Não-crônica sobre o TCC

Não sei se é assim com vocês (blogueiros) também, mas sempre que acontece algo muito significativo na minha vida, sinto necessidade de escrever sobre isso no blog. Não é aquela necessidade que me empurra para diante do computador e que faz com que minhas mãos pareçam ter vontade própria, digitando parágrafos e mais parágrafos sobre qualquer assunto. Esta necessidade, em geral, faz o contrário: me some com as palavras. Porque esta necessidade é muito mais pautada na lógica de que se eu falo de banalidades o tempo todo no blog, eu deveria também escrever sobre as coisas mais relevantes da minha vida do que no fato de eu ter realmente algo a dizer a respeito. Como vocês devem imaginar nesta altura, este texto é, de certa forma, uma justificativa para a falta de posts no blog recentemente.

Desde que apresentei meu TCC, fui aprovada com muito “louros” que esperava e tirei parte do peso imenso que estava sobre as minhas costas, tenho tentado escrever alguma coisa a respeito. É claro que eu comentei sobre o TCC aqui no blog e em todas as redes sociais e com 90% das pessoas com quem conversei nos últimos tempos. Faz parte essa coisa de ficar meio monotemático quando se faz TCC porque, para a maioria das pessoas, ele consome muito tempo e/ou energia e/ou qualquer outra coisa e é impossível ignora-lo. Mas eu nunca consegui escrever um texto que, de certa forma, encerrasse esta parte da minha vida, sabe? Nunca consegui produzir sequer um parágrafo que conseguisse resumir um pouco desta experiência que, para mim, foi tão marcante. E isto faz com que eu trave, com que eu não consiga escrever sobre nenhum outro assunto (aqui no blog).

Pode parecer bobagem e talvez até seja. Só a gente mesmo entende essas nossas necessidades que talvez sejam só nossas e essas particularidades esquisitas do nosso “processo criativo”, se é que posso chamar minha escrita assim.

De qualquer forma, este texto é uma tentativa de, ao menos, registrar aqui o final de mais esta etapa importante na minha formação e permitir que minha cabeça consiga produzir textos sobre outras questões, talvez bem menos relevantes e tão mais fáceis de se falar a respeito. Este post não é uma divertida ou emocionante crônica sobre o aprendizado, os pormenores angustiantes ou a curiosa experiência de se tornar o clichê zumbi do TCC, mas é minha forma um pouco torta, como foi todo este processo, de encerrar de vez esta etapa.

A verdade é que eu não esperava que o TCC fosse este big deal todo, ignorando completamente meus talentos de fazer tempestade em copo d’água, sofrer por antecipação e não saber lidar com gente. Foi um grande desafio, longo do tipo que parece não acabar nunca, pontuado ora por noites de choro desesperado, ora por mini-comemorações pelos motivos mais bestas, como ter conseguido trabalhar mais um dia no laboratório sem ter botado fogo no lugar. Foi um processo complicado, de muita leitura, muito cálculo e muitas horas no laboratório, na sala da orientadora, na biblioteca e até mesmo no ônibus com o computador no colo tentando finalizar mais um capítulo. E o curioso é que, ao mesmo tempo em que foi um trabalho tão solitário, de passar finais de semana inteiros sozinha trabalhando, de perder festas de aniversário e almoços em família, foi fundamental a ajuda não só do seu Antônio, o técnico do lab, ou da Valéria, minha querida orientadora, mas também dos meus pais, das minhas meninas e do meu Lu, que compreenderam minha ausência e todo meu estresse.Eu que queria tanto fugir do clichê dramático do TCC, percebi que por mais que minha experiência tenha sido única e tão minha, que por mais que os desafios que cada trabalho impõe a cada aluno sejam diferentes, no final, a conclusão costuma ser sempre a mesma: foi foda, mas valeu a pena (ê-ê!).

Acho que esta conclusão vale para a faculdade também. Mas vamos deixar este post para depois da colação de grau.

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