Sobrecarga

Hoje é o quarto dia de BEDA e eu (já) não faço ideia do que escrever.

Eu sabia que a primeira metade de agosto seria cheia e que o BEDA seria especialmente desafiador nestes primeiros dias. Eu tenho escrito pouco e tenho tido minhas crises de gente que escreve e ando meio sobrecarregada, por mais incrível que pareça.

Digo “por mais incrível que pareça” porque a faculdade acabou e ainda estou procurando emprego e é estranho que ainda que eu não tenha algo tão grande, que me ocupe tanto tempo, no momento, eu esteja me sentindo sobrecarregada. Mas estou. Porque a vida segue e ela é mais do que aquela(s) atividade(s) central(is) que a gente costuma dar como resposta para o “o que você faz?”.

Não estar mais estudando formalmente (escola, vestibular, graduação) não quer dizer que eu não siga estudando. E não estou só falando do concurso para o qual estudei no último mês. Estou falando das leituras, dos vídeos, dos documentários… Estou falando do aprendizado constante de coisas diversas, relacionadas à minha área profissional ou não. Estou falando dos textos e vídeos sobre feminismo ou GTD ou qualquer outro assunto que me pareça particularmente atraente no momento. Estou falando do que ainda não estou estudando, mas pretendo estudar. Do espanhol que quero voltar a aprender. Dos inúmeros documentários que quero assistir. Dos livros que quero ler. Das habilidades que quero tentar desenvolver.

Da mesma forma, não estar trabalhando formalmente não significa que eu não esteja trabalhando. Concordo com o David Allen (criador do método GTD) quando ele diz que considera que trabalho é tudo aquilo que a gente quer/precisa fazer, profissionalmente ou não. Mesmo desempregada, minhas listas de tarefas e responsabilidades são extensas. Talvez não tão extensas quanto eram quando eu estava na faculdade e morando sozinha, mas ainda assim extensas. Tenho meus projetos pessoais, coisas que quero e que preciso fazer, tarefas de rotina para manter tudo em ordem, tarefas domésticas que divido com os meus pais e todas as tarefas relacionadas à busca por uma colocação no mercado de trabalho.

Meu sentimento de sobrecarga vem muito destes dois lugares: do FOMO (fear of missing out), este receio de perder alguma coisa, de não conseguir aprender tudo o que quero aprender, de não conseguir ler tudo o que quero ler ou assistir tudo o que quero ver; e da quantidade razoavelmente grande de tarefas e projetos e compromissos os quais eu me propus a fazer. Mas também vem de um “psicológico abalado”, de uma vulnerabilidade resultante de um punhado de crises pessoais. É uma sobrecarga também, em grande parte, emocional.

Daí eu me empolguei com a ideia de fazer o BEDA, porque eu não pude participar no ano passado e porque parece um desafio interessante e porque vem de encontro ao meu objetivo de não deixar o blog morrer, não deixar o blog acabar. Só que talvez me comprometer a postar no blog por 31 dias consecutivos justamente num dos meses com mais compromissos que tive/terei este ano não seja uma ideia assim tão boa.

Eu ainda não desisti do BEDA, entretanto. Por mais que seja incômodo escrever tão cansada e com tantas outras coisas para organizar ainda hoje, por mais que seja chato publicar um post meio sem propósito, na pressa e até mesmo sem revisão, é justamente isso, essa liberdade de escrever sobre qualquer coisa e sobre nada, de escrever sem se preocupar se o texto vai ficar bom, se vai servir de alguma coisa para alguém, se vai ser relevante, é justamente disso, entre outras coisas, que eu sinto tanta falta nesta blogosfera nova e que eu fui buscar lá nas newsletters. Não digo que minha intenção é que os posts do blog passem a ser todos assim, até mesmo porque agora tenho a Rascunhos Impublicáveis, mas acho que posts como este de vez em quando são até bem-vindos. O que vocês acham?

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2 comentários sobre “Sobrecarga

  1. Dani gosto muito desses posts mais orgânicos, que são feitos “na correria” sabe? Sempre acabo me identificado mais do que com aqueles posts que são pensados e repensados, revisados e etc… E acredito também que essa seja a proposta do BEDA, fazer a gente soltar a mão (ou os dedos haha) e a mente também! Porque apesar de achar que sempre vai ter alguém pra fazer “só isso” tenho o sentimento de que as pessoas acham que a blogosfera não vale a pena se não for profissional, se não der algum lucro…

    Gosto da intimidade das newsletters, mas também sinto uma baita falta de trombar num blog com um texto que eu precisava ler, ou que falasse comigo num nível mais pessoal mesmo que eu nunca tivesse parado naquele blog antes…

    Enfim, to divagando, mas espero que você consiga achar um alívio nesses textos mais “sem propósito” meu blog vive disso hahah

    beijo e força ♥

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