Escrever-na-internet, blogs pessoais e um ano de newslettinha

Como boa overthinker que sou, ando pensando demais nessa coisa de escrever-na-internet, principalmente quando sua “linha editorial” é não-ter-linha-editorial e seu principal tema é você mesma.

Parece que ninguém mais escreve sobre si mesmo online. Quero dizer, é claro que nossos perfis nas redes sociais geralmente são egocentrados, mas nos blogs, sites e páginas por aí o assunto é cada vez menos as pessoas e suas banalidades. Pelo menos na minha bolha, o que vejo são blogs pessoais sendo abandonados, deletados, transformados em blogs de nicho. Quem antes mantinha um blog pessoal tem desistido de escrever ou tá indo escrever em outros canais, falar de feminismo, de cultura pop, de minimalismo ou qualquer outro assunto. Muita gente largou mão do texto e foi fazer vídeo. Muita gente abandonou o “diário virtual” e voltou pro diário de papel. E tem a galera que migrou para as newsletters, seja para escrever sobre um tema específico, seja para escrever quase como era na blogosfera de outrora.

Não digo nada disso como uma crítica ou qualquer coisa do tipo. São apenas constatações. É apenas o que eu observo acontecendo e nem sei mesmo qual é a minha opinião. Só sei que tudo isso me deixa meio mal, meio chateada.

Porque eu amo a blogosfera. Eu sempre defendi os blogs e, particularmente, os blogs pessoais. Eu escrevo-na-internet desde 2003, quando eu tinha 12 anos, e isso acabou se tornando uma parte importante de mim. Escrever-na-internet mudou minha vida em muitos sentidos. Não como aconteceu com a Lia Camargo, a Bruna Vieira ou qualquer outra celebridade de internet que fez fortuna e construiu um pequeno (e às vezes não tão pequeno) império do seu quarto em casa. Neste sentido, meu blog é um “fracasso”. As estatísticas são vergonhosas. Os acessos têm caído vertiginosamente. A maioria dos posts não tem um único comentário. E eu não consigo manter uma frequência de atualização decente há alguns anos. Nunca ganhei um centavo com o blog. Não encontrei meu chamado, minha vocação, nem nada do tipo. Nem trabalhar com escrita ou internet eu trabalho. Mas o blog sempre teve uma importância imensa para mim. Uma importância que talvez nem tenha mais. Uma importância que eu provavelmente não saberia explicar direito.

É essa importância, porém, que me levou a sempre defender os blogs pessoais. É o que me leva a ficar chateada a cada vez que um blog querido se transforma num negócio, mesmo quando isso não necessariamente mude muita coisa para mim como leitora. É o que me levou a literalmente chorar quando a Anna encerrou os trabalhos no So Contagious, mesmo sabendo que eu continuaria lendo o que ela escreve por aí (não, ainda não superei) (desculpa, Anna, sou dramática mesmo). É o que me impede de deletar o Sem Formol ainda que eu não me sinta motivada a escrever nele mais. É o que me impede de levar a newsletter a sério porque sempre sinto como se estivesse traindo, de certa forma, a blogosfera. (Eu sei, eu sei, eu sou ridícula.)

Eu me sinto meio estúpida por causa deste meu apego besta à blogosfera. Me sinto meio idiota quando começo a ser corroída por uma culpa infinita porque não ando postando no blog. E daí me sinto mal pelo tempo perdido produzindo posts que terão tão pouca repercussão.

Há um ano, eu criei a Rascunhos Impublicáveis buscando muito daquilo que a blogosfera não me oferecia mais. A princípio, a ideia era manter a newsletter e o blog e ir descobrindo que tipo de coisa eu queria escrever em cada lugar. Eu tinha certeza que queria manter o blog e eu sabia que queria muito me aventurar no mundo das newsletters. Hoje, um ano depois, tenho mais perguntas do que respostas. Me questiono se ainda há espaço na internet para o tipo de coisa que eu escrevo, este conteúdo tão singelo e besta e meio egocêntrico que eu adoro tanto. E vejo que não sou só eu que ando me questionando sobre isso. Num mundo com tanta informação, quem tem tempo e paciência e disposição para se sentar e ler mais um textão sobre a síndrome da impostora da amiga ou aquele causo que não vai acrescentar em nada na sua vida? Mesmo eu, a apegada do textão pessoal, me vejo priorizando o conteúdo que acho mais “relevante”, que “vai mudar minha vida” ou qualquer coisa assim.

Hoje é Dia 24 foi aniversário da newsletter e eu queria estar aqui fazendo um textão feliz sobre como escrever-uma-newsletter mudou minha vida para melhor. Um textão como eram minhas odes à blogosfera outrora. Infelizmente, não vai rolar. O textão de hoje é só um desabafo sem conclusão nenhuma e um convite para você que ainda dedica um pouco do seu precioso tempo a ler esta palerma aqui (aliás, obrigada ♥) me contar o que você acha disso tudo. Me conta o que você pensa, se você também escreve ou já escreveu na internet, sobre o que escreve, o que você gosta de ler online, como faz para escolher o que vai ler nesta imensidão de conteúdo e o que mais você quiser.

– – –

Este texto começou como uma introdução para a linkagem da última segunda-feira, tornou-se um post independente e acabou se tornando o texto da “newsletter de aniversário” que enviei dois dias atrás. Decidi publicar aqui também porque esta era a ideia inicial e acho que faz sentido que este texto fique registrado no blog também.

Tenho recebido um feedback interessante via e-mail (e vou responder todo mundo o quanto antes, prometo) e estendo o convite do último parágrafo para os leitores do blog também.

Além disso, ontem decidi vasculhar meu Pocket e encontrei textos interessantes sobre alguns dos questionamentos deste post e aproveito para compartilhá-los com vocês:

– – –

Créditos da foto do topo: Juliette Leufke/ISO Republic

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11 comentários sobre “Escrever-na-internet, blogs pessoais e um ano de newslettinha

  1. Dani, eu também tenho muita saudade da blogosfera como era E NÃO SINTO QUE A NEWSLETTER COMPREENDE ESSE UNIVERSO. Assino um milhão de newsletters, mas não tenho vontade de ler. O teor das conversas mudaram um pouco (crescemos, estamos mais velhas discutindo problemas também etc), mas ainda assim não parece com a mesma voz de antigamente. Aquela voz leve de “vamos contar um causo”. Ultimamente eu tenho me contentado só com os blogs que resistem, inclusive voltei a escrever para o meu.

    Também sofri quando a Anna fechou o blog dela. </3

    Mas olha, existem pessoas além da gente que não querem que a blogosfera acaba e inclusive continuam resistindo e se reinventando nesse mundo. Não desiste também. Continua por aqui. A gente vai se ajudando <3

    Beijos

    • Oi, Lari, obrigada pelo comentário <3
      Seu blog é um destes espaços de resistência blogueira que me dá um quentinho no coração, então obrigada por isso também.

  2. Puxa, esse post não foi escrito por mim mas foram as minhas palavras! Totalmente! Me sinto igualzinha e tento, à muito custo e pouco fôlego, continuar a escrever minhas palavras por ai, mesmo que elas sejam escritas para universo e para mais ninguém. Parabéns pelo excelente texto!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

    • Oi, miga, obrigada pelos comentários e pelo carinho <3
      Vamos resistindo! Até porque escrever faz bem e sempre achamos que estamos escrevendo pras paredes e descobrimos que tem alguém lendo e curtindo o que a gente faz (:

  3. Oi!
    Não costumo comentar, mas sou leitora assíduo há pouco menos de 1 ano. Eu assino várias newsletters, mas confesso que me perdi e não sei nem mais de quem é qual. Tenho uma pasta específica no e-mail só pra elas, que devem ser mais de 500 não lidas.
    Eu sempre amei blogs em geral, principalmente os pessoais, porque é bom ver as experiências de outras pessoas. Tem dia que não aguento minha bolha… Muitos se foram, mas gosto de passar e ler os que ainda existem. Acho que é uma comunicação diferente. Tudo muda. Quem ia imaginar esse tanto de app e plataformas? Eu no alto da minha internet discada que não ia…

    Amo seus textos, acho leves mas com bons assuntos ao mesmo tempo :)

    E sobre selecionar os textos, eu ultimamente tenho uns 5 sites preferidos, mas em geral seleciono pelo twitter mesmo, com o que as pessoas indicam e nas hashtags.

    Beijo e até mais!!

  4. Dani, assim como as meninas já falaram nos comentários anteriores, eu também acho que a newsletter nunca será um blog pessoal. Inclusive tava falando sobre isso no twitter dia desses. As news meio que viraram revistas, não parecem tão pessoais (quanto a vibe inicial pintava), não instigam a gente a querer saber mais sobre aquela pessoa e acompanhá-la (pelo menos não ME instigam). Eu dei uma desanimada gigante da minha. Há anos não escrevo nada porque não quero (não porque esqueci, ou estava sem tempo), porque tudo o que penso em escrever vai pros rascunhos do blogger, que me parece mais acolhedor, mais a minha casa, a minha cara.
    No começo do ano pensei em fechar o blog, mas resolvi renovar o domínio e, apesar de não escrever frequentemente, não consigo largar de vez. Gosto de blogs pessoais, gosto de ter um e de passear nos alheios. Também tenho milhares de newsletters não lidas, como a Dryelle falou aí em cima, e vontade zero de ler. A não ser a sua (que já tinha lido antes de ler este post), a da Anna, pois Anna, e da Karina e seus pacová. Porque, pra mim, são as únicas com as quais eu me identifico enquanto menina normal de 20 e poucos (no meu caso, muitos) anos. As outras, apesar de muito boas, me parecem mais crônicas de jornal do que “diários”. Não me entenda mal, acho as newsletters muito legais, seus autores muito talentosos e os assuntos bem interessantes, mas JAMAIS serão blogs pessoais.
    E agora, escrevendo este comentário, eu pensei numa coisa: eu acho que a gente meio que depositou nossas expectativas de “blogueiro-raiz” nas newsletters, só que nunca serão! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
    Enfim… Eu acho que os blogs pessoais não vão morrer. E nesses últimos meses eu encontrei uns bem bacanas. Ainda tem bastante gente empenhada em manter essa roda girando.

    Beijos!

    • Oi, Mari! Eu tava pensando nisso também, principalmente depois de ler os comentários desse post e as respostas que recebi via e-mail. A gente botou umas expectativas meio irrealistas nas newsletters, que, querendo ou não, são outro formato, têm outra vibe – que eu curto bastante também. Acho que a “solução” pra mim é procurar abraçar as particularidades de cada formato e curtir o que cada um deles têm de melhor. Por isso que, por ora, decidi manter a newsletter e o blog e não botar muita pressão em cima de nenhum dos dois. (:
      Tô aceitando indicações de blogs, viu?
      Obrigada pelo comentário, miga <3

  5. Oi Dani.
    Como eu repondi na sua ultima newsletter… Aquele foi a unica newsletter.que li do inicio ao fim.As outras newsletter.que assinei estão acumulando na minha caixa de mensagem…
    A newsletter nunca será um blog pessoal! Sofri muito também com o fim do blog da Anna e os outros que foram consequentemente abandonados….

    BJOS

    • Oi, miga, obrigada pelo seu comentário (e pelo e-mail!)! <3
      Acho que eu tava botando expectativas demais nas newsletters e é isso mesmo que você e outras migas comentaram: as newsletters nunca serão como os blogs pessoais. E tudo bem, sabe? Eu entendo que nem todo mundo vai curtir as newsletters e é uma pena quando alguém que escreve uma coisa que a gente curte (como os blogs pessoais) para. Mas, ao mesmo tempo, eu gosto bastante do universo das newsletters também e acho que o melhor que eu, particularmente, tenho a fazer é curtir as news e os blogs que resistem cada um à sua maneira. :D

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