Vamos ver o que vem por aí

Eu disse que voltei, mas na prática, não aconteceu. E eu peço desculpas se alguém criou expectativas que foram frustradas.

Eu sigo com muitas dúvidas em relação ao blog, sobre o que é que quero escrever e até se quero mesmo escrever. Me questiono sobre a existência do blog no nosso contexto sociopolítico, por exemplo. Não quero que ele esteja alheio a tudo o que está acontecendo e também não acredito que isso seja sequer possível. Mas também sei que não sou a pessoa mais adequada para escrever sobre a maioria dos assuntos sobre os quais acho essencial falarmos e, mesmo que eu fosse, a verdade é que eu não quero. Estou exausta de viver este contexto, de estar neste contexto, de pensar quase que 24-7 neste contexto. Talvez eu queira escrever sobre algo específico, mas eu também quero poder fugir um pouco. Pode ser covardia minha, mas fugir da realidade temporariamente tem me mantido a sanidade e me permitindo ter pequenos respiros em que eu não me sinto angustiada ou com medo.

Eu também fico pensado no blog neste contexto de excesso de informações, de muito conteúdo sendo criado a todo segundo, em particular nas redes sociais. O blog nasceu num mundo totalmente diferente, mais de uma década atrás. Que espaço ocupa o Sem Formol nesta nova internet? Quem lê blogs hoje em dia? Quem consome um conteúdo no qual não pode dar like? Quem clica num link para sair de dentro de uma rede social? Quem lê um texto com mais de 280 caracteres?

É claro que nós existimos. Nós que ainda lemos blogs, nós que somos cria de outras internets mais lentas e pouco povoadas, que chegamos aqui quando tudo ainda era mato. Mas nós também estamos inseridos neste contexto, nós também estamos sobrecarregados com tanto conteúdo, sem saber onde nem mesmo como focar nossa energia. Nós também tivemos nossa atenção sequestrada pelas redes sociais.

Por fim, eu penso no blog dentro do meu contexto pessoal. Eu escrevo na internet desde que eu tinha 12 anos, o Sem Formol nasceu quando eu tinha 16. Eu vivi muitas fases pessoais enquanto blogueira. Fui blogueira pré-adolescente, adolescente, jovem adulta e agora não-tão-jovem-adulta-assim. Fui estudante a vida inteira e o blog me acompanhou durante os ensinos fundamental, médio e superior, enquanto eu estudava para o vestibular, fazia faculdade, prestava concursos públicos e fazia pós-graduação. O blog me viu crescer e realizar sonhos e me formar. Me viu sair de casa e voltar para casa depois. Me acompanhou desde a minha primeira menstruação, por tantas primeiras e últimas vezes.

O blog esteve sempre presente, mesmo que negligenciado e em último plano. Mesmo quando eu não estou postando, eu continuo escrevendo na minha cabeça e existe toda uma versão do Sem Formol que só existe para mim, com todas as coisas sobre as quais eu nunca escrevi na prática e jamais publicaria. O “problema” é que, recentemente e cada vez mais, o Sem Formol “da minha cabeça” é o único que tem sido atualizado. Não seria o momento de manter somente ele? Ou seria possível e até desejável adaptar o Sem Formol “real” para o meu atual contexto pessoal?

Eu tenho tido dificuldade para escrever principalmente porque me tem sido complicado organizar as ideias. Minha ansiedade nunca esteve tão presente e isto por causa do contexto externo, mas também interno. Desde que eu me formei, eu não estive parada, mas eu sinto como se estivesse. Eu estou procurado emprego todos os dias há três anos e meio, participei de inúmeros processos seletivos, prestei concursos públicos, trabalhei como freelancer, dei aulas de inglês, fiz uma pós-graduação inteira e ainda assim, sinto minha vida estagnada por continuar desempregada e morando com os meus pais.

Este post não tem uma conclusão. Eu continuo pensando em todas estas coisas e mais. Realmente não sei como o blog se encaixa nestes contextos todos e não quero fazer promessas. Nós nos vemos por aí, e talvez por aqui também.

Vamos ver o que vem por aí. Não dá pra saber ainda.

Um comentário sobre “Vamos ver o que vem por aí

  1. Oi!

    Sempre curti muito o blog. Li tudo o que você escreveu nele, e sempre achei bonitos os seus textos. Não só do estilo, que é tão fluido e gostoso, mas de como os textos refletiam o seu jeito de ser e de pensar.

    Escrever é complicado. Eu mesmo pra escrever esse comentário aqui tô me embananando todo… Mas faz bem – pra todo mundo, eu acho. Mesmo que hoje, com essa loucura que está a internet, a gente acabe pensando mil vezes antes de publicar cada coisa.

    Se eu pudesse dar (mais um) pitaco, eu diria pra você escrever tudo. Talvez fique entulhado de rascunho no WordPress, ou com uns textos semi-prontos, ou vc simplesmente chegue num texto perfeitamente acabado e não tenha vontade de publicar. E tá tudo bem! Antes de qualquer coisa, o blog é um jeito de você se expressar pra você mesma. Eventualmente vai aparecer algo que você sinta vontade de mostrar. E tenho certeza que eu e tantos outros vamos estar aqui pra ler!

    Adorei o meme do doguinho <3

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