Porque parei de fazer vídeos para o blog

Tem algum tempo que eu tenho querido fazer duas coisas: voltar a gravar vídeos para o blog e postar uma atualização da tag “o que tem na sua bolsa”. Até aí nada muito complicado, dava até para “matar dois coelhos com uma cajadada só”. Só que nada é tão simples quanto parece.

Eu comecei a gravar vídeos para o blog tem quase três anos. Até então, eu nunca tinha tido vontade de fazer um post neste formato porque morro de vergonha e meu negócio sempre foi escrever mesmo. Só que a Giu me indicou para uma tag em vídeo e eu decidi arriscar responder no mesmo formato. O retorno de vocês foi ótimo e eu fiquei querendo fazer mais vídeos, pelo menos de vez em quando, para variar um pouquinho.

Quase um ano depois, tive “coragem” de gravar um segundo vídeo, a tag “o que tem na sua bolsa”, uma das minhas favoritas desde muito antes do YouTube e até mesmo das câmeras digitais, quando a gente contava só em texto mesmo o que a gente carregava consigo nos fóruns/Orkut/blogs da vida. Daí fui gravando outros vídeos e ficando um pouco mais confortável em frente à webcam. Percebi que eles estavam me ajudando, ao menos um pouco, com a coisa toda da timidez e de falar em público e achei que seria uma boa ideia continuar fazendo posts neste formato de vez em quando.

Daí, no ano passado, minha vida virou de cabeça para baixo umas 987454187445 vezes e era tanta, tanta coisa acontecendo de uma só vez que não dava para simplesmente sentar na frente do computador para gravar um vídeo. Foi só no começo deste ano, quando a poeira abaixou, que eu tive este tempo. Mas, nesta altura, a vontade de voltar a gravar vídeos para o blog já tinha minguado.

O canal do Sem Formol no YouTube sempre foi só uma extensão, um apêndice do blog. Eu nunca tive a intenção de me tornar youtuber ou vlogueira ou qualquer coisa do tipo. Os vídeos sempre foram só uma forma de diversificar, de publicar posts num formato diferente, de conversar com vocês de um outro jeito. Os vídeos sempre foram destinados a vocês, leitores, amigos, que acompanham o blog, que gostam do que eu escrevo, que por alguma razão se interessam por mim e pela minha vidinha sem graça.

Mas, lá no YouTube, os vídeos ganham mais visibilidade do que os posts do blog costumam ter. Muito mais gente cai de paraquedas num vídeo teu do que num post do blog. Por um lado, isso é ótimo porque permitiu que mais gente conhecesse a mim e ao Sem Formol. O YouTube me trouxe novos leitores, seguidores, amigos e isso é ótimo. Só que o YouTube também trouxe um punhado de haters ou simplesmente aquele tipo de público que acha que o blogueiro/youtuber está ali para servi-lo, para publicar o que ele quer ver do jeito que ele quer ver.

Tem um vídeo meu, um “o que tem na sua bolsa da faculdade“, que não sei bem como ganhou mais visibilidade que o normal (para um vídeo aqui do blog). São quase 5 mil visualizações. Quase todos os dias recebo comentários naquele vídeo, a maioria deles me enchendo o saco, quando não me xingando mesmo. Não me importo muito com comentário me fazendo pergunta óbvia que o Google responderia em menos de um minuto, nem mesmo com aquele spam “que legal seu vídeo, se inscreve no meu canal?”, tão parecido com o já raro “lindo seu blog, comenta no meu?”. O que me incomoda mesmo, a ponto de eu perder totalmente o tesão pelo YouTube, é gente me cobrando, criticando, achando que pode dar pitaco no meu jeito de fazer as coisas na internet e até mesmo na minha vida. É gente reclamando que o vídeo é longo e que eu falo demais, é gente reclamando que o assunto é irrelevante (tá no título do vídeo, migo, foi tu que deu play), é gente reclamando da qualidade do vídeo, falando que eu tenho que comprar uma câmera boa se quiser estar no YouTube. É gente reclamando até mesmo da minha aparência, que aparentemente não é boa o suficiente para o YouTube. Isso sem contar os haters de verdade, as pessoas que xingam e ofendem, os caras que dizem obscenidades (pruma menina que tá mostrando material escolar, cara), aquela coisa toda que a gente já tá acostumada na internet, mas que eu conseguia evitar bastante limitando meus “círculos internéticos”.

Eu estava me incomodando tanto com gente me dizendo o que fazer e como fazer que acabei os deixando afetar justamente a forma como eu faço as coisas. Eu não cheguei a satisfazer aos caprichos desta gente, até porque a maioria era impo$$ível, mas eu cedi no sentido de me retirar daquele espaço, de parar de fazer vídeos, de me sentir mal com os comentários e cogitar deletar o canal, retirar os meus vídeos do ar.

Só que eu ainda via o lado bom, a possibilidade de divulgar o blog para mais pessoas, os leitores queridos que ganhei graças, muitas vezes, justamente àquele vídeo. Eu ainda queria postar vídeos no blog e já estou acostumada a fazer deste jeito, a usar o YouTube como plataforma. Eu não queria me retirar. Poxa, justo eu que sempre bato o pé e insisto em ficar onde eu quero ainda que não seja bem vinda ali?

Daí eu fiquei incomodada foi comigo mesma, de estar me impedindo de fazer algo que eu queria fazer porque gente que eu nem conheço iria me encher o saco. Então, dia desses, eu simplesmente me sentei em frente ao computador, liguei a webcam e gravei este vídeo aqui, em que eu (acho que) falo basicamente as mesmas coisas que disse nesse post em texto, mas tudo bem, assistam se quiser (até porque também tem um “o que tem na sua bolsa” depois):


Acho que prometi lá no meu Instagram e até no próprio vídeo que faria um “o que tem na sua bolsa” em dois formatos: vídeo e texto + foto. Bem, o vídeo eu fiz, mas a versão com fotos eu vou ficar devendo, pelo menos por enquanto, ok?


Escrevendo este post, me lembrei daquele projeto do YouTube, o Mulheres Criadoras, que tinha a intenção justamente de incentivar as minas a criarem, a usar aquele espaço para falar/fazer o que quiser e achei que eu não só deveria reassistir à playlist inteira, como indicar para vocês:


Ainda neste universo, minha amora Tety começou um canal e já arrasou num vídeo inicial citando Frankie (de Grace & Frankie), então por favor, prestigiem:

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5 comentários sobre “Porque parei de fazer vídeos para o blog

  1. Incrível como apesar de as pessoas serem diferentes na verdade muita gente passa por coisas parecidas! Esse post sou eu, de verdade, eu tenho me privado de gravar vídeos, uma coisa que realmente me divirto fazendo, e como você até disse, pensei em excluir tudo por achar que não merecia estar lá. Obrigada por voltar a postar, tanto porque vou assistir seus vídeos, quanto porque isso me incentivou muito!

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