Reflexões sobre planos, metas e imprevistos

Sou dessas pessoas que gostam de fazer planos, mas devo confessar que, nos últimos anos, perdi o gosto pela coisa. Planos frustrados são uma das coisas que mais me incomodam na vida e, depois de me estressar mais do que é saudável muitas vezes, decidi que eu planejaria menos. Hoje, quando me perguntam como eu me vejo daqui a 5 ou 10 anos, minha resposta é vaga. Espero ser independente financeiramente, ter uma vida confortável e trabalhar na área em que escolhi. Minhas escolhas hoje visam esses desejos futuros, mas não mais perco meu tempo planejando detalhes de uma vida que eu provavelmente não viverei porque há muito acontecendo entre hoje e amanhã. Tenho procurado um equilíbrio entre viver o presente e planejar o futuro, reduzindo os arrependimentos, as decisões equivocadas e as frustrações. Nesse sentido, para quem tem tentado fazer a mesma coisa, os livros GTD – A Arte de Fazer Acontecer, do David Allen e Vida Organizada, da Thais Godinho me ajudaram um bocado. (Em tempo, escrevi sobre o GTD e resenhei o livro da Thais lá na Revista 21.)

Mesmo tendo “me desapegado” de planejar mais detalhadamente a longo prazo, continuo cometendo erros ao lidar com meu futuro próximo. Às vezes, o erro é exatamente esse: planejar tudo nos mínimos detalhes, sendo inflexível e não me permitindo espaço de manobra para imprevistos e mudanças de ideia. Ora, isso não é ser organizada. Eu entendo que eu, como muita gente, aprendi que ser organizado é ter um guarda-roupa de Pinterest milimetricamente arrumado e uma agenda lotada, com cada minuto do seu dia planejado. Passei minha adolescência toda achando que era bagunceira porque eu não era como a gêmea Olsen maníaca por organização de New York Minute, que tinha horário marcado até para ir no banheiro. Esse método pode até funcionar para alguém (será?), mas nunca funcionou para mim, nem para ninguém que eu conheço. Porque imprevistos acontecem o tempo todo, porque o mundo não está nem aí para a sua agenda e para os seus planos. Hoje, todo mundo está ocupado o tempo todo (e tem um orgulho preocupante disso) e mais preocupado com seu próprio umbigo tempo. Embora isso seja bastante óbvio, nem sempre pensamos assim e, com frequência, caímos no erro do overplanning, que vai trazer, provavelmente, frustração em algum nível.

Outro erro que tenho cometido é planejar coisas em excesso. Não falo de colocar horário para tudo e ser inflexível com a agenda, mas sim de abocanhar mais do que conseguido engolir, sabem? Eu já evoluí muito nesse sentido, aprendendo a dizer “não” e deixando de assumir compromissos e tarefas que eu não precisava assumir e que só me consumiriam tempo e energia. Ainda assim, quero fazer coisas em excesso por mim mesma. Caio no erro de ver colegas que tem um horário tão complicado quanto o meu na faculdade (ou não) fazendo mil atividades extracurriculares e quero fazer o mesmo, desconsiderando as particularidades de cada um. Comparar-se com os outros é sempre frustrante porque temos essa impressão boba de que todo mundo é melhor e de que é tudo mais fácil para os outros. Às vezes, pode até ser verdade, mas não é uma regra e não vale a pena ficar pensando nisso. É importante saber olhar para si mesmo, conhecer seus pontos fortes e suas limitações.

Falando em abocanhar mais do que se consegue engolir, me lembro das 14 coisas para ser em 2014. Para quem não sabe, no começo desse ano, participei de uma das blogagens coletivas do Rotaroots em que a gente listava 14 coisas que queríamos ser em 2014. Na hora, achei o máximo, uma ideia genial. Listar 14 coisas que queremos ser num ano novo é muito fácil, afinal estamos sempre querendo melhorar. A questão é que é muito complicado colocar tudo em prática depois. Eu, que sempre evitei fazer resoluções de ano novo, acabei as fazendo sob outro nome e frustrando-me durante o ano todo por que não conseguir cumpri-las. Decidi escrever no blog, mensalmente, minha evolução com relação a cada item e o resultado foram posts e mais posts justificando o que eu considerava um fracasso. Quase ninguém lia esses textos e, ainda assim, eu me sentia envergonhada em assumir aqui no blog que, mais uma vez, eu sucumbi a ansiedade e roí as unhas ou que meu TCC não evoluía (mesmo que a culpa nem sempre fosse minha).

Com relação àquelas metas, a verdade é que eu continuo sedentária e me alimentando tão mal (ou tão bem) quanto no início deste ano. Não emagreci, não engordei. Continuo tendo os mesmos problemas de autoestima que me levaram a mascarar minhas metas com a velha desculpa da saúde (que anda muito bem, obrigada). Mas não vou me sentir mal por me sentir mal com meu corpo porque sei que se libertar dos padrões de beleza é mais uma das difíceis lutas diárias de se ser mulher e que, embora eu ainda sofra com isso, já evoluí muito. Tenho, inclusive, cuidado melhor de mim mesma, passando meus creminhos cheirosos e me divertindo com a rotina de beleza. Minha ansiedade continua firme e forte, me atormentando tanto quanto pode, mas ela sabe que continuarei tentando reduzi-la sempre, tanto quanto posso. Continuo roendo as unhas e talvez eu tenha, novamente, desistido temporariamente de parar. Muitas vezes, acredito que não valha o esforço. Não consegui defender meu TCC esse ano, como planejado, mas não há problema em defende-lo no ano que vem. Tenho conseguido ser mais monotarefa e, sempre que consigo, minha produtividade é bastante alta, o que é muito motivador. Reduzi bastante meus gastos e tenho sido mais consciente com as minhas compras. Continuo fazendo destralhamento regularmente e sinto que posso me considerar uma pessoa minimalista. Voltei a dirigir esse ano e, embora eu me sinta desmotivada com frequência, já me sinto mais confiante. Apesar de ter tido fases menos movimentadas no blog, acredito que a frequência de posts tenha sido bacana e estou bastante feliz em estar dando conta de postar diariamente aqui em dezembro. Na Revista 21, minha participação continua mais tímida do que eu gostaria. Tenho lido bastante e acredito que conseguirei cumprir minha modesta meta de 12 livros lidos esse ano. Por fim, termino esse ano me reconhecendo, de fato, mais tolerante.

Não sei qual será a impressão de vocês lendo esse parágrafo, mas refletindo aqui sobre tudo isso, acho que, no final, o resultado foi positivo. Posso não ter conseguido fazer as coisas como queria, mas aprendi bastante nesse processo e acredito que poderei tomar decisões mais acertadas e planejar com mais inteligência daqui em diante.

Sei que o post de hoje pode parecer confuso, mas não quis elaborar muito. Minha intenção era essa mesma, refletir junto com vocês sobre esses assuntos que gostam de bater na nossa porta agora no final do ano e agora quero saber o que vocês pensam, como vocês se planejam e se vocês fizeram resoluções ou algo do tipo para esse ano. Não deixem de comentar!

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Um comentário sobre “Reflexões sobre planos, metas e imprevistos

  1. Oi, Dani linda! <3

    Você sabe que qualquer coisa sobre esse tipo de assunto é algo do qual eu amo falar e você comentar tanto isso é uma das razões pelas quais eu me identifico tanto com você – isso e a ansiedade e o hábito de roer as unhas e não estar feliz com seu próprio corpo e se cobrar por metas não atingidas que no fim nem eram tão boas assim e tudo o mais. Ufa! Sim, a gente é parecida.

    Mas, vamos ao assunto em pauta: resoluções. Não cumpri as minhas e, obviamente, nunca cumpro e nunca sei porque faço esse tipo de coisa em primeiro lugar. É simplesmente muita arrogância nossa achar que temos total controle sobre a nossa vida e sobre todas as variáveis que atuam nela. Você pode querer muito começar uma pós ano que vem, mas pode ser que por x motivos você não consiga fazer uma – e não tem mesmo porque se martirizar por isso. Por um lado, gosto de fazer porque, quando eu olho pra trás, eu gosto de comparar com o que eu quero atualmente e ver que, graças a Deus, a gente cresce e evolui e aquilo que parecia tão importante há 1, dois anos atrás, não faz o menor sentido agora. Eu, particularmente, tento entender que eu mudo, minhas prioridades mudam e agora, para mim, é muito mais interessante dormir ou ficar jogada na cama lendo do que sair sempre impecável de casa todos os dias. Mas, de vez em quando, caio também na armadilha de me comparar aos outros e termino achando que também tô fazendo merda com a minha vida. Enfim, impossível não se sentir errada, se comparando com pessoas que, mesmo que sejam parecidas, não são você.

    Então concluo que uma lista de desejos pra um novo ano é uma tarefa legal de se fazer, se você não se cobrar para levar todos esses desejos pra frente. Acho que seria muito mais legal a gente elaborar uma lista de ideias, e não de resoluções ou desejos. Porque aí, quando a gente tiver afim, a gente pode dar uma checada e pensar: 'hmm, realmente, acho que isso seria muito legal, agora'. Sem a pressão, sabe? Aí uma ou outra coisa podem acontecer, outras podem não parecer tão importantes no andar da carruagem e muitas coisas simplesmente não são possíveis. Fazer o quê? Somos todos humanos e, mais importante de tudo, somos jovens e, até que nosso corpo nos diga o contrário, temos todo o tempo do mundo. Hoje em dia há uma cobrança absurda que todo mundo já seja bem sucedido aos 30 anos de idade. GENTE? 30 anos tem gente que mal terminou a faculdade ainda. Cada passo é um passo, vamos com calma.

    Enfim, é isso. Então que tal nos jogarmos numa lista de ~~sugestões~~ que podemos ou não acatar no próximo ano? Muito mais legal e muito mais divertido, só pelo prazer de imaginar planos e fazer listas. Mas a gente vai ter que realmente relaxar e não se pressionar, oraite?

    Bjs!

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