Das bobagens necessárias

Eu disse no último post que as coisas estavam se acertando por aqui, a passos lentos, porém firmes, etc. Naquele mesmo dia, chegou um furacão que me varreu a paz e até mesmo a vontade de assistir a RuPaul’s Drag Race.

Passei a semana toda sofrendo, ora chorando, ora sentindo um ódio absurdo, ora tendo crises de ansiedade, enquanto tentava seguir cuidando da minha vida, cumprindo minhas tarefas e tentando descobrir e entender a gravidade do meu problema. Bem, é um problemão. Não é a granada mais criativa que a vida já me tacou no colo, mas é uma das piores.

Neste momento, nada está resolvido, embora eu esteja tomando as providências que posso nesta altura da coisa toda. De qualquer forma, não importa o que aconteceu e o que ainda vai acontecer. Não aqui. Esse post é sobre uma decisão que tomei esses dias, assistindo Laços de Família (sim).

A semana foi tensa e nada conseguia me distrair, me ocupar, me tirar o foco de como parece que, na minha vida, tem que ter sempre alguma coisa dando muito errado. Não consegui ficar feliz de buscar meu CREA, ainda que eu esperasse por este momento desde que inventei de fazer engenharia (sim). Não consegui aproveitar a companhia da Tety ou as conversas com Lu pelo Whatsapp. Não tive a mínima vontade de assistir a temporada nova de Daredevil, pela qual eu andava ansiosíssima. Não li, não brinquei com Íris, a cã, perdi o apetite e, pela primeira vez, não fiquei empolgada com a Páscoa.

Só que daí meu pai estava assistindo Laços de Família e eu decidi que ia ver junto, já que não tinha vontade de fazer nada mesmo. Em poucos minutos, eu já estava completamente envolvida naquele mundo que não tem nada a ver com o meu.

A gente tem essa mania boba de demonizar aquilo que a gente acha que “não nos adiciona nada”, aquilo que não nos parece produtivo. A gente acha que ver novela é perda de tempo, se sente mal por passar horas maratonando um seriado e se justifica por ler YA. Só que são essas coisas (ou podem ser essas coisas) que mantém nossa sanidade.

Eu continuo preocupada, tendo uma ou outra crise de ansiedade, mas eu já me sinto bem melhor. E não só porque eu passei minha noite de quinta-feira dando gostosas risadas com RuPaul, mas porque eu decidi que não ia me sentir mal por não pensar 24-7 nos meus problemas, porque eu decidi que tudo bem se eu quiser me preocupar mais com Camila roubando o namorado da Helena do que com a minha própria vida por alguns minutos.

Em 2005, minha avó Cida morreu. Acho que nunca senti dor maior que esta. Só que, junto a esta dor absurda de perder alguém que eu amava tanto, eu tive que lidar com uma culpa imensa de estar seguindo em frente. Eu sentia que, se eu não chorasse o dia todo, se eu não pensasse só na minha avó e não focasse naquela dor o tempo todo, ela seria menos real, menos importante.

Eu sei que são coisas diferentes, mas, de qualquer forma, são coisas que mexem muito com a gente. A dor de perder minha avó não se compara a nenhum problema, por mais absurdo, que eu tenha tido. Mas eu tenho esta tendência a dar mais importância às coisas do que a maioria das pessoas. Não sou uma pessoa leve. Não sou uma pessoa “de boas”. Não sou uma pessoa tranquila, calma, cabeça fria.

Eu sou intensa. Pode parecer que não, pois a timidez mascara um pouco da minha personalidade, mas eu vivo a minha vidinha levando tudo muito a sério, sofrendo horrores com cada problema e cada dificuldade e valorizando e comemorando cada coisinha boa, cada vitória. Só que sou humana e clichê e também tenho esta tendência a dar mais importância às coisas ruins, então é comum que os problemas me engulam e que, muitas vezes, pareça que só eles existam.

O que (acho que) quero dizer com este post é que a vida anda foda, sim. Bem mais foda do que eu esperava ou do que eu poderia prever. Mas não quero e não posso deixar que isso me afete tanto. E eu descobri nas coisinhas boas que eu gosto – minhas novelas, minhas séries, meus blogs e até mesmo meus joguinhos de cartas no computador (já jogaram TriPeaks? É viciante!) – uma forma de manter minha sanidade nestes tempos difíceis.

Agora, se me dão licença, tem um episódio novo de The Middle me esperando.


P.S.: Hoje não tem linkagem de segunda, mas na semana passada teve e na próxima vai ter também, ok?

Anúncios

7 comentários sobre “Das bobagens necessárias

  1. Como eu cheguei e comentar com você no twitter, também não está nada fácil por aqui. Mas a gente dá conta, menina!
    Eu entendo perfeitamente a sua condição de pessoa intensa e que sofre por problemas que nem mereciam tanto sofrimento, eu também sou assim.
    Toma aqui um abracinho de quem sabe como é se sentir assim! :*

  2. É uma mania meio boba essa que a gente tem de achar que coisas “não importantes” não tem valor. Acho que é uma coisa bem Taylorista, inclusive (faço administração, desculpa essa citação aleatória haha). Mas temos que dar valor pra essas coisas, porque o que importa de verdade é a maneira como nos sentimos sobre elas, e não o que elas são de verdade. Eu costumava ter vergonha de ler uns livros meio pop-teen, até que a minha psicóloga disse que não interessa o livro, o que interessa é que eu consegui tirar algo bom dele.
    Força aí com os momentos difíceis.
    Bjs
    PS: the middle <3

  3. Sabe, eu sou bem parecida com você. Eu gosto de comemorar quietinha quando as coisas dão certo, mas sinto até o último fio de cabelo quando elas não dão. Sofro, choro, minha cabeça não para de focar naquilo e parece que eu nunca mais vou sair daquele buraco.

    A gente sempre sai, eventualmente. Às vezes leva tempo e a gente acaba se machucando no processo, mas a gente sai.

    Contudo, quando a gente percebe que a coisa apertou e que realmente não vai ser agora que vamos nos agarrar com as unhas nas paredes do buraco, ou menos ainda que alguém vai jogar uma corda pra nos salvar, só nos resta aceitar derrota e tentar focar em outra coisa. Pelo menos por um tempo.

    Espero que as coisas se ajeitem logo e que daqui a pouco tu possa estar curtindo RuPaul sem se preocupar com ter que lidar com esse problema mais tarde.

    Beijão!

  4. Me senti muito compreendida com esse post. Minha avó faleceu no final de dezembro e a gente em casa ainda está passando por essa dificuldade de continuar vivendo sem sentir a culpa. Eu viajei, e foi legal e me diverti, e sempre fica esse fundinho da mente perguntando se não devia estar ficando triste, sabe?

    Eu sou dessas de encarar minhas coisas sozinha, dar umas choradinhas sem os outros saberem, ficar preocupada demais e isso é péssimo pra gente. Se tem coisa que me distrai e me faz mais alegrinha por que não me jogar, né? Abençoados sejam os criadores de séries e etc.

    Enfim. Sorte pra você em tudo o que precisar de sorte. Beijo!

  5. “Só que são essas coisas (ou podem ser essas coisas) que mantém nossa sanidade.”

    é exatamente assim que me sinto. me descobri recentemente com ansiedade e crises de ansiedade. por muitas vezes, assistir séries é a única coisa que me distrai, me deixa bem, me faz ficar feliz. a maioria das pessoas não entende, acha bobagem, acha “perda de tempo”. mas é a única coisa que funciona pra mim.

    não sei a luta pela qual cê tá passando, mas tô aqui mandando todo o amor e torcendo pras coisas aliviarem logo, viu? <3

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s