Da vida e do Blog Day

Se tem uma coisa que raramente falha em me trazer para o blog é o Blog Day.

Novamente (ou ainda), me sinto desmotivada a escrever. Também tem faltado tempo. E energia. Como eu disse no Twitter, aparentemente meu objetivo de vida é me tornar a desempregada mais ocupada da história. O desemprego mexe com a nossa cabeça de um jeito maluco (talvez eu ainda escreva sobre) e uma das formas que encontrei de tentar lidar com isso foi ocupando todo o meu tempo. Comecei uma pós graduação, voltei a nadar, comecei a dar aulas de inglês, voltei a estudar inglês, comprei mil livros, voltei a fazer bijuteria, dei início a um milhão de projetos pessoais. Isso tudo, junto da busca por emprego, os mil processos seletivos de trainee, os concursos públicos, a revisão constante do meu currículo e ainda as tarefas de casa elevadas ao extremo desde que iniciamos uma pequena porém eterna reforma, têm me deixado ocupada dia e noite. E o meu objetivo inicial, de ocupar meu tempo e minha cabeça para expulsar os pensamentos ansiosos, foi totalmente frustrado. Eu já deveria saber, afinal sempre foi assim: não importa o que quer que eu esteja fazendo, minha cabeça sempre estará a mil. Não importa quão o ocupada eu esteja, sempre há espaço para as crises de ansiedade.

Foi aí que voltei a meditar. A princípio, me pareceu contraproducente socar mais uma coisa na minha rotina. Porém, eu percebi que havia uma pequena janela de tempo em que, eventualmente, eu conseguia diminuir o ritmo dos meus pensamentos, em que eu conseguia ignorá-los o suficiente para focar no momento presente, naquilo que estava fazendo. Era a natação. Notei que aquilo que eu conseguia “fazer” enquanto nadava era mindfulness, um conceito sobre o qual eu leio há muitos anos, mas que sempre foi muito difícil para mim. Já tentei meditar usando diversas técnicas diferentes e praticamente todos os aplicativos de meditação guiada existentes no Google Play. Agora, voltei a usar o Headspace, o único que produziu algum efeito no passado, e tem me feito muito bem parar por pelo menos 10 minutinhos todos os dias. (Talvez eu ainda escreva sobre também.)

Ainda assim, por mais que eu esteja aprendendo a lidar com meu caos mental, sigo sobrecarregada com todas as atividades com as quais me comprometi. Não tenho energia para sentar e me organizar e estou tendo uma pequena crise com o método GTD, que já me ajudou tanto no passado.

– – –

Eu sinto que tudo o que tenho feito ultimamente, neste blog, e na newsletter, é justificar minha ausência. Mas, se por um lado isto me incomoda porque eu gostaria de estar escrevendo sobre outras coisas, ao menos isso me faz escrever de vez em quando e me reconectar, ainda que brevemente, com vocês.

A princípio, considerei não publicar este texto hoje. Me parecia errado não produzir um metapost, não falar sobre blogs e escrever-na-internet e esta coisa toda. Porém, sinto que já falei bastante sobre este assunto no blog e, no último post a respeito, ainda linkei ótimos textos sobre o tema. Talvez, para o Sem Formol de 2017, a melhor forma de comemorar o Dia do Blog seja com um típico post de blog pessoal, checking in e jogando conversa fora.

Além disso, lá no Twitter do Sem Formol, estive compartilhando metatextos o dia todo. O blog pode até andar desatualizado, mas nosso arroba anda on fire 🔥, compartilhando muito conteúdo interessante encontrado internet afora.

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Linkagem de Segunda #59

Migas, eu tenho um texto meio que rascunhado para postar ainda esta semana. Começou como uma introdução para a linkagem de hoje, mas ficou muito longo e agora tem potencial de post, então devo publicar daqui a alguns dias, ok? (Só pra vocês saberem mesmo.)


Estes dias tão muito loucos, né, minina? É a Conjuntura Política Nacional™ botando a gente maluco e perdido (e puto, né?) e a vida real, que não pára. (Me deixa pelo menos manter meu acento diferencial? Obrigada.

Se você não me segue nas redes sociais por aí, provavelmente não sabe que eu comecei uma pós-graduação a distância, então tenho estudado em casa, além do meu full time job de pessoa desempregada procurando emprego. Daí decidimos começar uma reforma aqui em casa, coisa que estávamos precisando mesmo, e pronto: caos.

Estes dias estão particularmente complicados. Tive uma fase ruim, de resistência enfraquecida e todas as viroses e doenças da vida. Nisso, perdi um pouco o controle, minhas tarefas se acumularam e até aí estaria tudo bem se não viesse a reforma. Como botar a vida em dia, se isso significa estudar e fazer provas e fazer trabalhos numa casa em reforma? Se isso significa estudar o dia todo com o som de marretas e serras elétricas e equipamentos aleatórios e escandalosamente barulhentos? E ainda tem o pó infinito e a alergia e as muitas horas gastas todos os dias limpando a casa toda e a falta de privacidade com três pedreiros e um mestre de obras (e às vezes um eletricista, um serralheiro, o cara da CPFL, o cara da marmoraria, etc.) dentro de casa.

Como dizia Kátia, não está sendo fácil.


Eu diria que estes são os motivos pelos quais eu ando distante do blog, mas não é exatamente isso e vocês sabem. Mas, como já disse no parágrafo inicial, tenho um post planejado e podemos conversar melhor sobre blogs pessoais, escrever na internet e o Sem Formol.

Enquanto isso, eu queria só mesmo dar um “alô” e uma justificativazinha para esta linkagem estar razoavelmente curta para duas semanas de links acumulados.


Nossas queridas Valkírias fizeram uma programação especial de dia das mães repleta de textos incríveis (como sempre, né? #fangirl). Meu favorito é esse da Jumed sobre a (cruel) representação das mães na cultura pop.


Talvez vocês não aguentem mais ler sobre Estrelas Além do Tempo (eu ainda estou obcecada), mas este texto da Jennifer Ferreira pras Blogueiras Negras traz um ponto de vista bem interessante.


Talvez vocês também não aguentem mais ler sobre Gilmore Girls e o revival e especialmente a Rory (SUPEREM A RORY PELAMORDADEUSA), mas este texto das Valkírias Ana Luíza, Fernanda e Yuu vale a pena, eu juro.


Porque o Lupin é o melhor Maroto ♥ (em inglês).


Lívia Reginato escreveu sobre o estupro como recurso narrativo no Nó de Oito. Sobre este assunto, também vale a leitura deste texto sobre a forma como a cultura pop retrata a violência contra a mulher, escrito pela Lara Vascouto no mesmo site.


Esta entrevista com a Rachel Bloom – criadora e estrela de Crazy Ex Girlfriend – e esta outra com a Donna Lynne Champlin – melhor melhor amiga da tv. (Ambas em inglês.)


Think Olga sobre essa nova “moda” de premiar homens em premiações para mulheres, como o Bono Vox ganhando prêmio de Mulher do Ano da revista Glamour.


Este vídeo maravilhoso da minha melhor amiga platônica Jéssica com a Helmother sobre padrões de beleza e estar nesse meio caminho entre ser magra e gorda.


Aamer Rahman sobre racismo reverso no vídeo mais didático e cool (é um stand up) que você vai ver hoje.


Faz tempo que não faço propaganda do canal da minha amora aqui, então vamos lá. Esta semana, Tety nos lembrou que pequenas vitórias importam e está aí um lembrete sempre válido.

(Tety também fez um vídeo amorzinho sobre a Cúpula do Mal (aka nós duas e Lari) que me arrancou muitas lágrimas e acho que você deveria assistir porque sim.)

Outro bom lembrete: “perder tempo” é importante (em inglês).


Thais fez uma reflexão interessante sobre a regra 90/90 para destralhar no Vida Organizada.


Miga, se você gosta das Linkagens de Segunda, ficam duas dicas:

  • você pode acessar o arquivo e conferir todos as linkagens já publicadas aqui; e
  • você pode seguir o arroba do blog no Twitter e acompanhar todos os links que compartilho por lá.

Salvar

Linkagem de Segunda #58

Nesta segunda, não tenho tantos links para compartilhar com vocês como na semana passada, mas ainda assim são muitos os assuntos, então vamos logo a eles, tá bem?


Segundo a Fundação Getúlio Vargas, a Greve Geral do dia 28 de abril foi o evento mais comentado na internet da história do Brasil. O estudo completo pode ser lido aqui.


Thaís Campolina reflete sobre o lugar da mulher no discurso retrógrado de Temer e as consequências disso neste post do Ativismo de Sofá.

“O local da mulher no discurso de Temer e cia segue sendo o de subalterna e suas reformas querem manter as mulheres assim, já que as propostas ignoram fenômenos importantes como a feminilização da pobreza.” Thaís Campolina, “O local da mulher no discurso machista de Temer


3 de maio foi Dia da Liberdade de Imprensa e as moças do Think Olga questionam “liberdade para que imprensa?

“(…) se trabalhar por uma comunicação que seja justa e respeitosa para grupos minorizados socialmente é ser “politicamente correto” não queremos ser incorretas. Principalmente quando a ideia do tal politicamente incorreto vem disfarçada de uma falsa liberdade de imprensa.” Think Olga, “Liberdade para que imprensa?

Ainda neste contexto, vale a pena dar uma lida no Minimanual do Jornalismo Humanizado, criado e citado pelo Think Olga neste artigo, ainda que você, assim como eu, não seja jornalista.


Depois de corajosamente denunciar o assédio de José Mayer, Su Tonani se pronunciou novamente desabafando sobre os desdobramentos de sua denúncia, especialmente sobre a revitimização que tem sofrido. Ainda sobre este assunto, Carla Rodrigues escreveu sobre a difícil decisão de denunciar ou não um caso de assédio justamente por causa desta questão.

“Eu fui vítima de assédio sexual. E agora estou sendo vítima novamente. Das especulações que colocam dúvidas sobre a minha dor. E me fazem revivê-la.” Su Tonani, “Me deixem deixar de ser vítima: me deixem voltar a ser eu

“Levar adiante um processo jurídico é ficar diante de uma lei que até agora ainda não escrita para protegê-la, mas apenas para reiteradamente fazer dela tão somente uma vítima. Não levar adiante o processo jurídico seria enfraquecer a causa feminista, que precisa de mais mulheres denunciando e reivindicando o assédio sexual. A escolha diante desse dilema insuperável é uma tarefa dolorida.” Carla Rodrigues, “Sobre a recusa do lugar de vítima


Na Ovelha Mag, Fernanda Ozilak escreveu um guia super simples e didático para eliminar a gordofobia do nosso discurso cotidiano.


Jéssica levantou uma discussão interessante no Valkírias: se nesta season 3, o relacionamento de Grace e Frankie tornou-se queerbaiting. Ela explica o significado do termo, mas para quem quiser entendê-lo melhor, também tem este texto ótimo a respeito no Delirium Nerd.

Um dos maiores exemplos de queerbaiting para mim é o relacionamento entre Scorpius e Albus em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Sobre eles e principalmente a falta de representação LGBTQ+ no universo mágico da Jo, há um artigo muito bom no Hypable.


Como boa Marvelete que tenho me tornado, fui assistir Guardiões da Galáxia vol. 2 mesmo não tendo gostado do primeiro. Só não digo que as expectativas eram baixas porque amei os trailers e fiquei especialmente empolgada com a notícia de que Sylvester Stallone (o homem responsável pelo meu herói de infância, ele mesmo, Rocky Balboa) estaria no elenco.

O filme foi uma grande e maravilhosa surpresa, acredito ser um dos melhores feitos pela Marvel até aqui e estou obcecada pela trilha sonora.

Não li muito sobre ele ainda, mas gostei especialmente da resenha da Micheli Nunes pras Garotas Geeks e da crítica da Gabriella Franco pras Minas Nerds.


Rafaella Britto fez um post incrível elencando diversas mulheres que de alguma forma confrontaram o ideal feminino em Hollywood. No Valkírias, Ana Luísa traçou um histórico super interessante da representação feminina no cinema nacional.


Nosso site favorito, o Valkírias, fez aniversário e Anna escreveu um editorial maravilhoso sobre escrever sobre cultura pop e mulheres na internet, e também sobre binge culture e economia da atenção e todo mundo que fica maluco tentando acompanhar as novidades da cultura pop e nerd deve se identificar.


Anne Caroline Quiangala escreveu um post ótimo no Preta, Nerd & Burning Hell sobre o que entendemos por humor negro e o que de fato é humor negro.

“Pra nós, assim como o cinema negro e a música negra são gêneros protagonizados por negros e direcionados aos semelhantes, o humor negro é uma forma estética de denúncia e de libertação. O impacto é automático porque o humor negro evidencia fenômenos cotidianos que enfrentamos simplesmente por sermos negras.” Anne Caroline Quiangala, “O que é humor negro?


Uma das minhas maiores dúvidas implementando o GTD sempre foi como organizar tarefas recorrentes e de rotina. Thais falou mais sobre isso num post bastante esclarecedor no Vida Organizada.


No blog do Todoist, Pedro Silveira escreveu sobre o timeboxing, uma técnica bem interessante de gerenciamento de tempo.


Se você curte as Linkagens de Segunda, ficam duas dicas:

  • você pode acessar o arquivo e conferir todos as linkagens já publicadas aqui; e
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Linkagem de Segunda #57

Voltei. De novo. É só isso que eu escrevo no blog ultimamente, né?

Não vou me justificar porque não vejo necessidade e vocês já conhecem o discurso da vida atropelando a gente, prioridades, etc. Também não vou prometer voltar a postar com regularidade – se é que isso aconteceu alguma vez – porque sei que não vai acontecer. Mas, de qualquer forma, este post é uma tentativa de trazer o blog de volta para a minha rotina.


O feminismo que estampa novas coleções, Paula Maria pras Valkírias

MENSTRUAPPS – Como transformar sua menstruação em dinheiro (para os outros)?, Natasha Felizi, Joana Varon e Diana Moreno no Chupadados


Como os estereótipos estão atrapalhando sua carreira e reduzindo seu salário, Caroline Oms na AzMina

5 ações que precisam mudar para acabar com a desigualdade de gênero no trabalho, AzMina

Sim, mulheres precisam de leis trabalhistas específicas, Lívia Magalhães na AzMina

Representatividade da mulher negra no mercado de trabalho, Luana Maria pras Blogueiras Feministas

Filhos não impedem que as mulheres tenham uma carreira. São os maridos, Felipe Betim e Ana Torres Menárguez no El País

Como evitar que domésticas sejam uma incoerência feminista?, Carolina Vicentin na AzMina


Machismo irônico e por que é preciso ter cuidado com ele, Lara Vascouto no Nó de Oito

“Você não é como as outras”: quem são as mulheres extraordinárias, afinal?, Bárbara Marques no Nó de Oito

4 tipos de personagens femininas que marcaram as comédias românticas dos anos 2000, Lara Vascouto no Nó de Oito

5 mitos sobre amor romântico na cultura pop que sustentam o mito da friendzone, Lara Vascouto no Nó de Oito

Heroínas masculinizadas e a síndrome da mulher “mais macho que muito homem”, Bárbara Marques no Nó de Oito

What’s behind pop culture’s love for silent, violent little girls?, Emily Yoshida na Vulture

Diversidade não deveria ser um show de horrores, Anne Caroline Quiangala no Preta, Nerd & Burning Hell

Marvel: a editora perdeu o interesse por diversidade e personagens femininas?, Renata Nolasco no Delirium Nerd

A gordofobia em nós – do comentário aparentemente inofensivo até as telas do cinema, Maiara Beckrich no Nó de Oito

Mulheres na comédia: aqui tem, Ana Vieira pras Valkírias

Os limites do humor, Gabriella Beira na Capitolina

Humor negro: o termo negro e o politicamente incorreto, Stephanie Ribeiro na Capitolina


Miranda Priestly, o diabo em pessoa, Paloma Engelke pras Valkírias

Legalmente Nós Mesmas, Lady Sybylla no Momentum Saga

Que Horas Ela Volta? – O lado que ninguém quer ver, Paloma Engelke pras Valkírias

Agent Carter: o valor de Peggy Carter e o feminismo, Karol Borges no Delirium Nerd

Heroínas que amamos: conheça as Filhas do Dragão, Gabriela Franco pras Minas Nerds


Entre lobos e cordeiros: Taylor Swift e o que significa ser uma mulher sob os holofotes do mundo, Anna Vitória e Clara Browne pras Valkírias

Emily Lima na Seleção: o que muda dentro e fora das quatro linhas?, Duds Saldanha pras Valkírias


Manifesto pelo fim do guilty pleasure, Fernanda Menegotto na Pólen


Escola Sem Pinto, Eliane Brum no El País


Não se trata só de “dicas práticas”, Thais Godinho no Vida Organizada

Como organizar projetos no Todoist, Thais Godinho no Vida Organizada

GTD: projetos e sub-projetos, Thais Godinho no Vida Organizada

GTD: projetos com prazo x projetos sem prazo, Thais Godinho no Vida Organizada

5 maneiras de usar a agenda do Google para o GTD, Thais Godinho no Vida Organizada

10 tips for sucess with GTD, GTD Times

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Linkagem de Segunda #56

Voltamos! Voltamos eu e as linkagens de segunda.

Voltei porque andei um pouco afastada do blog, sem muita vontade de escrever, sem muitas ideias novas e sem ânimo para desenvolver ideias “antigas”. Andei escrevendo mais na newsletter, dedicando um tempinho maior à newsletter, repensando o conteúdo, o formato e a periodicidade da newsletter. Ideias para o blog até surgem e são registradas, mas não são algo no qual quero trabalhar agora e não sei bem o porquê. Mas eu não queria que o blog ficasse abandonado, então voltei mesmo que talvez devagarinho, aos poucos, sem muito conteúdo original.

Voltou a linkagem de segunda porque eu sinto falta de escrever este tipo de post. Porque eu precisava dum motivador para voltar. Porque me cobraram e sentiram saudades das linkagens e fiquei feliz em saber que este compilado de links semanal faz diferença e é apreciado. ♥

Então, estamos de volta. As linkagens de segunda e eu. Espero que vocês gostem.


Assisti Hidden Figures (Estrelas Além do Tempo no Brasil) anteontem e QUE FILMÃO DA PORRA. Como não tenho a mínima condição de escrever a respeito, fica aqui minhas resenhas/críticas/análises favoritas que as migas escreveram:

Ainda na vibe do filme, Sybylla escreveu sobre as mulheres computadoras esquecidas no Momentum Saga; a Galileu entrevistou Mae Jemison, a primeira mulher negra a ir para o espaço; e a Nina Grando compilou os melhores discursos do SAG Awards, incluindo, é claro, o lindo e poderoso discurso da Taraji P. Henson.


Ainda falando sobre filmes, Paloma listou 4 momentos incômodos e importantes de uma das minhas comédias românticas favoritas, Um Lugar Chamado Notting Hill.


Thamires Motta escreveu um texto muito importante sobre a pornografia e a naturalização da violência contra as mulheres.

O que a pornografia faz não é necessariamente criar abusadores. Mas sim naturalizar a sexualização precoce das meninas, naturalizar o sexo violento, naturalizar a vontade masculina acima de tudo, transformar a existência lésbica em algo voltado para o prazer masculino, naturalizar a busca de “enteadas”, “pai e filha” e “lésbicas” no Google como conteúdo pornográfico. Isso está destruindo a forma como os homens tratam as mulheres, a forma como se relacionam, a forma como fazem sexo consensual com elas.


É sempre bom lembrar: representatividade importa.

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Minha amora fez um desabafo sobre gordofobia e padrões de beleza que sei que é bastante doloroso para ela, então assistam e sejam gentis.

Coincidentemente, Tia Má (que conheci graças à Jout Jout essa semana, neste vídeo maravilhoso sobre racismo) também publicou um vídeo sobre gordofobia e padrões de beleza hoje.

Para finalizar esta seção, não posso deixar de mencionar este vídeo incrível da minha melhor amiga platônica Jéssica Tauane sobre como os padrões de beleza além de violentos são pedófilos, baseado neste textão necessário aqui.


Já estamos em fevereiro, mas acho que não é tarde para começar algum das dezenas de desafios propostos nesta imensidão internética em que vivemos. Este ano, decidi tentar cumprir três deles. É provável que eu não consiga cumprir tudo, mas pelo menos eu vou tentar, né? E se isso me ajudar a diversificar minhas leituras e a ter contato com mais arte produzida por mulheres, já tô bem feliz.

Desafio Alpaca Press

O objetivo do desafio da Alpaca é justamente ler mais livros e assistir mais filmes feitos por mulheres.

O tema de janeiro foi autora/diretora brasileira e escolhi Aline Valek e o livro As Águas Vivas Não Sabem de Si, que já estava na minha estante há algum tempo pois, graças a esta coisa maravilhosa chamada internet, pude acompanhar boa parte do processo de criação dele através dos relatos da Aline na newsletter e nas redes sociais. O livro é absolutamente maravilhoso e tem resenha da Thais Campolina no próprio blog da Alpaca e da Nina Spim na Revista Pólen.

Ler Além

Este desafio é uma iniciativa dos maravilhosos Nem Um Pouco Épico, Revista Pólen e Valkírias e a ideia é diversificar suas leituras e sair da zona de conforto com 15 categorias maravilhosas.

Como inventei moda de fazer mais de um desafio este ano, tenho tentado conciliar categorias e temas dos três desafios e isso rolou bem no mês de janeiro, uma vez que As Águas Vivas Não Sabem de Si é uma ficção científica escrita por autora brasileira, primeira categoria do Ler Além.

Desafio Literário do Momentum Saga

Por último, temos o desafio do Momentum Saga. Além de apresentar as categorias, o post dela dá dicas muito legais para se engajar em qualquer desafio literário, então recomendo a leitura.


Quando a vida anda meio bagunçada, uma coisa que geralmente me ajuda a botá-la nos eixos – ou pelo menos me motivar para tal – é ler o blog da Thais, o Vida Organizada. Essa semana, três posts em particular me chamaram a atenção:

  • neste ela propõe um exercício muito interessante que pode ajudar bastante na hora de identificar o que é essencial e/ou prioritário na nossa vida para fazer o declutter nosso de cada dia;
  • neste ela reflete sobre vida pessoal e profissional e como esta divisão já não mais existe na prática e tudo bem;
  • neste ela lista os aplicativos que mais tem gostado de usar para se organizar, ideia que eu achei muito boa e pensei em reproduzir aqui no blog com os meus apps favoritos, o que vocês acham?

Salvar

Olar!

Da última vez que nos encontramos aqui no blog, eu tava num lugar muito ruim. Da última vez que nos encontramos lá na newslettinha também. Eu gostaria muito de vir aqui e dizer que agora tatu do bem, que eu tô feliz e motivada e otimista quebrando tudo neste ano novo de número primo (eu gosto de números primos). Mas não é assim que as coisas funcionam, não é mesmo?

Meu ano novo já começou com sangue, suor e lágrimas (tudo literalmente). Meu útero achou que seria legal menstruar por 10 dias seguidos (começando no meu aniversário pois claro) – o que significa 10 dias de cólica intermitente, diarreia, uma dor absurda nos seios e uma profusão de espinhazinhas doloridas no rosto todo (#MenstruaTwitter atrasada e fora do Twitter porque precisamos falar sobre menstruação, sim, senhor). No terceiro dia do ano, eu já era a imagem da derrota, chegando em casa vermelha, suada e literalmente passando mal de calor e raiva. A ansiedade segue firme e forte e já me proporcionou mais crises do que eu gostaria de admitir. E a casa nunca esteve tão triste e vazia como agora sem a Íris.

Por outro lado, minhas perspectivas são boas. Acredito que 2017 vá ser um bom ano (para mim) ou ao menos melhor do que 2016 foi. Já consegui resolver algumas pendências e encaminhar outras tantas. Estou tentando construir uma rotina mais saudável de verdade – não saudável-fitness de Instagram. (Posso falar mais sobre isso num outro post.) Estou tentando me cobrar menos, respeitar meu ritmo e minhas limitações e valorizar minhas qualidades e pequenas (e grandes) conquistas. Tenho planos para este ano que vão além de ficar o dia inteiro pirando em cima do meu próprio currículo, estudando para concursos que eu não quero prestar e me frustrando com essa busca sem fim por uma colocaçãozinha nesse mercado de trabalho que nunca acha que a gente é bom o suficiente.

Além disso, e mais importante, tenho me sentido menos sozinha. Tenho recebido muito, muito amor de vocês por todos os canais possíveis e cada mensagem, cada tuíte, cada comentário, cada e-mail, cada gif do molequinho abraçando a galinha, me deixa um pouco mais forte e motivada. Então, de novo, meu muito obrigada. ❤


Este post está nos meus rascunhos há alguns dias, mas vinha procrastinando terminá-lo e publicá-lo porque não sabia bem para onde ir a partir deste último parágrafo ou qual a real necessidade/função deste texto. Porém estive pensando em algumas respostas que recebi à última newsletter, alguns comentários que recebi aqui no blog e no que algumas migas vieram falar comigo esses dias e achei que deveria postar, sim.

Primeiro porque tem gente que de fato se importa e quer saber como vão as coisas por aqui, ainda que isso implique em mais um textão sobre a bad sem nenhuma grande epifania no final. (Vocês são lindos, amo vocês.) E segundo porque “tirando este assunto do caminho”, fico mais inclinada a postar sobre outros temas e até mesmo voltar com a linkagem de segunda em breve, então fiquem de olho que logo o blog “volta à programação normal”, whatever this is.


Acredito que eu já tenha desejado um feliz ano novo para vocês no último post, mas acho que nunca é demais desejar coisas boas pras pessoas boas que cercam a gente, né? Então, feliz 2017 pra vocês todos, que ainda é só o 17º dia do ano e temos muito o que viver. (Sim, isso foi pra você que também tá #chateado como eu porque o começo do ano foi meio merda. ❤)


P.S.: O post de hoje é ilustrado pela minha família favorita da televisão – os Heck de The Middle – tanto derrotados quanto vitoriosos no primeiro dia de 2017 porque tão gente como a gente, né?

Uma retrospectiva pessoal e capenga

Eu pretendia ter escrito este post na terça-feira, meu aniversário. Fazer aniversário no finalzinho de dezembro faz com que esta seja uma data especialmente propícia para fazer uma espécie de retrospectiva pessoal – uma análise particular do ano que está chegando ao fim.

Só que, por mais que a vontade de escrever este post exista e seja tão real que é quase uma necessidade, não é algo fácil. Honestamente, para mim, há muito pouco de bom para se recordar de 2016, especialmente posto ao lado das coisas ruins. Além disso, o simples vislumbre do final deste ano me enche duma angústia que até então eu não conhecia tão bem. Nunca senti tamanha ansiedade diante da passagem desenfreada do tempo, da constatação do fato óbvio de que é impossível pará-lo e, principalmente, voltar atrás.

Fiz 26 anos esta semana e, pela primeira vez na minha vida, minha idade me assusta. Lembro de ter sentido medo ao fazer 19, mas também me lembro que era um medo bom, um frio na barriga gostoso de quem esperava grandes coisas. Boas coisas. O medo de fazer 26 anos não tem nada a ver com aquele. Não é a ansiedade boa de quem mal pode esperar pelo que vem em seguida. É a angústia de alguém que se sente velha demais para estar onde se está, mas não vê como as coisas poderiam ser diferentes. É a angústia de se olhar para trás e não estar exatamente satisfeita ou orgulhosa da jornada até aqui, ainda que racionalmente enxergue muitas razões para se sentir bem, sim. É a angústia de perceber-se totalmente inserida num mundo adulto do qual não se sente pertencente, nem sabe se quer realmente o sentir.

Esta crise específica foi muito motivada por um ano ruim, sem grandes realizações. Depois de buscar meu diploma e fazer meu CREA, minha vida profissional-acadêmica se resumiu a uma enfadonha, cansativa e frustrante (muito frustrante) rotina de busca por emprego, que segue sem grandes perspectivas e da qual eu sequer tenho energia para escrever/falar sobre, então sigamos.

Voltar a morar com meus pais é, sem dúvidas, outra questão importante neste sentido. Por mais que esta seja definitivamente a decisão mais acertada do ano e que ela tenha me permitido passar mais tempo com algumas das minhas pessoas (humanas e canina) mais amadas, é muito difícil não sentir-se mal em ser um adulto não apenas que mora com os pais, mas também que depende deles financeiramente.

Junto a esta crise talvez um tanto clichê, há a questão da saúde mental. Considerei procurar um psicólogo/terapeuta/profissional, mas minhas opções são muito limitadas (e caras) aqui em São Joaquim. Tenho tentando controlar a ansiedade de todas as formas possíveis (e viáveis), inclusive aquelas que sempre funcionaram bem no passado, mas tem produzido pouco ou nenhum efeito hoje. Não sei até que ponto a ansiedade tem contribuído para minha crise-dos-26-anos ou a crise tem piorado a ansiedade, mas está claro que as duas coisas estão relacionadas.

Minha ansiedade, inclusive, teve muitos agravantes este ano, e agravou outros tantos problemas. Esta onda conservadora em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil, me assusta muito. Acompanhar as notícias tem me descaralhado a cabeça, mas me sinto obrigada a me informar. Ontem mesmo, não consegui dormir depois de assistir à Retrospectiva na Globo. Também é recorrente eu perder o sono pensando nos problemas e tragédias alheias, principalmente (claro) daquelas pessoas mais próximas de mim.

Meus relacionamentos pessoais também foram muito abalados este ano. Estamos todos muito vulneráveis, machucados e assustados, cada um com suas próprias questões, e tem sido difícil lidar com tudo isso. Briguei muito com as minhas melhores amigas. Me afastei bastante de todo mundo. Cheguei a terminar com meu namorado. Por outro lado, foi justamente nos meus pais, no Lu, na Tety e na Lari que encontrei apoio e força para sobreviver a 2016 e acredito que eles puderam encontrar apoio e força em mim também. Termino o ano com o coração um pouco menos apertado, com a certeza de que estes laços foram abalados, porém fortalecidos em 2016.

Também encontrei aqui, na internet, como sempre, uma rede de apoio muito especial, principalmente agora em dezembro, com a morte da Íris. Toquei no assunto superficialmente nas redes sociais e escrevi mais sobre isso na newsletter, mas ainda tem sido muito difícil falar sobre o assunto, por isso não escrevi nada a respeito no blog. Íris foi uma parte muito importante da minha vida, foi uma grande companheira especialmente neste ano difícil e dói demais lembrar que ela não está mais aqui.


Eu disse na última edição da newsletter que tenho evitado escrever na internet porque tudo o que produzo tem saído com essa vibe pesada – porque, bem, a vida anda pesada. Cheguei a pensar em não enviar a última cartinha e em não publicar este último post do ano, mas eu sinto que precisava muito tirar estas coisas todas de mim e que estes eram os canais para fazer isso. Recebi um retorno muito carinhoso depois do meu último e-mail e isso me ajudou demais, então acredito ter tomado uma boa decisão, pelo menos com relação à newsletter. Quanto ao blog, acredito que ele é uma parte importante de mim e que eventualmente não vai ter jeito, a negatividade em mim vai se refletir nos posts.

Então, peço perdão pela bad vibe deste último post do ano, mas eu não poderia deixar de publicá-lo e de publicá-lo assim. Estou me permitindo não fazer a Pollyanna. Me permitindo chorar o que tenho para chorar, viver meu luto e abraçar minha tristeza como o sentimento válido e necessário que ela é. Estou me dando o direito de lamber minhas feridas e lidar com a minha dor do jeito que me couber.


Aproveitando que este é o último post do ano, gostaria de agradecer a todos os leitores do blog pelas palavras de apoio, pelos comentários carinhosos e pelos gifs de animaizinhos. Sem vocês 2016 teria sido muito mais difícil, então muito obrigada. ❤

Espero que 2017 seja um bom ano para todos nós. Que tenhamos força, sabedoria e malemolência (sempre importante) para lidar com as pedras no caminho. E que elas sejam em menor quantidade, né? Pelamordadeusa.


P.S.: as imagens deste post são do filme Divertida Mente.

As propriedades terapêuticas da Grande Limpeza de Final de Ano

Todo final de ciclo, eu gosto de fazer um grande limpa/destralhamento/declutter/a-palavra-que-você-preferir. Faço isso porque me ajuda a lidar com os fins e os encerramentos, e também porque me ajuda a me preparar para os inícios dos novos ciclos, abrindo espaço físico, digital e até mesmo metafísico para as coisas novas.

Isso quer dizer, por exemplo, que todo final de semestre da faculdade, eu gostava de reunir todo o meu material, anotações, listas de exercícios, provas e trabalhos, separando o que eu queria ou precisava manter daquilo que eu queria ou podia me desfazer. Toda mudança de estação, eu tiro tudo de dentro do meu guarda-roupa e só devolvo aquilo que eu usei no último ano, doando o resto. Todo final de ano, faço diversos destralhes ao longo de novembro e dezembro. É a minha tradição particular de ano novo.

A cada ano, “A Grande Limpeza de Final de Ano” é um pouquinho diferente, dependendo do momento em que estou na minha vida e tal. Nos últimos anos, elas foram super complicadas porque envolviam final de período na faculdade e não só uma, como duas casas. Paralelamente a provas e trabalhos finais, eu ia fazendo meus destralhes no apartamento onde eu morava sozinha, preparando tudo não só para um novo ano e um novo período da graduação, mas também para os dois meses e meio que o apezinho receberia poucas visitas minhas. Quando eu finalmente saía de férias e voltava “de mala e cuia” para a casa dos meus pais (geralmente depois do dia 15 de dezembro), era a hora de fazer os outros tantos declutters no meu quarto joaquinense (nesta altura do ano completamente abandonado pelas poucas vindas para a casa).

Não precisa fazer a Emily Gilmore depois de ler o livro da Marie Kondo
Não precisa fazer a Emily Gilmore depois de ler o livro da Marie Kondo, mas um declutterzinho é sempre bem vindo.

No ano passado, minha Grande Limpeza etc. não aconteceu bem do jeito que eu queria. 2015 foi uma grande confusão na minha vida e absolutamente nada saiu como planejado ou esperado (para o bem e para o mal). A vida me atropelou e, quando dei por mim, vários ciclos estavam se encerrando sem que eu tivesse tido a chance de respirar fundo e me organizar. Primeiro foi o TCC, depois o estágio e a graduação como um todo. Colei grau ainda meio sem processar a informação de que eu estava mesmo me formando porque eu havia me preparado para me formar só no ano seguinte. Pela primeira vez em muitos anos, ignorei a minha própria tradição, tomei só as providências cabíveis e urgentes, como fazer minhas malas para vir pra casa, e me dei duas semanas de folga. Em janeiro, voltei para São Carlos para tratar do que ficou pendente, o que incluía o meu último grande declutter por lá, aquele que a gente faz quando tá organizando nossa mudança.

Para mim, organizar a bagunça física – e especialmente se livrar da tralha – sempre teve um grande impacto psicológico. Por isso mesmo, estas limpezas de final de ciclo são tão importantes para mim. Além disso, elas sempre fazem parte de algo maior, de todo um conjunto de atividades que me ajudam a lidar com a vida, o universo e tudo o mais, mas principalmente com a ansiedade. Não ter conseguido fazer nada disso no ano passado, com tanta coisa acontecendo, foi especialmente estressante e acredito ter afetado boa parte do meu 2016.

Quando este ano começou, eu estava completamente perdida. Tudo havia acabado, mas nada tinha tido um encerramento apropriado na minha cabeça. Eu ainda tinha pendências em São Carlos e toda uma mudança de cidade para organizar, o que me ajudou um pouco. Pude me despedir adequadamente de algumas pessoas, mas não de todas. Buscar meu diploma foi a coisa mais simultaneamente dolorosa e deliciosa que já fiz, mas lidar com a papelada, os arquivos digitais e todas as outras coisas que eu trouxe de São Carlos e da graduação foi catártico.

Acho que eu nunca havia percebido de fato como alguns costumes e rituais aparentemente bobos podem ser importantes para mim. Foi por isso que este ano eu decidi levar minha Grande Limpeza de Final de Ano a sério.

O final de 2016 não representa nenhum fim de ciclo importante na minha vida. Esse ano não tem entrega de TCC, último dia de aula, último dia do estágio ou colação de grau. Nada de grandioso aconteceu na minha vida, com exceção dos resquícios dos encerramentos do ano passado (e talvez de grandes problemas). 2016 foi, honestamente, um ano horrível, um dos piores da minha vida e é justamente por isso que quero aproveitar a oportunidade da mudança de calendário para deixar este ano e todas as suas bad vibes para trás. Ao contrário do ano passado, desta vez tenho tido tempo para me planejar e, com isso, consigo vislumbrar um ano novo com mais significado e perspectivas melhores. (Eu sei que o futuro pode ser bastante imprevisível e que a gente não tem o controle de nada mas, para o bem da minha saúde mental, eu preciso de alguma estrutura, alguma organização, algum planejamento.) E também tenho tido tempo de fazer destralhes que eu considero importantes para mim e que vão abrir espaço para coisas novas, inclusive um 2017 muito melhor do que foi 2016. (Olha quem tá sendo otimista!)

Linkagem de Segunda #55

Faz quase um mês desde o último post e eu poderia ficar aqui me justificando, mas acho que realmente não interessa a ninguém porque não andei escrevendo nestas semanas e, como faz tanto tempo desde a última linkagem, tenho muitos links acumulados para compartilhar com vocês e acho que devemos ir logo a eles, certo?

Então vamos!

(Hoje não vai ter trechinho dos textos, nem aquele modelinho que venho usando nas últimas linkagens senão esse post vai ficar quilométrico e eu vou demorar anos para escrever (e vocês para ler), ok?)


Consciência Negra e representatividade: As Lendas de Dandara, Vanessa Bittencourt no Valkírias

Luke Cage ou sobre como acertaram com a Misty Knight (ufa!), Anne Caroline Quiangala no Preta, Nerd & Burning Hell

Qual o lugar do negro no mundo dos shippers?, Camila Cerdeira no Preta, Nerd & Burning Hell

Racismo no Brasil: todos têm obrigação nesta luta, Raysa França no Cacheia!

Por que é importante que pessoas brancas falem sobre racismo?, Carol Patrocinio no Ondda

Feminismo, racismo e a relutância em reconhecer-se como opressora, Joanna Burigo na Carta Capital

Gabrielle Aplin, privilégios e meritocracia, Paloma no Valkírias

[vídeo] Karol Conka e MC Carol sobre padrão de beleza e racismo, PapelPop

Mc Carol e Karol Conka: elas vieram para incomodar e nós as amamos por isso, Tati Perry no Valkírias

Mulheres dentro do padrão de beleza podem sofrer preconceito?, Lívia Reginato no Nó de Oito

A mulher como objeto de cena, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

Objetificação masculina NÃO é a mesma coisa que objetificação feminina, Lara Vascouto no Nó de Oito

Cheias de Charme: vida de empreguete e 500 anos de história do Brasil, Anna Vitória no Valkírias

[vídeo] Periods in Media, TheeKatsMeoww

Amizades femininas em Gilmore Girls, Thay e Yuu no Valkírias

“A série não é sobre os namorados de Rory”, desabafa criadora, Guto Júnior no Gilmore Girls Brasil

Harry Potter and the Cursed Child: a missed chance at breakthrough LGBTQ representation, Tariq Kyle no Hypable

Mulher Maravilha é bissexual, Themyscera é queer. E isso é cânone, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

[vídeo] Gays têm + HIV???, Canal das Bee

[vídeo] Homossexuais e doação de sangue, Drauzio Varella

A segunda temporada de Jessica Jones só vai ser dirigida por mulheres, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

Comparar a Marvel e a DC no cinema é inevitável, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

Mulher Maravilha, ONU, críticas e maiôs, Rebeca Puig no Collant Sem Decote

[vídeo] Empoderamento vende!, Nataly Neri no Afros e Afins

[vídeo] Pelos, nós temos, Ana de Cesaro

A Vogue decretou: tá na hora de trocar os seus peitos por um modelo menor, Jojo no Uasz

Escola de Princesas e o reforço da nossa submissão, Pâmela Vieira no Sigamos Juntas

“Anticoncepcional” masculino é adiado por ter reações semelhantes ao feminino, Bruno Vaiano na Galileu

Garotos que brincam com bonecas se tornam crianças mais carinhosas e empáticas, Carol Castro na Galileu

Bob Dylan’s Nobel prize isn’t radical. He’s just another white male writer, Natalie Kon-yu no The Guardian

[vídeo] Somos latinas, Canal das Bee

[vídeo] O mínimo, Jout Jout

Tanto Brasil quanto Argentina têm leis contra o feminicídio, mas isso não basta, Lívia Magalhães na AzMina

Os estupros são coletivos, mas a sociedade não se sente responsável, Bia Cardoso no Blogueiras Feministas

[vídeo] HPV, Câncer de Colo do Útero e Mulheres Negras, Nataly Neri no Afros e Afins

[vídeo] Outra aula: HPV, Jout Jout

[vídeo] Inside Out: Emotional Theory Comes Alive, Nerdwriter1

[vídeo] Self Compassion, School of Life

A vida não é um miojo, Estela Rosa na Ovelha Mag

Entre o amor e a originalidade, Taís Bravo no Mulheres que Escrevem no Medium

Tá tudo bem gostar de coisa “ruim”, sabia?, Duds Saldanha no Indiretas do Bem

A escrita como um caminho, Isabela Peccini no Mulheres que Escrevem no Medium

5 dicas para não desperdiçar produtos capilares, Maressa de Sousa no Cacheia!

Co-wash: fiquei um mês sem shampoo e olha no que deu, Marina Fabri no Coisas de Diva

Linkagem de Segunda #54

O blog completou 9 anos de existência na quinta-feira retrasada, dia 13, e como eu já previa no último post, não rolou nem um postezinho sequer para comemorar.

Eu comentei na última linkagem de segunda que andava bastante ocupada, como é típico dos meus outubros. O que eu não sabia ainda é que logo eu ficaria muito ocupada para depois ficar pouquíssimo ocupada e de boas, se é que isso faz algum sentido. Acontece que decidimos meio de supetão fazer uma viagenzinha pra praia, pra botar o pé na areia, comer uns camarões, estas coisas. Todo mundo aqui em casa precisava dum descanso, duma mudança de ares, dum cheirinho de mar. Às vezes, faz bem, né?

Como a gente decidiu bem às vésperas, tivemos poucos dias pra fazer aqueles preparativos clássicos de viagem: comprar uma ou outra coisa, fazer mala, arranjar alguém pra cuidar de Íris, a cã, estas (outras) coisas. Além disso, eu tive que mudar meus planos para os dias seguintes, para a semana que estaríamos fora principalmente. Pode não parecer, mas este negócio de estar desempregada/procurando emprego dá trabalho pra caralho e eu tive que adiantar um monte de tarefas e adiar outras tantas. No final das contas, foi uma semana muito corrida, em que a gente mal conseguiu comemorar o aniversário do meu pai (dia 12) ou da Íris (dia 13) ou mesmo do blog. Só que, né, valeu a pena. O foda agora é voltar pra vida real, sem café da manhã de hotel e praia todo dia.

Basicamente, é por isso que andei sumida do blog nestas últimas duas semanas e nem apareci para fazer um post de aniversário. Mas estou de volta a terras joaquinenses e à minha rotina-não-rotina e hoje é segunda, dia de compartilhar links legais com vocês!

Já adianto que tem pouca coisa aqui porque andei lendo/assistindo/passando pouco tempo online nos últimos dias. Talvez a linkagem esteja mais recheada na semana que vem, quando eu já tiver começado a colocar a vida em dia pra valer. Acompanhemos.


Antes da viagem, eu tive que comprar um biquíni e migas, que merda. A gente luta tanto pela nossa autoestima, pra se amar e se sentir bem no nosso próprio corpo, mas basta ter que comprar uma roupa (ou abrir uma revista, ou ligar a tv, ou ouvir um comentário infeliz, etc.) pra gente voltar a se sentir um lixo, né?

Comentei sobre o assunto com a Tety, que entende desta merda toda muito melhor que eu porque além da pressão estética por ser uma mulher, ainda sofre com gordofobia. Daí ela foi lá e fez um vídeo maravilhoso falando sobre padrões estéticos, indústria da moda, gordofobia e representatividade. Não é fácil se abrir para falar sobre estas coisas todas, mas é muito importante que a gente fale sobre elas, então prestigiem e mandem amor pra minha amora, tá bem?

Eu ainda quero falar mais sobre pressão estética e autoestima e o causo do biquíni, mas ainda não decidi se o faço aqui no blog em texto ou vídeo, ou ainda lá no Medium ou na abandonada newsletter. Me contem o que vocês preferem.


Eu sempre fiquei meio confusa com essa coisa de latinos, hispânicos, raças, cores, etnias, lá nos States, principalmente. Daí encontrei este vídeo maravilhoso e bastante didático da Franchesca Ramsey, em que ela convida Kat Lazo para ajudar a gente entender as diferenças entre estes termos todos (e porque eles importam). Infelizmente, o vídeo é em inglês e não tem legenda em português, mas daí me lembrei desse texto da Luana Reis pro GWS, que eu já compartilhei aqui em outra linkagem, mas achei que seria interessante linkar novamente. Aliás, se você conhecer algum texto/vídeo bom sobre o assunto e quiser indicar nos comentários, por favor, o faça!


Rebeca Puig escreveu um texto ótimo sobre a hipersexualização das personagens femininas no cinema, na tv  e nos quadrinhos no Collant Sem Decote, que me lembrou de outro texto ótimo, que eu já compartilhei aqui também (mas que vou indicar de novo), da Anna Vitória no Valkírias, sobre o olhar masculino (male gaze) na ficção.

“A posição dos atores em relação à câmera, a lente escolhida para capturar a cena e a iluminação que incide nos personagens têm tanto ou mais significado do que o diálogo.”
– Rebeca Puig em A Hipersexualização Feminina no Enquadramento e no Movimento de Câmera

“O cinema (quando digo cinema, falo de narrativas visuais de modo geral) é um sistema de representações, e o male gaze é modo-de-fazer que coloca na tela a representação do olhar do homem sobre seu objeto de desejo, que é a mulher.”
– Anna Vitória Rocha em Marina Ruy Barbosa e o olhar masculino


A Anne Caroline do Preta, Nerd & Burning Hell escreveu sobre o racismo e o machismo por trás da “preferência” pelo seriado do Demolidor em detrimento de Luke CageJessica Jones.

“Quando um homem vocifera que ‘Jéssica Jones é mediano’ ou uma pessoa branca diz que ‘Luke Cage é uma série fraca’ dificilmente apresentam argumentos técnicos e análises coerentes (…) Talvez o problema aí seja que os brancos não são protagonistas, que a série não gira em torno de seus privilégios e muto menos de seu prazer retórico de afirmar que ‘negros são mais racistas que brancos’ ou ‘negros são os únicos que matam o próprio povo’. (…) quanto tempo Jéssica Jones e Luke Cage tem juntos, em minutos, de 1) mulheres com nomes, 2) conversando sobre qualquer coisa que não seja homem? Ou apoiando uma à outra? (…) Todas essas mudanças geram profundo medo nos rapazes conservadores. Medo de que seus valores sociais se percam, junto com seu poder.”
– Anne Caroline Quiangala em O problema por trás de “prefiro Demolidor à Jessica Jones ou Luke Cage”


Não costumo compartilhar edições de newsletters aqui nas linkagens porque por serem estes textos voltados prum público mais restrito (= os assinantes da newsletter em questão), nunca sei se o autor daquele texto queria que ele fosse compartilhado pra fora dos limites daquele público ou não, sabe? Mas daí quando o autor publica aquele texto num outro canal, como o Medium por exemplo, eu me sinto mais confortável para indicar e compartilhar aquele link. Pode ser uma bobagem minha, mas às vezes acho melhor pecar pelo excesso de cautela.

Dito isso, a Aline Valek, autora duma das minhas newsletters favoritas, a Bobagens Imperdíveis, publicou uma das edições mais legais que li nos últimos tempos no Medium e agora fico à vontade para compartilhar com vocês todos.

“Somos esses personagens de histórias absurdas, em que o mundo está acabando mas a gente não percebe, ou não liga, ou vai se deixando levar porque o autor precisa fazer o absurdo acontecer.”
– Aline Valek em A realidade implodiu a ficção sorrateiramente


Um fotógrafo francês viajou o mundo fotografando millennials e onde eles vivem e é claro que eu achei muito genial e já quero ganhar comprar o livro do moço. Dá pra ver algumas fotos no BuzzFeed gringo e no site do projeto.


Contei na outra linkagem que Tety, Lari e eu criamos uma tag sobre seriados e que ela é ótima e vocês deveriam responder também, inclusive em texto, se essa for mais sua praia. (As perguntas estão na descrição dos vídeos das meninas.)

Esses dias, foi a vez da Lari de responder e tô chocada com o quanto ela tá séria e concisa no vídeo. (Sempre esqueço que ela é a cota autocontrolada da Cúpula.) Prestigiem minha outra amora também:

Para quem não viu a versão da Tety, clica aqui. Logo eu farei minha versão também. Juro juradinho.


Vocês devem ter notado que desde a Linkagem #43, eu escolho uma mulher pra ilustrar cada topo. De primeira, a ideia era escolher uma imagem que tivesse a ver com qualquer um dos links, mas aos poucos, acabou rolando um padrão: eu sempre escolhia uma mina maneira, personagem ou real, famosona da grande mídia ou gente das internês. Já teve Jéssica Ellen, Elke Maravilha, Rafaela Silva, Ana Lídia Lopes, Garotas GilmoreHermione Granger… É uma forma bem singela de demonstrar um pouco da minha admiração pelas mulheres maravilhosas que tão por aí esbanjando representatividade e fazendo a gente acreditar que a gente pode ser foda também.

Essa semana, escolhi Jane Gloriana Villanueva, interpretada pela incrível Gina Rodriguez, porque a série voltou semana passada e o primeiro episódio me deixou destruída, só que ainda mais apaixonada pela Jane.