis, ainda temos que nos virar nos 30 para adaptar a nossa agenda ao horário de funcionamento dos serviços dentro do campus que, muitas vezes, consiste em poucas horas geralmente coincidentes com os horários das aulas.

Não tenho o que reclamar das bibliotecas, entretanto. Os horários de funcionamento costumam ser amplos, os acervos completos e o sistema, veja só, funciona muito bem. Os RUs ou bandejões, por sua vez, são um pouco mais problemáticos. Muitas vezes, eles não atendem à demanda e a comida está longe de ser deliciosa. Por outro lado, o preço é muito bom e facilita horrores a vida poder almoçar dentro do campus. O ônibus já é uma questão mais local e não sei como funciona o transporte nas outras cidades. Aqui, temos dois campi e alguns ônibus que fazem o transporte intercampi. Eu, como não tenho carro e faço a maioria esmagadora das minhas disciplinas no campus 2, onde fica o prédio do meu curso, sou dependente do ônibus. Esse serviço também tem problemas. Muitos. Há poucos horários disponíveis e os ônibus não suprem a demanda nos horários de pico. Apesar disso tudo, vale aquela máxima: ruim com eles, (muito) pior sem eles. Desde que vim pra cá, ficamos sem esses serviços algumas vezes e foi sempre problemático.

Outra questão importante é a segurança. Há uma discussão importante sobre o policiamento dentro dos campi. Se, por um lado, achamos que isso pode tornar os campi mais seguros, temos nossas dúvidas se a polícia seria utilizada somente para coibir a violência ou se ela interferiria em outras coisas, como as manifestações dos estudantes. Também há uma discussão sobre o controle da entrada das pessoas nos campi. O ideal é que as universidades interagissem com as cidades onde estão, que os moradores também pudessem desfrutar dos campi. Não é bem o que acontece. Por questões de segurança, nossos campi em São Carlos tem grades e controle da entrada de veículos. Ainda assim, ocorrem roubos e assaltos frequentes dentro dos campi e, há um ano, houve o caso de um tiroteio no alojamento daqui. Além disso, o entorno do campus 1 daqui é uma das áreas com maior número de assaltos da cidade e, em geral, as vítimas são os estudantes, que não costumam ter muito dinheiro consigo, mas em geral andam com bons celulares e seus notebooks.

Eu poderia falar aqui sobre outras dificuldades, mas acredito que essas são as principais. O intuito desse post não é dizer que não é legal ser estudante da USP. Apesar de tudo, eu adoro estudar aqui e acho que aprendi demais, muito mais do que eu esperava, apesar das dificuldades todas e, muitas vezes, justamente por causa delas. Acho que eu só queria desmistificar algumas coisas, especialmente para aqueles que estão prestando vestibular agora e têm aquela ilusão que eu também tive de que as coisas ficam mais fáceis depois do vestibular. Existe vida depois da Fuvest, sim. E ela pode ser maravilhosa, mas não é fácil.

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15 comentários sobre “Existe vida depois da Fuvest?

  1. Dani,
    acredito que há uma elevação das coisas, algo a ser superestimado. E também as decepções que encontramos pelo caminho – o que é um processo “natural”, coum, dadas as problemáticas do brasil em todas as vertentes de ensino.
    Não penso em fazer faculdade porque sempre imagino que a educação formal não é para mim, o que eu quero não está em uma universidade. Às vezes é triste pensar desse jeito eu sei. Ainda pareço uma jovem sem rumo – provavelmente sou, ainda.
    Logo, não tenho cacife para debater isso.
    Beijão.

  2. Gostei muito da consistência do post. São coisas que eu já tinha ouvido falar, mas nunca assim, de uma vez em um blog. Sempre estudei em universidade particular e lá dentro também fermentam esses mitos sobre coisas como “padrão USP”. Já dei aula para os alunos do vestibular FUVEST, e boa parte estava prestes a enlouquecer se não passasse na USP porque acreditava que isso resolveria suas vidas. Eu contava algumas experiências que tive para que pudessem perceber que ser universitário vai ser algo de bastante empenho e que podemos passar para uma rotina cheia de pressão, por exemplo.

  3. Concordo, USP é uma coisa que gera diferentes reações nas pessoas. Desde de inveja à agressividade mesmo, ou de achar que você é de esquerda, maconheira, vai à aula de chinelo, aquelas coisas.

    Eu não fiz graduação na USP, mas faço mestrado no IGc e muita gente, quando soube disso, começou a me olhar de maneira diferente. Alguns se perguntaram o que eu fiz pra entrar, já que venho de uma particular (fui bolsista integral) e, automaticamente, muita gente achou que eu não tinha “capacidade” de entrar numa USP. Fiz teste de inglês, fiz prova escrita, tinha orientadora, fiz o caminho que todo mundo faz, ué. Existe um preconceito de uspianos com gente de fora, porém senti mais preconceito com alunos de outras instituições que foram pra USP estudar. Um deles chegou a me dizer que eu era mal formada (por vir de uma particular) e que eu não deveria tentar pós lá.

  4. Antes de ler sua última frase, tive exatamente essa mesma conclusão. Acho que se mudarmos o nome da USP pra sigla de qualquer outra universidade pública do país, só vai mudar o fato de que ela é, de fato, a mais conhecida do país. De resto, a experiência é praticamente a mesma. As pessoas que estão de fora, principalmente quem está no ensino médio ou faz cursinho, tende a achar que a universidade é a solução pra todos os seus problemas e que tudo vai se resolver, ser mais fácil e melhor quando passar a agonia do vestibular. Eu tenho tanta dó dessas pessoas HAHAHAHA

    Ok que eu prefiro mil vezes mais a vida de universitária, e não tenho essas fantasias de voltar ao ensino médio. Estou muito bem onde estou, obrigada. Mas rolou um baque inicial de perceber que as coisas não seriam aquele mar de rosas, e que eu precisaria correr muito mais atrás das coisas se quisesse sobreviver no curso. Pra quem, como eu, que estudou em escola particular a vida toda, o encontro com as burocracias e a dinâmica do serviço público foram um choque inicial, e embora esses detalhes atrapalhem muito nossa vida de vez em quando, acho que é algo que a gente vai aprendendo a conviver. Ninguém vai morrer por conta disso, basta ficar espero.

    O mesmo com professores. Acho engraçado que os professores mais qualificados que tive foram sempre os piores dentro de sala de aula. Lembro de um bambambam da História que adorava dizer que era PHD, que estou vinte anos na Itália, que tinha sete livros publicados, etc, etc, mas que chegava na sala de aula e ficava três horários seguidos LENDO SLIDE. É uma decepção, mas acontece, e a gente acaba se acostumando.

    Enfim, acho que a vida em toda universidade tem seus benefícios e dificuldades, e acho que esse é o momento da vida onde a responsabilidade de fazer isso valer a pena, independentemente de qual o sentido, fica mais sobre as costas do aluno. Pode ser uma experiência incrível ou um pesadelo, vai da forma como encaramos tudo.

    Beijos!

  5. Ei Dani :)
    Achei ótimo seu post, porque pra quem passou todos os anos de colégio em São Paulo, a USP significa muita, muita coisa. No fim tive que me mudar pra Curitiba e nem prestei a FUVEST, mas me lembro da Analu adolescente vivendo o sonho dourado de estudar ali. Concordo com o que você e Anna disseram: A diferença básica deve ser que ela é mesmo a mais conhecida do Brasil.
    Beijos!

  6. Primeiro, gostei bastante do texto. Super esclarecedor, principalmente para adolescentes em fase pré-USP.

    Segundo, não concordo quando a Nina fala (lá no primeiro comentário) que parece triste não querer cursar uma universidade. Não é nada triste, é uma questão de escolha. Passei a vida toda ouvindo do meu pai que eu e meu irmão precisávamos ter um curso superior para ser “alguém na vida”, quando para ser alguém na vida, basta nascer. Se ela acha que não deve fazer, então não faz. As respostas para a vida e para a felicidade não estão nos cursos superiores. Lá só está o diploma que PROVAVELMENTE, coisa de 0,00001%, vai te deixar rico. Que é isso que nossos pais (~e nós mesmos~) esperam da gente, convenhamos.

    Terceiro, meu irmão já passou por 3 instituições públicas. Estudou Matemática na Federal Rural (trancou no 2º ano), terminou Mecânica Industrial no Instituto Federal (CEFET em alguns lugares, aqui trocou de nome há uns anos) e agora faz Economia na Federal. Eu posso te dizer com propriedade que se ouvi meu irmão elogiar 4 professores nesse tempo todo, ouvi muito. Todos os dias ele reclamava da total falta de didática e de comprometimento dos professores. Que acham que ler slide e jogar assunto no ar, para que os alunos “se virem”, atesta o “padrão federal”.

    Quarto, também já passei por certas situações, assim como a Lady falou em outro comentário, por ser aluna de faculdade particular. Alguns amigos me olham torto quando me perguntam onde estou estudando agora, já que eles, inteligentíssimos, estão na federal. Lembro da escola, quando todos corriam atrás dos meus trabalhos, sempre prontos, e faziam questão de sentar perto de mim nas provas (né?). Hoje eu sou a burra por não mais insistir em passar por um processo desumano, idiota e retrogrado que é o vestibular. Se eu te disser que nunca mais tentarei entrar numa universidade pública, estarei mentindo. Até porque tenho muita vontade de estudar coisas que eu acho interessante como história, filosofia. Te garanto que não é porque “É Federal/Estadual”, mas somente por não ter que pagar uma mensalidade. Não acredito que os alunos das federais e estaduais sejam mais inteligentes do que os que estão nas particulares, quiçá mais talentosos. Mas é essa a certeza que alguns alunos dessas grandes instituições têm: de que eles são melhores e gozam de particularidades que nós, pobres mortais que gastamos todo o salário em mensalidade, nunca conseguiremos.

    Enfim, Dani, escrevi uma carta hahahaha! Desculpa, mas é porque esse assunto muito me incomoda.
    Beijões!

  7. Bom,

    Pra mim a Universidade Pública é um mito e a USP é só um mito muito maior.
    O seu relato é o que ocorre em qualquer instuição pública, não tem, realmente, nenhuma diferença.
    A questão é: não há produção científica no Brasil, sempre importamos tecnologias, políticas públicas, marcos teóricos etc; e a USP foi e ainda é referência nesse sentido, tanto no fluxo de pesquisa, quanto em ter “dado a partida”. Referência essa comparada a insipiente produção no restante do país e uma América Latina que investe muito em educação.
    Em todo caso, um conto de fadas que deixa o currículo mais lindo.

    Hasta.

  8. Meu namorado (agora ex, mas ainda é estranho dizer isso) é aluno da USP, acho que 5° ano de sistemas. Então, vi ele passar na prova, entrar e chegar até aqui com muitas dificuldades. Ele não tem o “estereótipo”, ou melhor os vários estereótipos, tipo, no campus dele os alunos de sistemas tem cara de NERD mesmo e não namoram hahah
    Enfim, eu entendo seu ponto de vista por tudo que vi ele passar e me contar. Sempre que conheci um aluno da USP foi meio doidinho mesmo, meio bicho grilo haahah. Mas acho que o que predomina mesmo é a diversidade, como vc citou, basta a gente olhar direito, olhar de perto.

  9. Menina, não sabia como as coisas funcionavam por aí, super imagino a dificuldade. Aqui acontece quase o mesmo por conta da UFC. Todos querem entrar, todos querem ser o alunos da UFC, porque a UFC é foda, é isso e aquilo, mas sempre rola um preconceito com a faculdade porque sempre dizem que quem entra lá fuma maconha, é filhinho de papai ou rebelde sem causa, ou isso ou aquilo. Pensei que esse tipo de dificuldade só acontecesse por aqui mas pelo que li, acontece em todo lugar, uns com mais outros com menos frequencia =)
    Parabéns pela postagem
    BlogInstagram

  10. Acho que isso rola em todas as faculdades, ia falar que rola sempre em pública, mas em privada tb. Minha hermana estudava em privada e sempre reclamava.. Reclamações diferentes que as da minha outra irmã e das minhas, mas ainda assim reclamações.

    E estereótipo também rola. Acho que estereótipos diferentes pra pública e privada…
    O da USP cai muito bem para mim e minha irmã que somos de federais. Um porre isso, porque somos tão diferentes que é impossível nos encaixarmos num mesmo rótulo.

    Agora o bandeijão.. Estou me formando e isso ainda é uma promessa do reitor acompanhada de um prédio pronto porém fechado. E minha irmã que estuda numa cidade universitária sofre com a segurança também, porque mesmo tendo polícia federal lá dentro ainda assim rola assalto e bah com certa frequência.

    Agora isso de adolescente que está prestando vestibular achar que entrou acabaram os problemas é sonho!
    Quisera nós né? hsahsuahsauhsuahusa

  11. Gostei do relato, seria muito legal se você pudesse fazer mais posts sobre a vida universitária. Sou um vestibulando esperando o resultado da Fuvest… valeu ;

  12. Daniela, eu AMEI o seu post! eu passei pra medicina agora em uma particular da minha cidade e eu realmente estou pensando em nao cursar pra tentar a usp (to 70986% perdida em relaçao ao que fazer com minha vida hahah)… vc pode escrever mais sobre como é estudar na usp?!

  13. Interessante o seu relato, de fato acho que a USP não é pra mim, eu sou muito independente, lobo solitário, portanto não gostaria de ter um professor no meu pé me fazendo pressão. Vou fazer uma faculdade EAD já que sou auto-didata por natureza. Acredito que farei na UNIP e sei que as pessoas irão olhar torto pra mim quando eu disser onde estudo, mas tudo bem, afinal sou um lobo solitário não é mesmo?

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