Quarta-feira da depressão

Nunca tive problemas com as segundas-feiras. Eu quero dizer, nunca odiei as segundas simplesmente por serem segundas e, inclusive, já falei aqui no blog sobre isso. Acho bobagem essa negatividade em torno de um dia da semana. Reviro os olhos sempre que alguém reclama das segundas. Mas eu me tornei uma dessas pessoas. Só que minha segunda é a quarta-feira.

(Parênteses: já odiei as segundas-feiras durante dois períodos na faculdade. Em um deles, eu tinha aula das 8 às 21h três vezes por semana, sendo a segunda-feira o pior deles, já que eu tinha três aulas (de 100 minutos cada) da disciplina mais temida do meu curso – geralmente sendo duas delas de trabalho pesado, no laboratório ou no papel mesmo -, uma aula meio desnecessaura, geralmente em campo, sempre cansativa, e, para terminar com chave de ouro, uma aula à noite de cálculo 2 porque desgraça pouca é bobagem. No outro semestre, eu tinha aula o dia todo (das 9 às 18h) com o mesmo professor, que dava uma aula bastante interativa, mas que acabava sendo extremamente cansativa por serem tantas horas seguidas. Portanto, eu tinha motivos de sobra para odiar as segundas-feiras. E, ainda assim, eu não xingava muito no Twitter.)

Digo que me tornei uma dessas pessoas, mas acho que a sementinha do ódio à quarta-feira sempre esteve dentro de mim. Foi em algum ano do ensino médio – talvez do fundamental – quando Lari apontou que nossas quartas-feiras eram sempre “ruins” na escola. Isso porque as piores aulas – ou a pior combinação de aulas – eram sempre nesse dia.

Naquele momento, declarei que não gostava de quartas-feiras. Lembro de os anos seguintes confirmarem a teoria de Lari e reforçarem o desgosto. Com o fim da escola, estudando sozinha, decidi que quarta-feira seria um dia bom e o separei para estudar minhas disciplinas favoritas (naquela época). (Já falei sobre isso naquele post sobre como eu organizava meu tempo quando estudei para o vestibular em casa.) Mais tarde, na faculdade, tive quartas-feiras bacanas – como aquela em que eu tinha a tarde livre – e tive dias da semana que marcaram por serem tensos, como as segundas-feiras citadas nos parênteses depois do primeiro parágrafo, ou a quinta-feira do estressante lab de física no primeiro ano. A birra da quarta-feira havia passado, até esse semestre.

Já disse que esse finalzinho de curso está sendo bizarro. Meu ano passado foi marcado por um horário esquisito na faculdade, com aulas em turmas que não são a minha, mas que têm tanta gente da minha, que parece a minha (?) e com janelas em horários que não ajudavam muito e que até mesmo atrapalhavam. Esse semestre tem sido um pouco assim também. Faço apenas duas disciplinas, ambas na terça-feira, e isso significa que tenho seis dias “livres” na semana. Quando me lembro que já tive praticamente zero dias livres numa semana, me pergunto porque é mesmo que estou reclamando e odiando tanto esse semestre. Mas estou. Não estou sabendo lidar. Socorro.

Lembro dos períodos f*didos e em como lidei razoavelmente bem com todos eles e não compreendo. Lembro de como eu chegava cansada de ficar fora de casa das 7 às 22h, tomava um banho e ia estudar álgebra linear antes de dormir e não compreendo. Lembro de como eu chegava depois de viajar quase seis horas de ônibus no domingo às 23h e ia limpar o apartamento e não compreendo. Lembro de como eu tinha aulas a semana toda na faculdade, aula de espanhol no sábado e passava o domingo todo viajando, faxinando e estudando e não compreendo. Lembro de como eu acordava todos os dias às 5h da manhã e saía para a aula com vários itens da to do list já feitos e não compreendo. Me pergunto o que aconteceu, se estou menos resistente, mais preguiçosa, menos organizada e não compreendo. A gente não deveria evoluir?

Eu esperava que eu estivesse tendo um desses semestres em que o tempo falta e a gente faz malabarismos para dar conta de tudo, mas se sente realizado e feliz com o cansaço porque sente que ele vale a pena, porque estamos no caminho que queríamos, trabalhando no nosso sonho. Era esse o sentimento nos períodos mais tensos da faculdade. Era esse o sentimento que eu queria experimentar agora, de novo, só que com novidades além das que cada período novo com suas disciplinas novas trazia. Eu queria estar estagiando, chegando cansada em casa e tendo que limpar o apartamento, ou ler os textos para a matéria de Instrumentos de Política Ambiental, ou escrever mais um página do TCC, ou qualquer outra coisa, mas me sentindo satisfeita em estar aprendendo, caminhando, evoluindo. Sei que as disciplinas que estou fazendo e meu trabalho de graduação também fazem parte dessa caminhada, que também estou aprendendo, caminhando e evoluindo com eles. Sei que deveria estar satisfeita em ter tempo para me dedicar a eles, enquanto o estágio não vem. Sei que deveria estar feliz em não estar mais me sentindo pressionada a terminar a graduação logo e que deveria simplesmente encarar esse final de curso com mais leveza, mas não consigo.

Não bem sei porque não tenho sabido lidar com todo esse tempo livre e porque tenho me sentido tão mal nas quartas-feiras. Lembro de adorar aquele semestre em que tinha a tarde de quarta livre, porque aquilo era um respiro em meio à rotina puxada. Era uma tarde em que eu podia escolher entre estudar ou assistir a Sessão da Tarde, era um dia em que eu tinha mais autonomia sobre meu tempo. Lembro de adorar isso quando estudava sozinha para o vestibular e podia montar meus próprios horários. Hoje, minha quarta toda livre não é um respiro. Tenho muito tempo à minha disposição, durante toda a semana. Também tenho muito o que fazer, mas com um pouco de organização, só um pouco, meu tempo e minhas tarefas e compromissos são compatíveis, se encaixam. Não é preciso acordar todos os dias às 5h da manhã, nem fazer faxina às 11h da noite. Não é preciso fazer trabalhos no ônibus com o notebook no colo (e sentindo náusea). Não é preciso dormir apenas quatro horas por noite, nem manter um estoque de RedBull na geladeira. Era pra estar sendo tranquilo. Fácil, não. Nunca foi, nunca será. Mas tranquilo.

O que começou com um texto sobre como tenho odiado minhas quartas-feiras, esses dias em que acordo cansada e desmotivada, acabou se tornando um grande desabafo. A você, que leu até aqui, meu obrigada e minhas desculpas por não oferecer nada melhor hoje. Quem sabe amanhã?


Crédito da foto do topo: Ed Gregory

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3 comentários sobre “Quarta-feira da depressão

  1. Nossa Dani, que triste! Eu sempre amei as quartas feiras, principalmente porque eram os dias que eu ia pro meu curso de desenho, porque no dia seguinte eu teria aulas de inglês – que eu amo e sempre amei – que depois foram pro sábado e eu não ligava de acordar às 7 da manhã pra estar às 8 na aula.

    Mas acho que o problema em si não é mais a quarta feira né? É toda a rotina! Mas respira e sei lá, tenta fazer alguma coisa pra se distrair, algo que tome uma tarde inteira e mesmo que não te deixe cansada fisicamente exija mais da sua mente, porque não sei você… Mas pra mim exaustão mental é bem mais efetiva do que a física para uma boa noite de sono.
    Eu particularmente amo esses desabafos, é nessas pequenas coisas que a gente encontra nossos semelhantes! Força moça! Espero que as coisas melhorem pra ti.

    Um beijo!

  2. Oi Daniela, tudo bem?
    Acho que o que está acontecendo com você é completamente normal. E acredito que o tempo ociosos é que te incomoda, posso estar errada mas acho que você gosta de ver seu tempo tendo um proposito. Espero que as coisas melhorem, e as quartas não sejam tão ruins.
    Abraços, e foi um prazer conhecer seu blog.
    Amanda Almeida
    http://amanda-almeida.com.br

  3. Dani, primeiramente: como assim eu não sabia que você estuda em São Carlos? :o acabei de me mudar pra cá hauahuahu enfim, eu mal comecei a faculdade por aqui e já estou com saudades de todo o gás que tinha no ensino médio pra ficar na escola das 6 da manhã as 7 da noite e chegar em casa e fazer exercícios ainda. Mas acho que esse momento de tranquilidade que você está vivendo é uma consequência de toda a loucura que você viveu em momentos passados. Uma hora a gente tem que sossegar, mesmo que seja só um pouco, né? hahahah tenta aproveitar esse período pra sei lá voltar a fazer algo que você gostava de fazer e não tinha tempo ou quem sabe até pra aprender algo novo.
    Ah, ironicamente, quarta feira é um dos meus dias favoritos ahuahau
    beijos!

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