Só que agora é diferente

Eu nunca achei que o tempo pudesse (parecer) passar tão rápido mesmo estando tão pouco ocupada.

Nos últimos sete anos (vestibular+faculdade), eu acreditava que aquela impressão de que o tempo estava passando rápido demais era porque eu tinha tanto para fazer e passava tanto tempo ocupada que mal via as horas, os dias, as semanas e até mesmo os meses passarem.

Por outro lado, as férias, os feriados e aquelas raras manhãs e tardes de folga no meio da semana também pareciam acabar muito rápido porque como tempo livre em abundância era raro, eu queria usa-lo para fazer todas aquelas coisas que costumeiramente não conseguia encaixar na rotina, como cochilar depois do almoço ou maratonar os filmes do Harry Potter.

O curioso destes últimos anos é que eu sempre tinha essas duas impressões contraditórias: o tempo parecia passar rápido demais ao mesmo tempo em que cada dia parecia durar vários dias, cada semana, várias semanas e assim por diante. Por mais que pareça contraditório, hoje vejo que faz muito sentido uma vez que eu geralmente tinha dias muito cheios e muito produtivos.

Daí eu me formei e voltei a morar com os meus pais e de repente não tinha mais aulas, trabalhos, provas, TCC, estágio, nem um apartamento inteiro para cuidar sozinha, limpar, tratar da manutenção, fazer supermercado… Eu me vi com muito tempo livre e sem muita ideia do que fazer com ele.

Inicialmente, tratei de encerrar devidamente minha “vida são-carlense de estudante”, cuidar da minha mudança e da entrega do apartamento, buscar meu diploma, fazer meu CREA. E, embora estas sejam coisas trabalhosas e burocráticas, não era sempre que elas ocupavam meu dia todo e daí eu me desesperava em buscar mais coisas para fazer, passava o dia inteiro no computador procurando vagas de emprego, programas de trainee, concursos públicos e empresas para enviar meu currículo.

Essa fase durou uns quatro meses.

No final de abril, eu estava es-go-ta-da. Eu nunca fiz nada tão difícil, cansativo e, na falta de uma palavra melhor em português, overwhelming do que o combo graduação+morar sozinha. E, ainda que eu tivesse aquelas pendências, no geral, tudo tinha acabado e eu podia, finalmente, descansar. Eu podia usar o tempo entre um compromisso e outro para, sim, enviar uns currículos e buscar por oportunidades, mas também para assistir um filminho, tirar uma soneca, ler um livro, escrever, passear com a Íris, fazer um bolo ou qualquer coisa do gênero. Mas, não, inconscientemente, eu preferi me submeter a um nível de estresse e cansaço semelhante àquele da época da faculdade, só que agora sem necessidade nenhuma. (Ok, é importante lembrar aqui que nem todo estresse dos primeiros meses deste ano foi fruto de escolhas minhas e que nem tudo poderia ter sido evitado, shit happens, etc. É importante botar a culpa onde a culpa verdadeiramente reside. Para efeitos deste texto, entretanto, estou falando da parcela de responsabilidade que me cabe.)

Pode ter demorado (estar demorando?) um pouco, assim como demorou para eu me habituar com a “vida são-carlense de estudante” ou com a “vida de vestibulanda que estuda sozinha”, mas acho que estou mais habituada a essa fase confusa de transição e estou até mesmo chegando mais perto de ter uma “rotina” equilibrada, na qual eu consigo ser produtiva, mas também aproveitar meu tempo livre. Isso não quer dizer que está sendo fácil ou que eu faça alguma ideia do que estou fazendo, mas se não “tá tranquilo, tá favorável”, pelo menos “ainda estou confusa só que agora é diferente, estou tão tranquila e tão contente“.


Falei deste post na última linkagem de segunda e talvez a demora para publicá-lo (acontecem coisas) tenha gerado expectativas, então perdoem, mas é só isso mesmo.

É pouco, mas estou feliz de estar conseguindo escrever, não apenas aqui neste post, mas principalmente na newsletter. Enviei a terceira edição na última quinta-feira e foi muito bom escrever sobre algo que eu nunca me senti confortável em falar antes.

Ainda dá tempo de receber a terceira edição, se você se inscrever aqui até a próxima quinta-feira, dia 16/6.

Anúncios

Um comentário sobre “Só que agora é diferente

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s