Quase diário de um domingo quase normal

Era um domingo normal. Desses em que, enquanto a timeline posta fotos de passeios incríveis e almoços em família ou reclama do tédio e do Faustão, eu estou vivendo praticamente uma segunda-feira. É o único dia da semana em que tenho uma rotina mais ou menos definida há alguns anos. Alguns detalhes mudam, mas, em geral, me levanto e me arrumo, termino de fazer minha mala, me despeço de Íris, a cã, e dos meus pais, pego o mesmo ônibus de sempre (geralmente atrasado), fico na expectativa se terei tempo de comprar alguma coisa para comer na rodoviária. Almoço um salgado ou um sanduíche ou apenas um suco em dias de estômago ruim (quase todos) esperando pelo segundo ônibus ou, muitas vezes, já dentro dele. Chego em São Carlos faminta e venho para casa sentindo o cheiro de almoço nas repúblicas e restaurantes. Quando passo pelo McDonalds, sinto vontade de entrar e levar um lanche para casa. Resisto bravamente. Quando passo pelo Habibs, sinto vontade de entrar e levar esfihas para casa. Penso que posso fazer isso no dia seguinte, em que tem “bibsfiha em dobro”. (Nunca faço.) Chego no apartamento, geralmente morrendo de vontade de fazer xixi, largo a mala (geralmente uma mochila) e a bolsa no sofá, corro para o banheiro (too much information?). Abro as janelas, envio um sms para meus pais avisando que cheguei bem. Bebo água, verifico o que tem na geladeira e vou para a padaria. Volto para casa, como. Limpo o apartamento às vezes ouvindo o jogo, às vezes ouvindo música. Tomo um banho. Às vezes, peço um China in Box. Às vezes, faço algum trabalho da faculdade. Minhas noites de domingo, sim, variam.

Qual é a relevância disso? Nenhuma, só queria escrever mesmo.

Pois bem, esse domingo também foi um desses normais, até eu ir na padaria. Confesso que fiquei felizona de vê-la aberta porque comer é meu esporte favorito e a padaria tem muito mais opções que a conveniência do posto de gasolina na outra esquina. (Vale dizer que os supermercados próximos da minha casa não abrem no domingo à tarde, o que é uma pena.) Na semana passada, não abriram a padaria no domingo. Na segunda, a dona me disse que é porque desde que assaltaram a padaria à mão armada e tudo o mais, eles estão muito receosos e decidiram fechar por causa das manifestações do domingo passado. O medo é que ocorresse alguma confusão e aproveitassem a situação para saquear a padaria ou algo assim. Mas nesse domingo abriram.

ff823-f673b1302fc4b240d56c318e422e3dda

Adoro o horário que vou à padaria aos domingos porque é sempre muito tranquilo, tem pouco movimento e consigo ir, fazer minha compra e voltar em menos de 15 minutos. Dessa vez, não foi tão rápido. Quando cheguei, um casal já estava fazendo sua compra. Uma comprona, diga-se de passagem. Pediram vários tipos de pães, presunto, mussarela, mortadela, bomba de chocolate e pão de queijo. Pegaram refrigerante e outras coisas na geladeira. Eram o tipo de gente que já não gosto logo de cara por serem espaçosos. Odeio gente que chega e já ocupa o ambiente todo, mobiliza todos os funcionários e fazem a loja trabalhar para eles. Odeio gente que fala alto, não chega com seu imenso pedido na ponta da língua e acham que estão em casa. Posso até ser facilmente irritável, mas essa gente certamente não ajuda.

1ab6a-angry

Depois de embalar metade da loja para eles, a atendente do balcão achou que o pedido havia acabado e me atendeu. A moça do casal achou ruim porque eles ainda não haviam terminado e fez um “bico do tamanho de uma semana”, como dizia minha mãe, quando a balconista disse que terminaria meu pedido antes de voltar a atende-la. Peguei meu lanchinho, uma Coca na geladeira e fui para o caixa, que estava ocupado com as compras deles. A moça do caixa disse que passaria minhas coisas, mas o cara não aceitou. Eu tinha apenas dois produtos, a namorada (ou sei lá o que) dele ainda estava no balcão pegando mais coisas e ele disse que “não, não, não, a gente chegou primeiro”. Eu disse que tudo bem, que não me importava em esperar e percebi o constrangimento da moça do caixa, que sempre me atendeu tão bem e não estava sabendo lidar com aqueles dois. Aliás, ninguém estava.

Enquanto eu refletia sobre como as pessoas são rudes e em como o imenso “gentileza gera gentileza” na parede da padaria era ignorado, a moça do caixa passava a compra do casal espaçoso. “R$98,45, senhor”. O moço abriu a carteira, pegou um cartão e entregou para a caixa. Enquanto isso, sua companheira pegava as sacolas e ia para o carro. “Ahn, deu recusado, senhor” “Ah, devo ter pego o cartão errado! Vou no carro buscar”.

O resto vocês já devem imaginar.

(É claro que eles não voltaram. Mas pelo menos desocuparam o caixa pra eu pagar minha torta de brócolis.)

Joey não entendeu o propósito deste post. Nem eu.
Anúncios

4 comentários sobre “Quase diário de um domingo quase normal

  1. Nossa Dani, eu tenho PAVOR de gente sem educação. É o tipo de coisa que acaba com meu dia na hora, sabe? Não sei lidar. Nesse fim de semana mesmo passei por uma situação dessas. Fui no cinema e quando o filme acabou o shopping já tava praticamente todo fechado, até a praça de alimentação. Tinha um McDonalds sobrevivente e eu fui lá porque precisava comer um docinho, hahaha. Mas como tava tudo fechado, todas as pessoas foram fazer a mesma coisa. Aí que na minha frente tinham dois casais juntos, que estavam decidindo o que iam pedir ao mesmo tempo que o moço mexia no celular e conversava um papo nada a ver com as pessoas, fingindo que a moça do caixa não existia enquanto a namorada dele dizia: SORVETE DE CHOCOLATE… NÃO, PERA, BAUNILHA… NÃO, CANCELA O SUNDAE, QUERO CASQUINHA… AIN, MAS TEM SUNDAE DE MORANGO? EU QUERO DE MORANGO ENTÃO…. e eu atrás já batendo o pé, e a fila só crescendo atrás. Quando eles FINALMENTE fecharam o pedido (depois da mulher mudar de ideia 70 vezes), a outra amiga foi lá e gritou AI EU QUERO SORVETE TAMBÉM e lá foi a moça do caixa passar por isso tudo de novo. E eu atrás, esperando.

    Quando a moça foi me atender ela revirou os olhos e disse: tem dias que é tão difícil. Quis dar meu sorvete pra ela porque olha, se a gente que passa cinco minutos junto dessas pessoas já quer morrer, imagina só quem tem que atender gente assim todos os dias, sorrindo? Não é fácil, viu?
    Beijo!

  2. Gente, fiquei chocada! Além de espaçosos, “compraram” a padaria toda e ainda deram o golpe. Eu fico sem reação com essas coisas, Dani, sempre acho que não tem como um ser desses existir até que vejo que existem e aí nem consigo acreditar. :/
    Coitada da atendente que depois ainda deve que ter dado conta do valor que ficou faltando!

    Beijo

  3. Meu Deus, Dani, eu ri de tão chocada que fiquei hahaha como tem gente cara de pau e bandida no mundo, sério mesmo. E olha, eu sou que nem a Annoca: tenho vontade de MORRER quando sou obrigada a lidar com gente sem educação. Só achei a atendente meio ingênua, gente. Como assim ela deixou o cara ir buscar o cartão no carro, sendo que as compras já tinham ido? Era capaz de rolar mesmo o que aconteceu. Mas, óbvio, coitada. Vida de atendente deve ser mesmo um treino diário de paciência.
    Beijo!

  4. MAS QUE GRANDISSÍSSIMOS FILHOS DUMA ÉGUA! QUE ABSURDO! QUE ABUSO EU TÔ REVOLTADA! Porque eu já fui caixa e tenho motivos mais do que de sobra pra odiar qualquer tipo de gente folgada, eu trabalhei em livrarias, então o pior que poderia acontecer era a gente ter que voltar os produtos pros lugares, mas gente… GENTE! ISSO É COMIDA, ISSO ESTRAGA! Filhos da puta! Você é um amorzinho por ter engolido esse sapo (eu to revoltada aqui, mas também engoliria, não vale a pena) mas aff… Que horror, pelo menos você conseguiu sua comida né flor? Haha

    beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s